Vídeo da semana – Commander Chris Hadfield, “Space Oddity” (2013) – Uma versão de David Bowie gravada em pleno espaço sideral

O astronauta canadense Comandante Chris Hadfield - atual tripulante da Estação Espacial Internacional - resolveu registrar, em pleno espaço, uma comovente versão da canção "Space Oddity", composta originalmente por David Bowie

O astronauta canadense Comandante Chris Hadfield – atual tripulante da Estação Espacial Internacional – resolveu registrar, em pleno espaço, uma comovente versão da canção “Space Oddity”, composta originalmente por David Bowie

Esse aí obviamente já era pra ter sido escolhido e publicado como “Vídeo da semana” logo que saiu (no dia 12/05/13). No entanto, alguns contratempos acabaram me atrasando, e o registro ficou só para agora. Bem, não importa. Dada a magnitude do lance todo, bora corrigir – antes tarde do que nunca.

Pois bem: acontece que dia desses o astronauta canadense Comandante Chris Hadfield – atual tripulante da Estação Espacial Internacional – resolveu registrar (em pleno espaço sideral, gravitando em torno da órbita da Terra) uma comovente (ainda mais levando-se em conta as circunstâncias) versão da canção Space Oddity“, composta originalmente por David Bowie para o álbum homônimo Space Oddity (de 1969).

O vídeo gravado por Hadfield, além de impressionar pelas circunstâncias características da rotina de uma estação espacial (como a ausência de gravidade e a impressionante e bela visão do globo terrestre registrada do espaço, por exemplo), emociona por conta da entrega do astronauta à interpretação (que eu chego a considerar melhor que a original, pra você ter uma ideia) e, enfim, pela colocação no contexto “apropriado” – atualmente, pela evolução da tecnologia exploratória espacial terrestre – da música que, há mais de 40 anos, versava sobre as agruras das viagens espaciais.

Enfim, coisa belíssima de se ver! Tenho certeza que o Bowie ficou orgulhoso!

Originais & Originados – Nina Simone (1964) x The Animals (1965) x Joe Cocker (1969) x Santa Esmeralda (1977) – “Don’t Let Me Be Misunderstood”

A cantora Nina Simone: originalmente feita para ela, a canção "Don't Let Me Be Misunderstood" acabou ganhando várias versões bastante distintas entre si

A cantora Nina Simone: originalmente feita para ela, a canção “Don’t Let Me Be Misunderstood” acabou ganhando várias versões bastante distintas entre si

Taí um som – puta som, por sinal – que cada um conhece por uma versão, muitas vezes ignorando a simples existência das demais. “Don’t Let Me Be Misunderstood” foi gravada por gente tão foda ou com interpretações tão singulares que acabou virando uma espécie de grande obra coletiva na história da música.

Escrita pelos compositores Bennie Benjamin, Sol Marcus e Gloria Caldwell/Horace Ott (que, imagino, nunca tiveram motivos pra reclamar da grana de direitos autorais que acabariam recolhendo pelos anos seguintes), a canção foi originalmente transformada em partitura com endereço certo: o piano da High Priestess of Soul, a cantora norte-americana Nina Simone, que a incluiu no álbum Broadway-Blues-Ballads (1964).

Mesmo sem conseguir atingir sucesso comercial, a encarnação original da música – meio jazzy, lentinha, com elementos orquestrais e resumidamente inclassificável como todo registro de Nina Simone – acabou atravessando o Atlântico e chegando aos ouvidos de Eric Burdon e seus The Animals. Os ingleses prontamente temperaram a composição com sua tradicional mistura de R&B e rock, acelerando o tempo e marinando a receita com um memorável riff duplo de guitarra e órgão, e transformaram a faixa em single do álbum Animal Tracks (1965). Foi sucesso instantâneo, chegando a ocupar o 3° lugar nas paradas do Reino Unido – tanto que até hoje muita gente atribui à banda a autoria da música.

Quatro anos depois, em 1969, foi a a vez de outro monstro dos anos 1960 se dobrar ao poder de “Don’t Let Me Be Misunderstood”. Naquele ano, o cantor de blues rock Joe Cocker (conhecido pela capacidade de se apropriar com muita personalidade das canções que escolhia gravar) incluiu sua própria versão da música em seu disco de estreia, With a Little Help from My Friends (que também continha a antológica interpretação do sucesso homônimo dos Beatles). A resultante pode ser comparada com o rebuliço (no bom sentido) que Cocker fez no trabalho de Lennon e McCartney. Em suas mãos, a canção ganhou contornos mais pesados, psicodélicos e uma atmosfera bastante sentimental, engrossando o arsenal da estreia.

E quando parecia que todo mundo já tinha pintado e bordado o suficiente com a música – aqui aproveito pra dizer que mais um sem-número de artistas a interpretaram ao longo dos anos, incluindo Elvis Costello e Cyndi Lauper -, em 1977 o grupo europeu de disco music (com um tempero hispânico/latino/”exótico”) Santa Esmeralda transformou – em seu álbum de estreia – aquilo que havia começado mais de uma década antes com a voz inconfundível de Nina Simone em uma espécie de baile gitano anabolizado. Estendida em forma de duas faixas – a abertura, com o próprio nome da canção, e a segunda, uma espécie de “rabeira” instrumental do tema, batizada de “Esmeralda Suite” – a música totalizava mais de 15 minutos de gravação, ocupando um lado inteiro do formato original – em vinil – do lançamento. Em 2003, essa reconstrução “épica” foi utilizada – magistralmente, diga-se de passagem – pelo diretor Quentin Tarantino em uma das cenas mais marcantes do filme Kill Bill Vol. 1 (quem assistiu não esquece).

Bem, aqui embaixo você encontra, em sequência cronológica, essas quatro versões emblemáticas de “Don’t Let Me Be Misunderstood“. Não esqueça de dizer nos comentários qual a sua preferida, ou de qual delas você se lembrou primeiro! E boa  diversão!

ORIGINAL – NINA SIMONE – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1964)

 

ORIGINADA – THE ANIMALS – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1965)

 

ORIGINADA – JOE COCKER – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1969)

 

ORIGINADA – SANTA ESMERALDA – DON’T LET ME BE MISUNDERSTOOD (1977)

Lista – 10 músicas para ouvir durante o sexo

10 músicas para ouvir durante o sexo

Antes de mais nada, deixa eu dizer que essa lista foi praticamente encomendada pelo pessoal do popularíssimo blog Somente Coisas Legais, que estava bastante a fim de divulgar uma seleção desse naipe. Some-se a isso o fato de que rankings de quase qualquer espécie parecem atrair muita atenção na internet e de que sexo é um chamariz universal e temos aí mais um post gloriosamente destinado ao sucesso – e extremamente carregado de hormônios.

Bem, para aqueles que querem se aprimorar na lida, novos truques são sempre bem-vindos. E uma playlist cuidadosamente escolhida pode, comprovadamente, ajudar a esquentar as coisas e criar um clima bacana  para aqueles momentos íntimos, por assim dizer.

Apresento-lhes, então, dez músicas para se ouvir durante o sexo (sempre torcendo, no entanto, para que a brincadeira dure ainda mais que isso). Ao final do post você também encontra a playlist já montada na sequência para o seu maior conforto!

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10-) Portishead – “Glory Box” (1994)

A canção que, de certa forma, resume o trip-hop do Portishead é muito provavelmente uma das músicas mais sexy de todos os tempos. Abrindo o “show” com essa você já larga com vantagem.

09-) The Beatles – “I Want You (She’s So Heavy)” (1969)

Já provei antes que os Beatles fizeram, sim, músicas bastante sensuais. E essa é uma das mais poderosas entre elas. Praticamente uma carta de intenções em forma de som.

08-) Lou Reed – “Walk on the Wild Side” (1972)

Quem poderia imaginar que o errático e eterno “poeta junkie” Lou Reed seria uma boa escolha (principalmente enquanto ainda estamos nas preliminares)? Eu não acreditava na eficiência do cara até comprovar.

07-) Chris Isaak – “Wicked Game” (1989)

Ok, essa é clichê até não poder mais, além de te fazer correr o risco de simplesmente ter que parar tudo pra pensar “Afinal, por que diabos ele resolveu mandar essa modulação vocal bizarra no refrão? O que ele estava pensando?“. Mas, vale o risco, afinal, o único sucesso digno de menção da carreira do Chris Isaak é um clássico absoluto da sacanagem.

06-) The Zombies – “Time of the Season” (1968)

Apesar de seu nome mórbido, a banda deve ter embalado vários amassos com este hit da década de 1960. “It’s the time of the season for loving!“.

05-) Divinyls – “I Touch Myself” (1991)

Segunda one hit wonder da lista, as Divinyls botaram o mundo pra cantar versos safados como “I love myself / I want you to love / When I feel down / I want you above me“. Ao ouvi-la, no entanto, cuidado pra não levar muito a sério a mensagem principal da canção e deixar ninguém “na mão”.

04-) Luther Vandross – “Never Too Much” (1981) 

Com base no que já rolou até aqui, essa pedrada soul oitentista é até bastante inocente e romântica. Mas o balanço de Luther Vandross é certeiro pra manter o fogo aceso.

03-) George McCrae – “I Get Lifted” (1974) 

Esse “funkeiro” da Flórida conseguiu criar uma das canções mais sexy dos anos 1970. Preste atenção no rebolado do baixo, se conseguir. “Girl, I can tell ya’, you turn me on“, declama nosso terceiro lugar. Pois é…

02-) Marvin Gaye – “Sexual Healing” (1982)

Tava demorando, né? Mas, enfim, ele apareceu. Medalha de prata para a escancarada celebração das, hummm, “propriedades terapêuticas” do lovemanking criada pelo absoluto e inconfundível Marvin Gaye. Ah, depois não deixe de conferir também a despretensiosa versão do Soul Asylum (aquela de “Runaway Train“).

01-) Marvin Gaye – “Let’s Get it On” (1973)

Olha, eu juro que tentei fazer diferente, mas não tem pra ninguém! É Mr. Gaye na cabeça, de novo! Ouro para a canção que praticamente significa sexo. Mesmo absolutamente banalizada por anos e anos de utilização em todo e qualquer momento que minimamente sugira uma pegação, “Let’s Get it On” é o hino dos amantes, dos cabelos bagunçados, da respiração ofegante, das pernas entrelaçadas, corpos suados, bocas enlouquecidas e suspiros satisfeitos depois do grand finale.


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######### PLAYLIST COMPLETA DAS 10 MÚSICAS PARA OUVIR DURANTE O SEXO – É só dar o play e correr pro abraço!

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***BONUS TRACK – Marvin Gaye – “Keep Gettin’ it On” (1973)

Meu, o cara gostava tanto da coisa que, no disco que trazia o histórico hit acima (batizado com o mesmo nome da faixa, Let’s Get it On, 1973), ele ainda mandou uma espécie de suíte da canção, sugestivamente sugerindo “Keep getting it on“. Uma boa trilha para aquele momento em que se começa a considerar um segundo round. Vai com fé, meu amigo/minha amiga! 😉 And keep getting it on!

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