Vídeo da semana – Nirvana ao vivo na TV em 1990

Nirvana ao vivo: na TV em Olympia (1990)

Nirvana ao vivo: na TV em Olympia (1990)

Eis algo para os saudosistas dos anos 1990: filmagem completa do Nirvana tocando ao vivo pra um canal de TV de Olympia (Washington, EUA), cidade próxima a Seattle (berço do grunge), em 1990. O vídeo capta toda a energia da banda antes do sucesso estrondoso de Nevermind (1991). Várias músicas do Bleach (1989), debute fonográfico do trio, e algumas composições que apareceriam no Nevermind. Coisa fina. Vi no Trabalho Sujo.

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Arqueologia sonora – The Platters

The Platters: o elo perdido entre o doo-wop e o rock n' roll

The Platters: o elo perdido entre o doo-wop e o rock n’ roll

O que dizer de um grupo como The Platters? Eles são o elo perdido entre o doo-wop/R&B e o rock n’ roll. Duvide de qualquer um que não se emocionar ouvindo um dos clássicos deles. E chega de conversa – vamos ouvir e nos arrepiar com o sons atemporais desse conjunto vocal que tem seu lugar garantido no espaço-tempo, seja qual for a época.


Da estante – The Final Cut (1983), Pink Floyd

The Final Cut: o último álbum do Pink Floyd com Roger Waters sofreu bastante com a birrinha da mídia e dos "fãs"

The Final Cut: o último álbum do Pink Floyd com Roger Waters sofreu bastante com a birrinha da mídia e dos “fãs”

The Final Cut (1983) é o 12° e último álbum do Pink Floyd com Roger Waters (baixista, vocalista e compositor) à frente da banda. Depois dele – e de uma atribulada disputa judicial pela continuidade do grupo -, a banda – a partir de então liderada pelo guitarrista/vocalista David Gilmour -, viria a lançar um novo trabalho somente em 1987 (A Momentary Lapse of Reason). Para quem, como eu, acredita que o “verdadeiro” Pink Floyd existiu somente até a saída de Waters, The Final Cut é uma despedida melancólica, caótica e subestimada de uma das maiores bandas de todos os tempos.

Pegando carona na veia autobiográfica (de Waters, principal compositor da banda à época) e antibélica de The Wall (1979; Waters perdeu seu pai na II Guerra Mundial), The Final Cut leva a narrativa para um dos mais despropositados conflitos ocidentais de que se tem notícia – a Guerra das Malvinas, entre Inglaterra (terra natal do Floyd) e a Argentina. É fato que neste momento da história do Pink Floyd Waters já atuava com mão de ferro, conduzindo de forma absoluta os rumos estéticos e temáticos do grupo, e relegando os demais membros quase à condição de instrumentistas contratados (o tecladista Richard Wright, membro fundador da banda, já havia, inclusive, sido demitido por Waters e recontratado como músico de estúdio). Talvez por isso The Final Cut, com sua evidente inclinação conceitual – quase como uma ópera -, tenha sido recebido de forma tão fria pela crítica e pelos fãs da “instituição” Floyd.

Realmente, The Final Cut tem muito mais a ver com uma narrativa construída através das letras cheias de referências e das paisagens sonoras idealizadas por Waters do que com a música “de conjunto” (porém igualmente conceitual) gestada para álbuns como The Dark Side of the Moon (1973) ou Wish You Were Here (1975). Mas, na minha opinião, o álbum não deve ser encarado em comparação com a obra anterior do Floyd, e sim como um novo – e não menos interessante – rumo que a banda poderia ter tomado. No mínimo, é uma introdução ao trabalho que Waters viria a desenvolver em sua carreira solo (mais uma vez, em minha opinião, algo muito mais interessante do que o foi feito pelo “novo” Pink Floyd liderado por Gilmour). E, afinal, é simplesmente uma bela obra. Então, vamos curtir!



Originais & Originados – The Ohio Players x Red Hot Chili Peppers – “Love Rollercoaster”

Ohio Players: lenda urbana e versão tardia que foi parar no filme de Beavis and Butt-head

The Ohio Players: lenda urbana e versão tardia que foi parar no filme de Beavis and Butt-head

Essa história é das mais divertidas. “Love Rollercoaster” foi um hit do álbum Honey (1975), da banda norte-americana de funk/soul The Ohio Players. E tanto o disco quanto a música foram motivo de polêmicas que começaram à época do lançamento e persistem até hoje. O primeiro por trazer uma capa com uma mulher nua derramando mel (“honey”) sobre seu corpo, e a última por ser protagonista de uma das lendas urbanas mais bizarras e persistentes da história da música até hoje: dizem as más línguas que o grito que pode ser ouvido entre 2:32 e 2:36 da faixa abaixo seria de uma pessoa sendo assassinada (!) durante as gravações. A  história oficial dá conta de que o “vocal” na verdade foi gravado pelo tecladista e compositor da banda, Billy Beck, mas até hoje o trecho é motivo para discussões.

Bem mais amena é a história da versão. Repaginada em 1996 (mais de 20 anos depois da original) pelo Red Hot Chili Peppers, a música foi gravada sob encomenda para a trilha do longa-metragem da dupla de desenho animado da MTV Beavis and Butt-head (Beavis and Butt-head do America; 1996). Com poucas diferenças com relação à original – incluindo trechos meio “rap” do vocalista Anthony Kiedis, que canta o tempo todo com um efeito de megafone -, a faixa – que, OBVIAMENTE, ganhou um clipe bastante popular na MTV à época – é uma releitura no mínimo divertida cujo maior mérito foi apresentar The Ohio Players (e todas as suas polêmicas) para gerações mais novas.

ORIGINAL – THE OHIO PLAYERS – LOVE ROLLERCOASTER (1975)

 

ORIGINADA – RED HOT CHILI  PEPPERS – LOVE ROLLERCOASTER (1996)

Novidadeiro – alt-J (∆)

alt-J (∆): nome nerd e incenso precoce da mídia especializada

alt-J (∆): nome nerd e incenso precoce da mídia especializada

Ok, ok. Primeiro preciso dizer que muita gente já anda falando do alt-J (∆) pelo menos desde maio desse ano. É que, com as férias que o musicólogo resolveu tirar deste blog (sem avisar ninguém, diga-se de passagem), eu perdi a oportunidade de falar em primeira mão desse quarteto inglês que, com/antes mesmo de seu debute, An Awesome Wave (junho de 2012), provocou uma das maiores rasgações de seda da mídia indie-especializada desde, digamos, The Rapture. E tudo isso, frise-se, apenas com um álbum de pouco menos de 50 minutos de duração (incluindo aí a já manjada “hidden track”).

Levando o nome de um atalho de Mac (a combinação das teclas “Alt” e “J”, que resulta em um triângulo; dá pra ser mais indie/hipster/nerd/geek do que isso?), o alt-J (∆) faz um som diferentão do que costuma-se ver nas listas do NME, por exemplo, e bem acima da média. A mistura estranha, porém melodiosa, de folk, indie rock e corais quase religiosos é um golpe de ar fresco pra quem procura por sonoridades diferentes – destacando-se aí, além da bela instrumentação, os vocais exóticos do frontman Joe Newman. Já ouvi por aí que os caras JÁ (é, JÁ) estão sendo comparados com o Radiohead. Bom, além de dizer que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, fica a esperança de que o hype não arruíne MAIS UMA bela promessa de inovação.

Chega de papo e vá ouvir o som! Começando por “Breezeblocks”, cujo clipe (que vi no ótimo MúsicaPavê) me chamou a atenção – e me fez conhecer a banda – com seu enredo de trás pra frente e desfecho/início impressionante.