Originais & Originados – Nina Simone (1964) x The Animals (1965) x Joe Cocker (1969) x Santa Esmeralda (1977) – “Don’t Let Me Be Misunderstood”

A cantora Nina Simone: originalmente feita para ela, a canção "Don't Let Me Be Misunderstood" acabou ganhando várias versões bastante distintas entre si

A cantora Nina Simone: originalmente feita para ela, a canção “Don’t Let Me Be Misunderstood” acabou ganhando várias versões bastante distintas entre si

Taí um som – puta som, por sinal – que cada um conhece por uma versão, muitas vezes ignorando a simples existência das demais. “Don’t Let Me Be Misunderstood” foi gravada por gente tão foda ou com interpretações tão singulares que acabou virando uma espécie de grande obra coletiva na história da música.

Escrita pelos compositores Bennie Benjamin, Sol Marcus e Gloria Caldwell/Horace Ott (que, imagino, nunca tiveram motivos pra reclamar da grana de direitos autorais que acabariam recolhendo pelos anos seguintes), a canção foi originalmente transformada em partitura com endereço certo: o piano da High Priestess of Soul, a cantora norte-americana Nina Simone, que a incluiu no álbum Broadway-Blues-Ballads (1964).

Mesmo sem conseguir atingir sucesso comercial, a encarnação original da música – meio jazzy, lentinha, com elementos orquestrais e resumidamente inclassificável como todo registro de Nina Simone – acabou atravessando o Atlântico e chegando aos ouvidos de Eric Burdon e seus The Animals. Os ingleses prontamente temperaram a composição com sua tradicional mistura de R&B e rock, acelerando o tempo e marinando a receita com um memorável riff duplo de guitarra e órgão, e transformaram a faixa em single do álbum Animal Tracks (1965). Foi sucesso instantâneo, chegando a ocupar o 3° lugar nas paradas do Reino Unido – tanto que até hoje muita gente atribui à banda a autoria da música.

Quatro anos depois, em 1969, foi a a vez de outro monstro dos anos 1960 se dobrar ao poder de “Don’t Let Me Be Misunderstood”. Naquele ano, o cantor de blues rock Joe Cocker (conhecido pela capacidade de se apropriar com muita personalidade das canções que escolhia gravar) incluiu sua própria versão da música em seu disco de estreia, With a Little Help from My Friends (que também continha a antológica interpretação do sucesso homônimo dos Beatles). A resultante pode ser comparada com o rebuliço (no bom sentido) que Cocker fez no trabalho de Lennon e McCartney. Em suas mãos, a canção ganhou contornos mais pesados, psicodélicos e uma atmosfera bastante sentimental, engrossando o arsenal da estreia.

E quando parecia que todo mundo já tinha pintado e bordado o suficiente com a música – aqui aproveito pra dizer que mais um sem-número de artistas a interpretaram ao longo dos anos, incluindo Elvis Costello e Cyndi Lauper -, em 1977 o grupo europeu de disco music (com um tempero hispânico/latino/”exótico”) Santa Esmeralda transformou – em seu álbum de estreia – aquilo que havia começado mais de uma década antes com a voz inconfundível de Nina Simone em uma espécie de baile gitano anabolizado. Estendida em forma de duas faixas – a abertura, com o próprio nome da canção, e a segunda, uma espécie de “rabeira” instrumental do tema, batizada de “Esmeralda Suite” – a música totalizava mais de 15 minutos de gravação, ocupando um lado inteiro do formato original – em vinil – do lançamento. Em 2003, essa reconstrução “épica” foi utilizada – magistralmente, diga-se de passagem – pelo diretor Quentin Tarantino em uma das cenas mais marcantes do filme Kill Bill Vol. 1 (quem assistiu não esquece).

Bem, aqui embaixo você encontra, em sequência cronológica, essas quatro versões emblemáticas de “Don’t Let Me Be Misunderstood“. Não esqueça de dizer nos comentários qual a sua preferida, ou de qual delas você se lembrou primeiro! E boa  diversão!

ORIGINAL – NINA SIMONE – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1964)

 

ORIGINADA – THE ANIMALS – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1965)

 

ORIGINADA – JOE COCKER – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1969)

 

ORIGINADA – SANTA ESMERALDA – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1977)

Time capsule – The Supremes – “Where Did Our Love Go” (1964)

The Supremes (com Diana Ross): primeiro sucesso do trio a chegar ao número um da Billboard em apresentação intimista

The Supremes (com Diana Ross): show intimista para o primeiro sucesso do trio vocal feminino a chegar ao topo da Billboard

The Supremes (com Diana Ross) tocando “Where Did Our Love Go” (1964), seu primeiro sucesso a chegar ao número um da Billboard nos EUA, em uma apresentação intimista. Registro histórico desse trio vocal feminino poderosíssimo!

The Supremes – “Where Did Our Love Go” (1964)

Baby, baby, baby, don’t leave me
Oh, please don’t leave me all by myself

I’ve got this burning, burning, yearning feeling inside me
Ooh, deep inside me and it hurts so bad

You came into my heart (baby, baby) so tenderly
With a burning love (baby, baby) that stings like a bee
(baby, baby)

Now that I surrender (baby, baby) so helplessly
You now wanna leave (baby, baby) ooh, you wanna leave me
(baby, baby)

Ooh, baby, baby, where did our love go?
Oh, don’t you want me (baby, baby) don’t you want me no more?
(Baby, baby) Ooh, baby

Baby, baby, where did our love go?

And all your promises (baby, baby) of a love forever more
(baby, baby)

I’ve got this burning, burning, yearning feeling inside me
Ooh, deep inside me (baby, baby) and it hurts so bad
(baby, baby)

Before you won my heart (baby, baby) you were a perfect guy
But now that you got me (baby, baby) you wanna leave me behind
(baby, baby)

Ooh, baby, baby, baby, baby, don’t leave me
Oh, please don’t leave me (baby, baby) all by myself
(baby, baby)

Ooh (baby, baby)