Da estante – Born Again (1983), Black Sabbath

O Black Sabbath em 1983 com Ian Gillan (segundo da esq. para a dir.) e Bev Bevan (Electric Light Orchestra), este último substituindo o baterista original Bill Ward: um "supergrupo" que desapontou

O Black Sabbath em 1983 com Ian Gillan (2° da esq. para a dir.) e Bev Bevan (primeiro à esq.; Electric Light Orchestra), este último substituindo o baterista Bill Ward: um “supergrupo” improvável

Born Again (1983): disco que teria causado a separação do Black Sabbath foi malhado pela crítica e transformado em clássico cult pelos fãs

Born Again (1983): disco que teria causado a separação do Black Sabbath foi malhado pela crítica e transformado em clássico cult pelos fãs

Lançado em 1983 por um Black Sabbath que há cinco anos não contava com Ozzy Osbourne em sua formação e que já se distanciava quase uma década de seu último trabalho a ser considerado uma unanimidade (Sabotage, de 1975), Born Again, décimo primeiro disco de estúdio da banda inglesa,  tem uma história pra lá de improvável e é até hoje considerado tanto um dos maiores micos da história do hard rock/heavy metal a ser registrado em estúdio quanto um grande exemplar do(s) estilo(s).

Antes mesmo de ser gravado, o álbum fez ressurgir a esperança em muitos dos já desacreditados – e cada vez mais raros, à época – fãs do Sabbath, afinal, o guitarrista e manda-chuva da banda, Tonny Iommi – que no passado recente já havia recrutado Ronnie James Dio para os vocais -, contratou o então ex-frontman do Deep Purple, Ian Gillan, pra se juntar ao que restava da formação original e segurar a bronca no microfone  – alguém aí disse “supergrupo”? O intervalo de dois anos com relação ao último registro de estúdio – o mais que aceitável Mob Rules (1981; ainda com Dio) – também podia ser encarado como um sinal auspicioso.

No entanto, nem a aliança improvável com Gillan, nem o tempo para Iommi botar a cabeça no lugar parecem ter ajudado Born Again a cair nas graças da imprensa especializada. O disco foi recebido com frieza e até certa jocosidade por inúmeros críticos, que chegaram a classificar o lançamento como “decepcionante” e “embaraçoso”. E, a essa altura, a controversa capa escolhida para o disco – um bebê demônio – também não foi de grande ajuda – a arte, criada pelo artista Steve ‘Krusher’ Joule, desagradou até  Ian Gillan e chegou a ser escolhida como uma das “30 capas mais doentias” pelo semanário de música NME.

Apesar de tudo, Born Again foi um sucesso de vendas – atingindo a melhor colocação comercial de um disco do Sabbath no Reino Unido (#4) desde Sabbath Bloody Sabbath (1973) e o Top 40 nos EUA – e se tornou uma espécie de clássico cult entre os fãs. Relevando-se a a produção meio confusa – que jogou o baixo “na cara do ouvinte” enquanto ressaltou exageradamente os agudos do vocal e “enterrou” demais a guitarra – e a evidente falta de inspiração em algumas faixas, é preciso dizer que o álbum trazia, sim, genuínos – ainda que exóticos, em certa medida, pela combinação Sabbath/Ian Gillan – exemplares de hard rock pesado e sombrio que, mesmo não soando exatamente como o Black Sabbath de outrora, tinham qualidade e carisma particulares. Cá pra nós, a onírica e gritona faixa-título e a vibrante “Keep It Warm”, que encerra o álbum, estão entre as minhas músicas preferidas produzidas pelo Sabbath.

O êxito comercial, no entanto, parece não ter sido, na época, o suficiente para a banda. Muitos consideram Born Again a razão pela qual o Black Sabbath se separou (sobrando apenas Iommi para carregar o nome), durante um período considerável após 1984, na sequência da turnê de divulgação do disco – que contou com a participação de Gillan e de Bev Bevan, baterista do Electric Light Orchestra, substituindo Bill Ward, membro original que gravou em estúdio mas não pode excursionar por motivos de saúde.

Até hoje Born Again é motivo de debate. Embora seja considerado pelo próprio Ian Gillan “o pior disco da minha vida“, o  álbum ainda desperta tanto interesse na audiência ao redor do globo (incluindo o Brasil) que foi relançado em CD duplo em 2001. Nada mal pra um registro “embaraçoso”.

BÔNUS: Ian Gillan, Tonny Iommi e outros envolvidos falam sobre Born Again

Uma resposta para “Da estante – Born Again (1983), Black Sabbath

  1. Comprei o vinil importado dos “Estates” por 120 pila, botei pra rodar na vitrola; a agulha começa a “pular” em 3 faixas. A edição em vinil esta fora de catalogo ha uma eternidade!!!

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