Resenha – The Strokes, Comedown Machine (2013)

The Strokes: apesar do estranhamento, nada mais natural do que ver a banda escalando a pedregosa parede da evolução musical

The Strokes: apesar do estranhamento, nada mais natural do que ver a banda escalando a pedregosa parede da evolução musical

Comedown Machine (2013): só por desafiar frontalmente e com tanto desprendimento os parâmetros anteriormente estabelecidos por eles mesmos, os Strokes merecem aplausos genuínos, e uma efusiva recomendação para que se ouça o álbum com carinho e cabeça aberta

Comedown Machine (2013): só por desafiar frontalmente e com tanto desprendimento os parâmetros anteriormente estabelecidos por eles mesmos, os Strokes merecem aplausos genuínos, e uma efusiva recomendação para que se ouça o álbum com carinho e cabeça aberta

Quando “One Way Trigger” vazou na web, pouco depois de o The Strokes anunciar que estava preparando o seu quinto álbum de estúdio, muita gente achou que era piada. “Que porra é essa?”, deve ter pensado boa parte do contingente de fãs do quinteto novaiorquino que conquistou os indies com seu revival de post-punk e new wave no começo dos anos 2000. Afinal, a faixa soava como um “carimbó” ou “axé” alternativo (como li por aí), completamente impregnado de um clima eletrônico meio oitentista e, em certa medida, dançante, remetendo, de várias formas, ao debute solo do vocalista Julian Casablancas (Phrazes for the Young; 2009).

E quando o álbum completo finalmente vazou na web (Comedown Machine; RCA; data de lançamento oficial para 26 de março de 2013), o desespero se agravou. “O que é isso? Onde está o Strokes que aprendemos a amar? O que significa tudo isso?”, parecem ter sido as perguntas que ecoaram pelas cabeças da base de fãs ardorosos da banda. Realmente (e analisando na condição de alguém que nunca ligou muito para a banda), o disco parece representar um grupo em plena fuga alucinada de sua própria zona de conforto. E, na minha modesta opinião, isso é muito bom! Arrisco dizer que esse é o melhor movimento que a banda poderia escolher nessa altura do campeonato.

Veja bem: se há mais de 10 anos o grupo ganhou fama emulando (competentemente, que fique claro) uma sonoridade de pelos menos três décadas antes – temperando, evidentemente, o  resultado com personalidade própria – nada mais natural do que ver, agora, a banda escalando a pedregosa parede da evolução musical e situando-se, de certa forma, em algum lugar esquecido dos anos 1980. Assim, Comedown Machine parece ser um retrato contemporâneo dos Strokes olhando para trás, mas claramente a partir de um ponto de vista que também avançou no tempo.

Analisando friamente, o álbum – que começa com a excelente “Tap Out” [uma das melhores canções do ano até agora, arrisco] – não é muito mais do que regular, apesar dos méritos já citados. De qualquer forma – e o amigo apreciador genuíno de música há de concordar -, só por desafiar frontalmente e com tanto desprendimento os parâmetros anteriormente estabelecidos por eles mesmos, os Strokes merecem aplausos genuínos, e uma efusiva recomendação para que se ouça Comedown Machine com carinho e cabeça aberta – dá pra escutar na íntegra aqui. Se você nunca foi fã, a chance de gostar é ainda maior, anote aí.

E que eles continuem escalando!

3 respostas para ‘Resenha – The Strokes, Comedown Machine (2013)

  1. Até que enfim alguém de mente aberta e não órfão do Is This It! Ótima resenha, concordo plenamente com seus comentários. O que me leva a crer que vc tb curte muito o excelente Angles, certo?

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