É ruim, mas eu gosto – 50 Cent, “In Da Club” (2003)

Cena do clipe de "In Da Club", do rapper 50 Cent: além de me levar a uma enorme digressão sócio-cultural sobre o rap, a canção se encaixa perfeitamente na categoria de músicas ruins mas gostáveis

Cena do clipe de “In Da Club”, do rapper 50 Cent: além de me levar a uma enorme digressão sócio-cultural sobre o rap, a canção se encaixa perfeitamente na categoria de músicas ruins mas gostáveis

Pessoalmente, tenho mais do que algumas reservas a respeito da música rap comercial produzida recentemente, especialmente com relação à variante gangsta. Daria pra ficar horas aqui escrevendo por que acho que algumas correntes do rap (especialmente aquela que acabei de citar) acabaram, conscientemente ou não, transformando uma admirável expressão artística da realidade enfrentada por grupos historicamente marginalizados em uma deturpada, surreal e nociva reprodução do ideário que mantém o status quo (o mesmo status quo parcialmente culpado pelo processo de exclusão social desses mesmíssimos grupos marginalizados). No meu ponto de vista, tal apropriação temática da onipresente receita neoliberal de vida por artistas egressos das camadas mais desfavorecidas da população – possibilitada pela veloz lógica do êxito comercial no mundo da música pop -, apesar de plenamente justificável (afinal, vivemos em uma sociedade que rejeita o fracasso e glorifica o êxito – personificado pela capacidade de se ganhar dinheiro e consumir), é, no mínimo, desanimadora do ponto de vista da contribuição sociológica daqueles que “venceram” para com o substrato social do qual emergiram. Bem, como eu disse, é uma conversa longa e polêmica. Vamos pular de uma vez para a parte divertida.

In Da Club” é a música que botou o rapper norte-americano 50 Cent (nascido Curtis James Jackson III) no mapa do rap comercial dos EUA. Presente em seu debute fonográfico Get Rich or Die Tryin’ (2003) [depois desse título, que tal reler o parágrafo anterior?] – lançado e divulgado com ostensiva ajuda dos padrinhos Dr. Dre e Eminem, que inclusive aparecem no clipe da canção (veja abaixo) – a faixa celebra uma luxuosa ida a um nightclub da moda, e o voluptuoso flerte encenado pelo protagonista com o objetivo de seduzir uma bela garota (a tal “shawty”, gíria adaptada de “shorty” [pessoa de baixa estatura, em inglês] repetida várias vezes na letra e que pode se referir a uma mulher bonita). Mais uma vez fica a sugestão de reler o primeiro parágrafo do post.

De qualquer maneira, seja ou não uma contribuição para o estereótipo muitas vezes perpetrado pelos artistas do gangsta rap (diversão, dinheiro, mulheres, armas, drogas, crimes e coisas caras em geral), “In Da Club” é uma gema pop com a cara do nosso tempo (mesmo 10 anos depois): indubitavelmente pobre do ponto de vista musical e lírico (não deixe de dar uma espiada na versão uncensored da música), mas extremamente carregado de uma irresistível vibe sacolejante e divertida. Sem dúvida é ruim, ainda mais se você quiser considerar minhas divagações sócio-culturais, mas, ao mesmo tempo, é inegavelmente boa, especialmente se executada em ambientações “dançantes” diversas.

Acerta o PLAY e deixa isso tudo aí em cima descer pelo sistema digestivo. É a recomendação sincera do musicólogo.

In Da Club – 50 Cent (2003)

Go, go, go, go
Go, go, go shawty
It’s your birthday
We gon’ party like it’s your birthday
We gon’ sip Bacardi like it’s your birthday
And you know we don’t give a fuck
It’s not your birthday!
[Chorus] (2x)
You can find me in the club, bottle full of bub
Look mami I got the X if you into taking drugs
I’m into having sex, I ain’t into making love
So come give me a hug if you into to getting rubbed
[Verse]
When I pull out up front, you see the Benz on dubs
When I roll 20 deep, it’s 20 knives in the club
Niggas heard I fuck with Dre, now they wanna show me love
When you sell like Eminem, and the hoes they wanna fuck
But homie ain’t nothing change, hoe’s down, G’s up
I see Xzibit in the cut hey nigga roll that weed up
If you watch how I move you’ll mistake me for a playa or pimp
Been hit wit a few shells but I dont walk wit a limp
In the hood, in L.A. they saying “50 you hot”
They like me, I want them to love me like they love ‘Pac
But holla in New York them niggas’ll tell ya I’m loco
And the plan is to put the rap game in a choke hold
I’m fully focused man, my money on my mind
I got a mill out the deal and I’m still on the grind
Now shawty said she feeling my style, she feeling my flow
Her girlfriend willin to get bi and they ready to go
[Chorus] (2x)
[Bridge]
My flow, my show brought me the doe
That bought me all my fancy things
My crib, my cars, my pools, my jewels
Look nigga I done came up and I ain’t changed
[Verse]
And you should love it, way more then you hate it
Nigga you mad? I thought that you’d be happy I made it
I’m that cat by the bar toasting to the good life
You that faggot ass nigga trying to pull me back right?
When my joint get to pumpin in the club it’s on
I wink my eye at ya bitch, if she smiles she gone
If the roof on fire, let the motherfucker burn
If you talking bout money homie, I ain’t concerned
I’m a tell you what Banks told me cause go ‘head switch the styleup
If the niggas hate then let ‘em hate
Watch the money pile up
Or we go upside they wit a bottle of bub
They know where we fuckin be
[Chorus] (2x)
[Talking]
(laughing) Don’t try to act like you ain’t know where we beeneither nigga
In the club all the time nigga, its about to pop off nigga

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