LIVE! – John Legend & The Roots – Urban Music Festival, São Paulo, Arena Anhembi, 29/05/2011

John Legend & The Roots: revisitando o soul

John Legend & The Roots: revisitando o soul

John Legend é foda. Meu respeito pelo cara aumentou uns 200% quando soube que ele lançara um disco com o The Roots (ouça!) , o Wake Up! (2010), só com versões de soul antigo. Talvez o maior mérito do álbum seja apresentar gente como Curtis Mayfield, Baby Huey e Bill Whiters à molecada de hoje. E, ao vivo, Legend e a banda executam com maestria clássicos da música negra norte-americana. Um prato cheio para um fã de soul como eu.

O show, realizado em São Paulo, fechando o Urban Music Festival, começou com “Hard Times”, versão pesadona do som de Baby Huey & The Baby Sitters (veja o vídeo exclusivo abaixo). Ótima maneira de ganhar a platéia que congelava no Anhembi. Fora uma ou outra cagada técnica (um pouco depois do início o grave do baixo e do bumbo estouraram durante uma das canções), o som estava perfeito (pelo menos na pista vip, onde eu, graças a um amigo, e a imprensa especializada estávamos), e a perfomance de Legend e da banda (destaque para as duas lindas e talentosíssimas backing vocals negras) impecáveis.

Uma inesperada e pesadíssima versão de “Move on Up”, do mago Curtis Mayfield arrebatou boa parte da plateia, e “PDA”, de Legend (veja vídeo exclusivo abaixo) fez todo mundo cantar e dançar. “I Can’t Write Left Handed”, hino antiguerra de Bill Whiters, precedida por um discurso pacifista de Legend (“When Bill Whiters wrote this song in 1973 the USA were in war against Vietnam. Today we’re still in war. War is hell, don’t matter who makes the decisions in Washington”) virou um épico de quase 7 minutos. Hipnotizante.

Valeu a pena ter perdido o Gang of Four, que tocou de graça ao mesmo tempo no festival da Cultura Inglesa no Parque da Independência.

Bonus track: pagar R$ 6,00 em fichas de cerveja no disco da banda de reggae hip hop Haikaiss, que pode ser baixado aqui, em troca de… bem… um favor que eles me fizeram durante o show. E conhecer o Leonardo dos Anjos da agência BRPress, que estava cobrindo o show (leia a resenha dele aqui)!

Ah, ainda teve uma participação WTF da Ana Carolina, mas nem é digno de nota!

Os vídeos foram gravados pela Cinematófaga.

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Originais & Originados – Alanis Morrissete x The Police, Seal e Black Eyed Peas

Alanis Morissette: improvável musa canadense fez covers interessantes

Alanis Morissette: improvável musa canadense fez covers interessantes

A canadense Alanis Morrissette estourou na década de 1990 com seu pop rock contaminado de revolta contra um ex-namorado cachorrão. De lá pra cá, ela virou mulher e sua música deu uma guinada pra canções mais abrangentes e interessantes. No meio do caminho ela emplacou uns covers bacanas, incluindo uma paródia de “My Humps”, o hit politicamente incorreto do Black Eyed Peas.

ORIGINAL – KING OF PAIN – THE POLICE (1983)

ORIGINADA – KING OF PAIN – ALANIS MORRISSETE (2000)

ORIGINAL – CRAZY – SEAL (1990)

ORIGINADA – CRAZY – ALANIS MORRISSETE (2005)

ORIGINAL – BLACK EYED PEAS – MY HUMPS (2005)

ORIGINADA – ALANIS MORRISSETE – MY HUMPS (2007)

Arqueologia sonora – Gil Scott-Heron – Especial In Memoriam

Gil Scott-Heron: o poeta da música negra partiu

Gil Scott-Heron: o poeta da música negra partiu

Acabo de receber com pesar a notícia da morte de Gil Scott-Heron (01/04/1949 – 27/05/2011), poeta, autor e músico norte-americano. Apesar de nunca ter sido muito popular no Brasil (até onde eu sei), Heron teve uma influência marcante na música negra norte-americana. Por ter começado muito cedo a carreira artística como poeta – dedicando-se muito frequentemente a temas como política, discriminação racial e a vida nos centros urbanos – e carregado uma certa tendência à “spoken word” (performance que mistura poesia e música, geralmente com as “letras” faladas e não cantadas; veja o primeiro vídeo abaixo) em sua produção musical, Heron é considerado por muitos o precursor do rap. Suas canções misturam o balanço do soul com letras contundentes que são verdadeiros ataques à sociedade de consumo, ao superficialismo da mídia e ao preconceito.

Consideravelmente ativo entre os anos 1970 e 1990, o artista passou boa parte da primeira década dos anos 2000 envolvido em problemas com a lei decorrentes de posse de drogas. Em 2010, depois de um hiato de 16 anos, como num renascimento das cinzas, Heron lançou o sombrio e moderníssimo “I’m New Here“. O disco conquistou a crítica com sua mistura de atmosferas e batidas pesadas, flertes com a eletrônica, letras confessionais, muita spoken word e vocais rasgados em lamentos (veja o penúltimo vídeo abaixo). Na minha opinião, é um forte candidato a qualquer lista de “Melhores do Terceiro Milênio” até agora, e tem como grande mérito apresentar o trabalho de Gil Scott-Heron para as novas gerações, já que mesmo seu material mais antigo continua atualíssimo. Prova desse apelo atemporal e do diálogo fácil de Heron com um público mais jovem foi o lançamento, já no ano seguinte, de “We’re New Here” álbum produzido por Jamie Smith, da banda indie contemporânea The xx, e composto de remixes das faixas daquele que seria a última obra da vida do poeta maior da black music (ouça um dos remixes no último vídeo deste post).

Que seu som e sua indignação vivam para sempre!

Vídeo da semana – Bob Dylan: 70 anos em 70 fotos

Bob Dylan: Happy 70th Birthday, Mr. Tambourine Man!

Bob Dylan: Happy 70th Birthday, Mr. Tambourine Man!

Hoje, 24/05, é o septuagésimo aniversário do Bob Dylan. Pra homenagear, escolhi como vídeo da semana a colagem especial feita pelo senhor Pedro Lutz, fanático pelo Mr. Tambourine Man que mantém o completíssimo blog Dylanesco (adivinhe sobre o quê). São 70 anos do Dylan ilustrados com 70 fotos da vida do bardo da contracultura (a contra-gosto), ao som de “Workingman’s Blues”, do disco Modern Times, versão ao vivo gravada em 15/06/2010 em Padova, na Itália.

Enjoy!

Time Capsule – The Elegants – “Little Star” (1957)

The Elegants – “Little Star” (1957)

“Where are you little star?

(Where are you?)

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Twinkle, twinkle little star.

How I wonder where you are.

Wish I may, wish I might,

Make this wish come true tonight.

Searched all over for a love.

You’re the one I’m thinkin’ of.

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Twinkle, twinkle little star.

How I wonder where you are.

High above the clouds somewhere,

Send me down a love to share.

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Whoa, uh-oh-oh-oh-oh-oh.

Oh, there you are, high above.

Oh-oh, God, send me a love.

Oh, there you are. lighting up the sky,

I need a love, oh-me, oh-me, oh-my.

Twinkle, twinkle little star.

How I wonder where you are.

Wish I may, wish I might,

Make this wish come true tonight.

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Whoah-oh-oh-woh-oh, ratta-ta-tata, too-oo-ooo.

Oh-ra, ta, ta.

Ooo-ooo-ooo-ooo-ooo-oooooo.

(Oooooooooo.)

There you are little star!!!”

Originais & Originados – Def Leppard x Mariah Carey – “Bringin’ on the Heartbreak”

Def Leppard: you're bringin' on the heartbreak!

Def Leppard: you’re bringin’ on the heartbreak!

A combinação de original e versão mais bizarra de todos os tempos? Uma música da banda de hard rock farofa do baterista de um braço só – Def Leppard – tocada pela Mariah Carey, com o DAVE NAVARRO na guitarra. It doesn’t get any better than this…

ORIGINAL – DEF LEPPARD (1981)

ORIGINADA – MARIAH CAREY (2002)