Originais & Originados – Fatboy Slim x Vários – “The Rockafeller Skank” (1998)

Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim: seu primeiro grande hit, "The Rockafeller Skank", é um "cozidão" de músicas do passado

Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim: seu primeiro grande hit, “The Rockafeller Skank”, é um “cozidão” de músicas do passado

Temos aí um belo exemplo da cultura do sampler e de como o fortalecimento do gênero eletrônico nos mostrou novas formas de encarar o ato de fazer música. A discussão é longa e complexa, mas não pretendo entrar nela agora – quem sabe um dia? A intenção aqui é só entreter e informar usando mais esse episódio da história do pop. E vamos a ele!

Em 1998 o músico e DJ inglês Norman Cook, mais conhecido pelo nome artístico Fatboy Slim, ganhou o mundo com seu segundo álbum, You’ve Come a Long Way, Baby. A mistureba de estilos amarrada pela produção eminentemente eletrônica presente no disco conquistou as massas de todo o mundo com o potencial dançante e despreocupado de suas 11 faixas. Mas, apesar da qualidade geral do trabalho, foi a escalafobética “The Rockafeller Skank” (segunda do álbum) que catapultou Cook para o sucesso comercial absoluto. Lembro que na época era difícil definir onde diabos encaixar aquele som que misturava – em pleno ocaso da década de 1990 – guitarras rockabilly/surf music e vocais hip hop reconstruídos na base do sampler num contexto absolutamente dançante (veja o clipe oficial da música na sequência).

Apesar do estranhamento inicial, o som do DJ logo botou muita gente pra chacoalhar (deve funcionar na pista até hoje) e foi o primeiro degrau para uma extremamente bem sucedida trajetória que hoje conhecemos muito bem. Até aqui, nenhuma novidade (exceto que talvez você não soubesse o nome verdadeiro do Fatboy). Agora vamos à parte interessante.

No fim das contas, apesar de “The Rockafeller Skank” ser – sem sombra de dúvidas – uma obra original (principalmente considerando-se a época em que foi lançada), fruto do talento e do trabalho de Fatboy Slim, a música também não deixa de ser, simplificando – e muito -, uma “mera’ reconstrução de um punhado de outras canções, habilmente combinadas de forma a se tornarem um “novo” produto.

Destrinchando, a música de 1998 não apresenta nada de novo além de trechos de:

– “Vinyl Dogs Vibe” (1997), dos Vinyl Dogs com participação de Lord Finesse, de onde Fatboy tirou os vocais que repetem exaustivamente os versos “Right about now / The funk soul brother, check it out now“;

– “Sliced Tomatoes” (1972), modesto hit sulista do duo norte-americano Just Brothers, que se revela basicamente o recheio instrumental do som de Norman Cook.

Além dessa combinação básica, que é a espinha dorsal da música, ainda temos detalhes menores pinçados de:

– “I Fought the Law” (1965), de The Bobby Fuller Four, que cedeu uma enérgica e indefectível virada de bateria;

– “Beat Girl – Main Title” (1960), trilha do filme britânico Beat Girl (também de 1960) composta e executada por John Barry, de onde saiu um pedacinho de riff de guitarra carregado nos bends;

– “Peter Gunn” (1986), da banda Art of Noise com participação do guitarrista Duane Eddy, que também “cedeu” uma linha de guitarra.

Pra fechar, um fato interessante: em entrevista concedida em 2006, Fatboy Slim afirma que dividiu igualmente entre os compositores das faixas por ele utilizadas para criar “The Rockafeller Skank” os royalties da música, o que significa que ele não recebeu nenhum centavo de direitos autorais pela canção. Será verdade? Bom, se for, é uma baita (e nobre) exceção no mundo da música pop, onde, atualmente, produtores como Timbaland frequentemente deixam de creditar (que dirá remunerar) os artistas responsáveis pelas músicas que eles sampleiam para criar seus próprios sucessos.

Bom, agora que você conheceu todos os elementos reconfigurados para gerar esse hit contemporâneo, que tal ouvir novamente “The Rockafeller Skank”? Consegue identificar todos os recortes utilizados ali? E qual sua opinião sobre esse tipo de composição? O que você acha da utilização de samplers? Deixe o seu recado nos comentários e vamos abrir esse debate!

Até a próxima, funk soul brother!

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