Originais & Originados – Howard Tate x Janis Joplin – “Get it While You Can”

Howard Tate: uma das vozes mais firmes do soul partiu em dezembro de 2011, tendo emplacado praticamente só um hit

Howard Tate: uma das vozes mais firmes do soul partiu em dezembro de 2011, tendo emplacado praticamente só um hit

Essa aqui vai servir como homenagem póstuma ao mesmo tempo. Howard Tate, uma das vozes mais incríveis do soul, morreu em dezembro de 2011, e Get it While You Can” foi um dos poucos hits que o cara conseguiu emplacar em sua carreira (em 1967). E quase não conseguiu. Foi só depois que Janis Joplin tocou um cover da música que ela foi catapultada para as paradas de sucesso. Tate chegou até a relançar a música em 1969 para aproveitar a visibilidade. Em um vídeo ao vivo da canção ele explica um pouco da história, décadas depois.

É… Só isso não vai bastar pra homenagear esse grande cara. Vou ter que fazer uma Arqueologia sonora pra ele. Aguarde e verá porque, apesar de ter passado meio à beira do sucesso, suas gravações são consideradas das mais sofisticadas da época.

ORIGINAL – HOWARD TATE – GET IT WHILE YOU CAN (1967)

 

ORIGINADA – JANIS JOPLIN – GET IT WHILE YOU CAN (1970)

 

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Novidadeiro – Chairlift

Chairlift: indie pop sintetizado e refrescante (Crédito: Ross Fraser)

Chairlift: indie pop sintetizado e refrescante (Crédito: Ross Fraser)

O Chairlift se formou em 2005, no Colorado, mas vai ser com Something, disco de 2012 (o segundo da carreira), que os caras vão arrebentar – principalmente por causa de Amanaemonesia, que tem um baita potencial pra hit de pista. Formado por Aaron Pfenning, Caroline Polachek e Patrick Wimberly, o trio faz um indie pop que abusa de sintetizadores e outros elementos eletrônicos embalados em uma ambientação meio 1980 (um acento retrô-futurista) com resultados surpreendentemente refrescantes e dançáveis. Something tem belíssimos momentos animados e mais delicados distribuídos na medida – quando você acha que a peteca vai cair, BANG!, você está chacoalhando de novo. O único porém dos moços é que andei vendo umas performances ao vivo e eles parecem mesmo funcionar mais no estúdio que nos palcos. Mas posso estar enganado.

O vídeo da supracitada Amanaemonesia (abaixo) poderia inclusive estar na seção Vídeo da semana deste blog. Vou dar um toque pro musicólogo, quem sabe ele compra a ideia… No mais, ouça antes que comecem a inundar seu news feed do Facebook com vídeos dos caras. Você vai ter condições de falar que já conhecia. Pode me agradecer depois.

Vídeo da semana – The GAG Quartet, Le Internet Medley

The GAG Quartet: transformando memes em música

The GAG Quartet: transformando memes em música

Esse vídeo surgiu no final de 2011 e acertou em cheio os fãs ávidos de sites como 9GAG e Rage Comics. Em quase 4 minutos de um vídeo extremamente bem editado e produzido, os caras do The GAG Quartet (que são um trio, na verdade) citam mais de 40 memes de internet ao som de um medley maluco e muito bem executado tecnicamente. Uma pena não haver muitas informações sobre os caras por aí. Diversão pura em tempos de internet como meio absoluto.

Arqueologia sonora – Roy Orbison

Roy Orbison: o "maior cantor de todos os tempos" segundo Elvis Presley

Roy Orbison: o "maior cantor de todos os tempos" segundo Elvis Presley

Uma pena que o cara que o “rei” em pessoa, Elvis Presley, definiu como “o maior cantor de todos os tempos” ainda seja conhecido basicamente pela música “Pretty Woman” (trilha do filme “Uma Linda Mulher“). A carreira de Roy Orbison está repleta de músicas lindas e de uma carga dramática incomparável. Ironicamente, Roy morreu do coração, em 1988. Mas sua obra continua viva e irrepreensível.

Da estante – Some Time in New York City (1972), John Lennon & Yoko Plastic Ono Band

Some Time in New York City: disco extremamente político e subestimado de John Lennon

Some Time in New York City: disco extremamente político e subestimado de John Lennon

Só pode ser a birra com a Yoko. De que outra forma um disco tão foda pode ser tão subestimado até hoje? Sometime in New York City, lançado em 1972, é o terceiro disco de John Lennon depois da separação dos Beatles, e um dos mais políticos (talvez O mais) de sua carreira. Auge da parceria entre Lennon e sua mulher Yoko Ono, o álbum traz composições angustiadas e explicitamente anti-status quo (um reflexo da época conturbada em que John lutava contra as tentativas de sua deportação dos EUA, promovidas pelo governo Nixon). Obviamente que é preciso ter um paladar musical mais maduro para entrar na vibe gritona de Yoko, principalmente no lado mais experimental do disco. However, Sometime in New York City traz lindos e poderosos momentos de rebeldia, como “Born in a Prison” (de Yoko) e a polêmica “Woman is the Nigger of the World” (que chegou a ser banida de muitos lugares pelo uso da “N word”). Definitivamente um trabalho digno de um ex-Beatle, principalmente se tratando de John Lennon, o mais interessante entre o quatro rapazes de Liverpool.

Originais & Originados – Britney Spears x Yaël Naïm x A Static Lullaby – “Toxic”

Britney Spears: bons hits pop são sempre maleáveis

Britney Spears: bons hits pop são sempre maleáveis

Tenho uma teoria sobre a música pop. E uma teoria que a seção Originais & Originados deste blog vive comprovando: boas músicas pop, melhor, boas composições pop, serão sempre boas, independente do formato ou estilo em que são gravadas. Tome-se como exemplo “Toxic”, gravada originalmente pela Britney Spears antes do inferno astral vivido pela cantora. Pode-se odiar moça e tudo que ela grava, mas não dá pra negar que “Toxic” é uma PUTA composição pop. Prova disso são as duas versões que trago aqui – e que não poderiam ser mais diferentes entre si e da original. A cantora franco-israelense Yaël Naïm transformou a canção num lamento jazzístico e sedutor. Já a banda de post-hardcore A Static Lullaby deu a ela uma cara festiva e pesada (notem as inúmeras citações à Britney nas modelos usadas no clipe oficial). Enfim, um bela música pop. Ponto.

ORIGINAL – BRITNEY SPEARS – TOXIC (2004)

 

ORIGINADA – YAËL NAÏM – TOXIC (2007)

 

ORIGINADA – A STATIC LULLABY – TOXIC (2008)

Novidadeiro – The Softlightes

The Softlightes: indie rock, folk e eletrônica suave, suave

The Softlightes: indie rock, folk e eletrônica suave, suave

Topei com esses moços aí outro dia. Bons meninos. Fazem uma misturinha boa de indie, folk e eletrônica. Praticamente impossível descobrir qualquer coisa sobre eles (por enquanto) na web. No MySpace da banda diz que eles são de Los Angeles. O último disco, Captain Broken Heart Fights the Infinite Summer (2011), deve catapultá-los para o sucesso. Coloquei aí embaixo duas músicas que mostram os dois lados bem distintos da banda. Uma mais folk e bonitinha, e a outra mais pegada, eletrônica (mas igualmente melosinha). Ouça antes que chegue o hype!