Originais & Originados – Mose Allison (1962) x Jorge Drexler (2010) – “I Don’t Worry About a Thing”

O uruguaio Jorge Drexler (à direita) e o norte-americano Ben Sidran (desfocado em primeiro plano): releitura bonita de se ver e ouvir para a canção “I Don’t Worry About a Thing”, de Mose Allison

O uruguaio Jorge Drexler (à direita) e o norte-americano Ben Sidran (desfocado em primeiro plano): releitura bonita de se ver e ouvir para a canção “I Don’t Worry About a Thing”, de Mose Allison

Em 1962, o compositor, cantor e pianista norte-americano de blues e jazz Mose Allison lançava seu 12° álbum e, com ele, uma de suas mais conhecidas canções. “I Don’t Worry About a Thing” (com o opcional subtítulo “Cause nothing’s gonna be alright”) é um belo e animado swing-blues com a cara de seu autor, além de ser uma canção com uma letra (veja ao final do post) quase zen sobre a realidade do mundo em que vivemos (note que, 50 anos depois, o retrato não desbotou quase nada).

Talvez tenha sido justamente por essa aparente atemporalidade da canção que o compositor e cantor uruguaio Jorge Drexler tenha decidido revisitá-la recentemente. Drexler – que ganhou o Oscar de Melhor Canção Original em 2005 por “Al otro lado del río“, trilha do filme Diários de Motocicleta (Walter Salles, 2004); pavorosamente interpretada ao vivo por Santana e pelo ator Antonio Banderas na noite da premiação (afinal, por que a Academia não chamou o próprio uruguaio?) – incluiu “I Don’t Worry About a Thing” também em seu 12° disco (coincidência?), o belíssimo e muito bem acabado Amar la Trama (2010), corajosamente registrado inteiramente em takes ao vivo (os vídeos estão todos disponíveis no canal de Drexler no YouTube).

Em sua nova encarnação, a canção de Mose Allison ganhou uma roupagem ainda mais solta, com uma execução banhada pelas correntes mais “latinas” dos mesmos blues e jazz perpetrados por seu criador original. É coisa bonita de se ver e ouvir – particularmente, essa segunda versão é a que mais me agrada. Ah, importante registrar que Drexler convidou o pianista norte-americano Ben Sidran (que já tocou com Van Morrison, Diana Ross, entre outros) para dar uma graciosa e decisiva forcinha, o que abrilhanta ainda mais a releitura.

Enjoy!

ORIGINAL – MOSE ALLISON – I DON’T WORRY ABOUT A THING (1962) [o vídeo abaixo é uma gravação ao vivo de 1975]

ORIGINADA – JORGE DREXLER (FEAT. BEN SIDRAN) – I DON’T WORRY ABOUT A THING (2010)

Mose Allison – I Don’t Worry About a Thing (1962)

If this life is driving
You to drink
You sit around and wondering
Just what to think
Well I got some consoloation
I’ll give it to you
If I might
Well I don’t worry bout a thing
Cause I know nothings gonna be alright

You know this world is just one big 
Trouble spot because
Some have plenty and 
Some have not
You know I used to be trouble but I finally 
Saw the light
Now I don’t worry bout a thing
Cause I know nothings gonna be alright

Don’t waste you time trying to 
Be a go getter
Things will get worse before they 
Get any better
You know there’s always somebody playing with 
Dynamite
But I don’t worry about a thing 
Cause I know nothing’s gonna be alright

Anúncios

Time capsule – Little Eva – “The Locomotion” (1962)

Little Eva (1962): Do the Locomotion!

Little Eva (1962): Do the Locomotion!

 

Little Eva – The Locomotion (1962)

Everybody’s doin’ a brand-new dance, now
(Come on baby, do the Loco-motion)
I know you’ll get to like it if you give it a chance now
(Come on baby, do the Loco-motion)
My little baby sister can do it with me;
It’s easier than learning your A-B-C’s,
So come on, come on, do the Loco-motion with me.
You gotta swing your hips, now. Come on, baby.
Jump up. Jump back. Well, now, I think you’ve got the knack.
Now that you can do it, let’s make a chain, now.
(Come on baby, do the Loco-motion)
A chug-a chug-a motion like a railroad train, now.
(Come on baby, do the Loco-motion)
Do it nice and easy, now, don’t lose control:
A little bit of rhythm and a lot of soul.
So come on, come on, do the Loco-motion with me.
Move around the floor in a Loco-motion.
(Come on baby, do the Loco-motion)
Do it holding hands if you get the notion.
(Come on baby, do the Loco-motion)
There’s never been a dance that’s so easy to do.
It even makes you happy when you’re feeling blue,
So come on, come on, do the Loco-motion with me

Originais & Originados – Wayne Cochran / Arthur Alexander (1962) x Pearl Jam (1999) – “Last Kiss” / “Soldier of Love (Lay Down Your Arms)”

Pearl Jam: versões "beneficentes" para canções de 1962 acabaram se tornando grandes hits da carreira da banda

Pearl Jam: versões “beneficentes” para canções de 1962 acabaram se tornando grandes hits da carreira da banda

Além de todas as propriedades das grandes canções que costumo citar na seção Originais & Originados deste blog, há ainda o fator “impulsionador” de carreira. Incontáveis artistas dos mais diferentes calibres e gêneros já recorreram a versões matadoras (ou nem tanto) de boas composições (quase sempre para um geração totalmente diferente da que escutou a original) para se lançar no mundo da música ou mesmo voltar do ostracismo comercial. Não estou dizendo que é exatamente esse o caso do Pearl Jam, até porque a história em questão se deu em um contexto absolutamente louvável. Mas, que ajudou a banda emérita da cena de Seattle a se manter em evidência durante um período consideravelmente árido, ajudou. Bem, relembremos:

Em junho de 1999, pouco tempo depois de lançar o inconstante Yeld e o registro ao vivo – inócuo em termos de discografia – Live on Two Legs, ambos de 1998, o Pearl Jam participou do No Boundaries: A Benefit for the Kosovar Refugees, disco beneficente lançado pela Epic Records para ajudar a levantar fundos para os refugiados albaneses da Guerra do Kosovo e que contou com músicos como Peter Gabriel, Neil Young, Rage Against the Machine entre outros. A participação da banda de Eddie Vedder, única a figurar duas vezes no álbum, consistiu em uma dupla de regravações de canções de 1962, ambas disponibilizadas ainda no Natal do ano anterior como um single especial para o fã-clube do grupo.

E as músicas escolhidas pelo PJ para contribuir – belas e encorpadas revisões de “Last Kiss“, de autoria do blueseiro branco Wayne Cochran (que havia ficado famosa mesmo só em 1964, com a versão de J. Frank Wilson and the Cavaliers) e “Soldier of Love (Lay Down Your Arms)“, do soulman Arthur Alexander (gravada também por ninguém menos que os Beatles – fãs confessos de Alexander – em 1963) – acabaram se tornando as faixas de maior sucesso do álbum, atraindo inegável atenção para a situação dos refugiados, mas também garantindo presença radiofônica maciça para a banda (até hoje é possível, ocasionalmente, topar com uma delas nas madrugadas das FMs mundo afora) e se consolidando, curiosamente (pelo contexto), como dois dos principais hits da carreira de um dos maiores expoentes do bom e velho grunge.

Mas, chega de papo! Hora de se jogar de ouvidos abertos em mais esse mergulho pela – muitas vezes cíclica – história da música pop.

ORIGINAL – WAYNE COCHRAN – LAST KISS (1962)

ORIGINADA – PEARL JAM – LAST KISS (1999)

ORIGINAL – ARTHUR ALEXANDER – SOLDIER OF LOVE (LAY DOWN YOUR ARMS) (1962)

ORIGINADA – PEARL JAM – SOLDIER OF LOVE (LAY DOWN YOUR ARMS) (1999)

Time capsule – Peter, Paul and Mary – “If I Had a Hammer” (1962)

Peter, Paul and Mary em 1962: uma das melhores versões da canção "If I Had a Hammer"

Peter, Paul and Mary em 1963: uma das melhores versões da canção “If I Had a Hammer”

Essa versão – ao vivo em 1963, estúdio em 1962 – é tão boa que qualquer hora ela entra em um Originais & Originados sobre a canção.

Peter, Paul and Mary – “If I Had a Hammer” (1962)

If I had a hammer,
I’d hammer in the morning
I’d hammer in the evening,
All over this land 

I’d hammer out danger,
I’d hammer out a warning,
I’d hammer out love between my brothers and my sisters,
All over this land. 

If I had a bell,
I’d ring it in the morning,
I’d ring it in the evening,
All over this land 

I’d ring out danger,
I’d ring out a warning
I’d ring out love between my brothers and my sisters,
All over this land. 

If I had a song,
I’d sing it in the morning,
I’d sing it in the evening,
All over this land 

I’d sing out danger,
I’d sing out a warning
I’d sing out love between my brothers and my sisters,
All over this land. 

Well I got a hammer,
And I got a bell,
And I got a song to sing, all over this land. 

It’s the hammer of Justice,
It’s the bell of Freedom,
It’s the song about Love between my brothers and my sisters,
All over this land. 

It’s the hammer of Justice,
It’s the bell of Freedom,
It’s the song about Love between my brothers and my sisters,
All over this land.

Time Capsule – Françoise Hardy, “Le Temps de L’Amour” (1962)

Françoise Hardy: "o tempo do amor"

Françoise Hardy: “o tempo do amor”

Essa chanson pegada da década de 1960 (sente o baixo, só sente…) acabou trazida de volta à pauta por integrar a trilha sonora do filme Moonrise Kingdom (2012), de Wes Anderson – embora eu esteja aqui me rasgando tentando lembrar em qual outro filme/série atual eu ouvi esse som esses dias (com certeza não foi no Moonrise Kingdom porque eu sei [com a confirmação de testemunhas] que dormi antes da cena em que a música se faz presente na película do diretor do ótimo A Vida Marinha com Steve Zissou). De qualquer maneira, vale o remember/confere.

Le Temps De L’Amour

C’est le temps de l’amour
Le temps des copains
Et de l’aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures
Car le temps de l’amour
C’est long et c’est court
Ça dure toujours
On s’en souvient
On se dit qu’à vingt ans
On est le roi du monde
Et qu’éternellement
Il y aura dans nos yeux
Tout le ciel bleu
C’est le temps de l’amour
Le temps des copains
Et de l’aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures
Car le temps de l’amour
Ça vous met au cœur
Beaucoup de chaleur
Et de bonheur
Un beau jour c’est l’amour
Et le cœur bat plus vite
Car la vie suit son cours
Et l’on est tout heureux
D’être amoureux
C’est le temps de l’amour
Le temps des copains
Et de l’aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures
Car le temps de l’amour
C’est long et c’est court
Ça dure toujours
On s’en souvient
On s’en souvient
On s’en souvient
Car le temps de l’amour
C’est long et c’est court
Ça dure toujours
On s’en souvient
On s’en souvient
On s’en souvient


O Tempo do Amor

É o tempo do amor
O tempo dos amigos
E da aventura
Quando o tempo vai e vem
Nós não pensamos de nada
Apesar das feridas dele
Porque o tempo do amor
É longo e é curto
Que sempre último
Nós nos lembramos disto
Nós dizemos a nós mesmos que em vinte anos
Nós somos o rei do mundo
E que eternamente
Haverá em nossos olhos
Todo o céu azul
É o tempo do amor
O tempo dos amigos
E da aventura
Quando o tempo vai e vem
Nós não pensamos de nada
Apesar das feridas dele
Porque o tempo do amor
Isso o põe no coração
Muito calor
E de felicidade
Um dia bonito é o amor
E o coração bate mais rapidamente
Porque a vida continua
E nós estamos bastante contentes
Para estar apaixonado
É o tempo do amor
O tempo dos amigos
E da aventura
Quando o tempo vai e vem
Nós não pensamos de nada
Apesar das feridas dele
Porque o tempo do amor
É longo e é curto
Que sempre último
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto
Porque o tempo do amor
É longo e é curto
Que sempre último
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto