Da estante: Risk (1999), Megadeth

Capa do álbum Risk (1999) do Megadeth: o título já previa que o trabalho dividiria opiniões

Capa do álbum Risk (1999) do Megadeth: o título já previa que o trabalho dividiria opiniões

Aproveitei a notícia de que o Megadeth vem de novo ao Brasil para estrear essa nova seção justamente com um disco que – não sei bem por quê – eu andei ouvindo bastante, de novo, na última semana. A ideia aqui, antes que eu me esqueça, é compartilhar a história de discos que não são necessariamente clássicos (mas que podem ser, também), mas que tenham alguma importância para a história da música (ou para a minha própria, é claro).

Bom… Quem conhece o Megadeth já deve saber que a banda, liderada pelo guitarrista e vocalista Dave Mustaine, é uma das precursoras do trash/speed metal junto com o Metallica, de onde Mustaine foi expulso (literalmente) em meados dos anos 1980 por ser chapado demais. Fruto de uma vingança, o Megadeth prosperou entre os fãs do metal e é cânone do estilo até hoje, mesmo sem (ou até por isso mesmo) nunca ter superado o Metallica em popularidade.

Bem. Depois de mais de uma década de existência, algumas mudanças de formação, internações na rehab e de lançar pedradas do calibre de Peace Sells…But Who’s Buying? (1986) e Rust in Peace (1990), o Megadeth se viu em um período de estagnação no final dos anos 1990. Supostamente respondendo a uma provocação do antigo colega de banda, o baterista e chefão do Metallica, Lars Ulrich, que teria dito que Mustaine deveria “se arriscar mais” nas composições, o endiabrado frotman do Megadeth resolveu chutar o pau da barraca.

Em 1999 saiu Risk. O título (“risco”, em português) não poderia ser mais apropriado, já que o álbum trazia músicas muito diferentes dos clássicos do Megadeth. Mustaine e companhia investiram em músicas mais radiofônicas (talvez mirando o sucesso nas FMs de rock), bastante influenciadas pela “mania eletrônica” que se abateu sobre praticamente todas as bandas comercialmente ativas do final dos anos 1990, e muito menos centradas nas suítes instrumentais headbangers do Megadeth de outrora. Por tudo isso, o álbum desagradou muitos fãs antigos da banda, mas também conquistou outros tantos, por ser muito mais palatável para ouvidos destreinados na lida do metal pesado. Foi um fracasso de crítica e público, no entanto. Nem alçou o Megadeth ao estrelato comercial e nem serviu de declaração de amor à legião de adoradores contumazes.

Depois do Risk a formação da banda mudou mais vezes, Mustaine enfrentou problemas nos tendões da mão esquerda que quase o fizeram encerrar a banda e se recuperou, a banda voltou ao som pesado e continuou fazendo turnês e gravando. O álbum “diferentão” ficou perdido na história, e praticamente nenhuma de suas músicas foi tocada ao vivo na história recente. Um patinho feio na história do Megadeth. Mas (talvez até por isso mesmo) é muito bom!  Confira você mesmo na seleção que o musicólogo preparou (“Wanderlust” é minha preferida)!

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