Da estante – Radio K.A.O.S. (1987), Roger Waters

Radio K.A.O.S. (1987): Roger Waters enfrentando a estética oitentista pouco depois da cisão do Pink Floyd

Radio K.A.O.S. (1987): Waters enfrentando a estética oitentista pouco depois da cisão do Pink Floyd

Vamos aproveitar que Roger Waters está passando pelo Brasil com a nova e tardia turnê (embora indiscutivelmente incrível) do álbum The Wall (1979), do Pink Floyd, para falar de um “clássico-que-não-foi” na carreira solo do baixista e principal mente criativa da banda que deu ao mundo pérolas como Dark Side of the Moon (1973) e Animals (1977), só pra citar algumas.

Em 1987 Waters já tinha saído do Pink Floyd há quatro anos (The Final Cut, de 1983, foi a despedida, praticamente um álbum solo dele assinado e executado pelo Pink Floyd; desde The Wall Waters começava a tomar controle da banda, a contragosto dos demais integrantes, principalmente o – fantástico – guitarrista e – ótimo – vocalista David Gilmour – substituto acidental de Syd Barret na cronologia do Floyd). Em 1984 o músico já tinha debutado sozinho com o interessantíssimo e conceitual The Pros and Cons of Hitch Hiking – que conta, entre outros atrativos, com a participação de Eric Clapton em algumas guitarras e da sempre fabulosa narrativa de Waters. Três anos depois – no supracitado 1987 – em meio a reminiscências judiciais que garantiram a Gilmour, Wright e Mason (os três demais membros do Floyd ) continuar usando o nome da banda – e concomitantemente lançar o álbum A Momentary Lapse of Reason –  Waters botou na praça seu segundo trabalho solo, Radio K.A.O.S..

Seguindo um pouco a linha de The Pros and Cons, o ex-baixista e principal compositor do Floyd gravou um álbum bastante narrativo que contava a história de um garoto – Billy – preso a uma cadeira de rodas que tenta parar a ameaça de uma guerra nuclear (ainda vivia-se a Guerra Fria) usando comunicação por ondas de rádio. O pano de fundo é um tanto escabroso, mas Roger sabe contar uma história como ninguém, e as oito faixas de Radio K.A.O.S. transitam pelo pop oitentista e pelo rock “inteligente” de forma graciosa e empolgante (na medida do factível). Obviamente uma obra aquém de quase tudo que o Floyd lançou durante a era Waters, e dos demais discos solo do ex-baixista, mas inegavelmente um registro bastante interessante de um gênio do rock em busca – à época – de seu lugar no mundo da música.

Originais & Originados – Fleetwood Mac x The Corrs – “Dreams”

Fleetwood Mac: thunder only happens when it's raining

Fleetwood Mac: thunder only happens when it’s raining

É aquela velha história: quando a música é boa fica difícil estragar. Até mesmo quando cai nas mãos de uma banda que é tipo uma Família Lima irlandesa. Mais de 20 anos depois da versão original, o The Corrs pegou “Dreams“, dos ingleses do Fleetwood Mac e devolveu ao clássico do pop/blues-rock o seu potencial radiofônico. Ainda prefiro a original. E você?

ORIGINAL – FLEETWOOD MAC – DREAMS (1977)

ORIGINADA – THE CORRS – DREAMS (1998)

Novidadeiro – Grimes

Grimes: indie eletrônico com a cara da música de hoje

Grimes: indie eletrônico com a cara da música de hoje

Eu tinha outra pauta pra hoje, mas o musicólogo me encheu tanto o saco com essa garota que tive que mudar meus planos. Bem, a mocinha aí da foto é a canadense Claire Boucher, mais conhecida como Grimes. Com apenas 23 anos de idade ela é mais nova sensação do universo indie/eletrônico lá fora, e aos poucos começa a conquistar o gosto dos novidadeiros brasileiros.

Na ativa desde pelos menos 2011 ela acaba de lançar seu quarto álbum, Visions (2012; 4AD), em que amadurece o estilo desenvolvido nos trabalhos anteriores: um dream pop carregado de sintetizadores e efeitos vocais, emoldurado por batidas eletrônicas fortes – e muitas vezes extremamente dançantes – a “cara” da música pop de hoje.

Talvez o mais surpreendente, dada a qualidade do som, seja descobrir que a moça faz tudo sozinha – ao menos ao vivo, ocasiões em que pilota uma aparelhagem cheia de traquitanas eletrônicas e um microfone para canalizar sua voz lírica e meio alienígena.

Ah, o musicólogo mandou avisar que “desde o Broadcast” ele não se surpreende tanto com um som. Descubra o motivo a seguir.

Novidadeiro – Regina

Regina: trio de indie pop finlandês é a trilha sonora perfeita pra sonhar acordado

Como a bela imagem aí de cima demorou uma década pra carregar, vou ser econômico nas palavras. Regina é um trio de indie/dream pop finlandês que descobri esses dias, quando baixei o último disco deles, Soita Mulle, de 2011. Embora eu não entenda nada de finlandês, isso não me impediu de apreciar o som deles, que se parece bastante com um Cocteau Twins mais acelerado.

A voz onírica da vocalista Iisa Pykäri é o grande destaque aqui, e uma das principais razões de a língua não ser uma barreira pra curtir as nove faixas viajantes de Soita Mulle, que é o quinto álbum do Regina (o primeiro, Amorosa, é de 2002). Mas chega de papo. Ouça e relaxe…