Resenha – TV on the Radio, Nine Types of Light (2011)

TV on the Radio

TV on the Radio: subsistência planificada?

Nine Types of Light (2011)

É difícil falar sobre o TV on the Radio. Desde que a banda formada no Brooklyn lançou Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (2004), primeiro disco oficial de estúdio, acompanho o trabalho deles com um misto de entusiasmo e preocupação. Foi no mínimo revigorante escutar “The Wrong Way“, primeira faixa do debute, e já nos segundos iniciais sacar que alguém mais estava investindo na mistura de rock alternativo e soul music (seara pouco explorada desde o The Afghan Whigs ou o The Twilight Singers, ambos capitaneados por Greg Dulli). Era uma questão de tempo até o TVOTR (como foi carinhosamente encurtado pelos fãs) ser alçado à atenção dos novidadeiros de plantão. Foi rapidinho. E naquele momento a banda garantiu um lugar no hall das bandas que  “eu preciso mostrar pra todo mundo”.  Dali, mais um passinho, e eles eram “sensação indie”. Mais um álbum (o ótimo Return to Cookie Mountain, de 2006; veja a banda tocando uma das faixas ao vivo)  e estavam consolidados.

Mantendo a boa média de um disco a cada dois anos, o TV on the Radio soltou o esperado Dear Science  em 2008, e foi aí que deu pra perceber que a banda tinha escolhido o seu caminho: em cima do muro. Apesar de conter o que eu considero a melhor composição deles até hoje, “Crying“, o disco deu a entender (as far as I’m concerned) que ocupar um lugar confortável entre os “estranhos” da música pop pareceu melhor para o TVOTR do que assumir a trilha para o estrelato (como fez o Arcade Fire com o delicioso The Suburbs, que ganhou até um Grammy) ou submergir com força no experimentalismo e no underground. Sem juízo de valor, a banda planificou-se.

E com o lançamento de Nine Types of Light (2011), esse modus operandi parece ainda mais evidente. Não é à toa que gastei dois parágrafos para falar do passado, quando o assunto é o presente. O novo álbum é facilmente esquecível. Não que não seja bom. É gostoso de ouvir, mas dilui-se facilmente como som de fundo. Lá pela quarta faixa já fica parecendo trilha sonora de qualquer coisa. Não consegui simpatizar com qualquer uma das faixas a ponto de me lembrar dela do começo ao fim. Todos os elementos legais do TVOTR estão lá: as bases eletrônicas bacanas, os vocais “exóticos”, a instrumentação climática e precisa ao mesmo tempo. Mas o álbum falha em produzir momentos memoráveis. Fica parecendo que a banda escolheu ficar por ali, sem agredir e sem agradar. Escolha triste e flácida. Talvez tudo se explique pela tendência atual de a música ser uma coisa multiplataforma, já que o disco sai acompanhado de uma espécie de filme que, segundo as palavras da banda, “is meant to be a visual re-imagining of the record, and includes a music video for every song on the album” (veja o último vídeo deste post).

Separei também o vídeo que a banda soltou para a faixa 6 do disco, “Will Do”. Que sirva para você começar a tirar suas próprias conclusões. Ao que me consta, resta esperar pelo próximo álbum. Quem sabe eles arriscam mais.

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About O musicólogo

Musicologia é o estudo científico ou mesmo a ciência da música. Considera-se musicologia a atividade do musicólogo enquanto ofício do pesquisador em música, diferenciando-se das outras duas grandes áreas da música: a invenção (ofício do compositor) e a interpretação/performance (ofício do instrumentista, cantor ou regente).

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