Da estante – October Rust (1996), Type O Negative – Trilha sonora perfeita para a “depressão outonal”

Type O Negative: "goth rock" atmosférico com a cara da estação

Type O Negative: “goth rock” atmosférico com a cara da estação

October Rust (1996): a trilha sonora perfeita para a "depressão outonal"

October Rust (1996): a trilha sonora perfeita para a “depressão outonal”

Como hoje (20/03/13) é o último dia do verão, resolvi revisitar o álbum que considero, até hoje, a trilha sonora perfeita para a “depressão outonal” que pode acometer os incautos durante a estação em que as folhas caem, o tempo esfria e a mente divaga por paisagens bem menos exuberantes – aquela tristezinha incontrolável que pode se instalar na passagem da época mais quente e solar do ano para aquilo que, na prática, vai ser uma longa e contemplativa introdução ao inverno.

Pra começar, October Rust (1996), quarto álbum da banda de “goth rock” Type O Negative, já carrega em seu título uma tradução impressionista da estação (Ferrugem de Outubro, em português, pinta muito bem a imagem das folhas cadentes alaranjadas do mês de outubro – o “pico” do outono no Hemisfério Norte, que é de onde a banda vinha [EUA, mais especificamente]). Além do que, para sustentar a minha tese, todo o clima do disco parece conversar muito eloquentemente com os efeitos emocionais dessa passagem de estações sobre nós, a porção humana que habita o globo terrestre.

Lançado cinco anos após o primeiro registro da banda, o álbum parece vagar com certa tranquilidade pelos terrenos desbravados primeiro pelo ótimo e controverso Bloody Kisses (1993), trabalho imediatamente anterior do “Type O” que colocou definitivamente a turma de Peter Steele – o gigantesco e soturno baixista/vocalista/compositor morto em 2010 por uma parada cardíaca mal-explicada – no mapa do rock/metal alternativo e/ou “gótico” mundial. Porém, enquanto Kisses parecia compor uma ambientação eminentemente urbana dark (um sarau elétrico regado a vinho tinto no cemitério parece definir bem), October Rust expande, de certa forma, os limites da poesia romântica e trágica de Steele e o som atmosférico e gélido da banda em uma direção mais bucólica e pagã, chegando a pontos escondidos de bosques forrados de folhas secas onde o arcadismo encontra sua faceta mais existencialista.

Munido da comparação acima, prepare-se para encontrar o som arrastado e dramático – às vezes flertando com a  eletrônica – típico do que se acostumou a entender por  Type O Negative em um habitat ligeiramente ligeiramente diferente do comum. Em uma aclimatação bastante adequada para o outono que vem por aí, eu diria. Dê o PLAY (dessa vez coloquei o disco inteiro para audição, para facilitar o entendimento da sensação) e prepare-se para sobreviver – ainda que melancolicamente – à nova estação.

OCTOBER RUST (1996), TYPE O NEGATIVE – FULL ALBUM

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