Vídeo da semana – Christina Bianco, Divas Impressions, “Total Eclipse of the Heart”

A cantora e comediante Christina Bianco canta o clássico "Total Eclipse of the Heart" (1983; Bonnie Tyler) encarnando várias cantoras pop.

A cantora e comediante Christina Bianco canta o clássico “Total Eclipse of the Heart” (1983; Bonnie Tyler) encarnando várias cantoras pop.

Muito tempo atrás topei com um vídeo de uma apresentação da cantora e comediante Christina Bianco em que ela canta o clássico “Total Eclipse of the Heart” (1983; Bonnie Tyler) encarnando várias cantoras pop. É hilário vê-la cantar o hit deprê-oitentista na voz de Adelle, Cher, Britney Spears, Zooey Deschanel e até Shakira. Vale umas risadas e a chance de admirar a versatilidade vocal de Bianco. Se ela lançasse um disco acho que eu daria uma chance.

Vídeo da semana – The Temptations, “Live in Concert at Harrah’s Atlantic City” (1983)

The Temptations ao vivo em Atlantic City (1983): infelizmente, não é a formação clássica dos anos 1960/1970, só que é uma das poucas opções para assistir à banda ao vivo, em um show completo

The Temptations ao vivo em Atlantic City (1983): infelizmente, não é a formação clássica dos anos 1960/1970, só que é uma das poucas opções para assistir à banda ao vivo, em um show completo

Topei com essa raridade aí. Infelizmente, não é a formação clássica do The Temptations dos anos 1960/1970, mas sim uma mistura de membros originais e novos (David Ruffin, o vocal solo que marcou época, por exemplo, não está aí), só que é uma das poucas opções para assistir à banda ao vivo, em um show completo. Concerto gravado em 1983 em Atlantic City. R&B e doo-wop da melhor qualidade.

Da estante – Born Again (1983), Black Sabbath

O Black Sabbath em 1983 com Ian Gillan (segundo da esq. para a dir.) e Bev Bevan (Electric Light Orchestra), este último substituindo o baterista original Bill Ward: um "supergrupo" que desapontou

O Black Sabbath em 1983 com Ian Gillan (2° da esq. para a dir.) e Bev Bevan (primeiro à esq.; Electric Light Orchestra), este último substituindo o baterista Bill Ward: um “supergrupo” improvável

Born Again (1983): disco que teria causado a separação do Black Sabbath foi malhado pela crítica e transformado em clássico cult pelos fãs

Born Again (1983): disco que teria causado a separação do Black Sabbath foi malhado pela crítica e transformado em clássico cult pelos fãs

Lançado em 1983 por um Black Sabbath que há cinco anos não contava com Ozzy Osbourne em sua formação e que já se distanciava quase uma década de seu último trabalho a ser considerado uma unanimidade (Sabotage, de 1975), Born Again, décimo primeiro disco de estúdio da banda inglesa,  tem uma história pra lá de improvável e é até hoje considerado tanto um dos maiores micos da história do hard rock/heavy metal a ser registrado em estúdio quanto um grande exemplar do(s) estilo(s).

Antes mesmo de ser gravado, o álbum fez ressurgir a esperança em muitos dos já desacreditados – e cada vez mais raros, à época – fãs do Sabbath, afinal, o guitarrista e manda-chuva da banda, Tonny Iommi – que no passado recente já havia recrutado Ronnie James Dio para os vocais -, contratou o então ex-frontman do Deep Purple, Ian Gillan, pra se juntar ao que restava da formação original e segurar a bronca no microfone  – alguém aí disse “supergrupo”? O intervalo de dois anos com relação ao último registro de estúdio – o mais que aceitável Mob Rules (1981; ainda com Dio) – também podia ser encarado como um sinal auspicioso.

No entanto, nem a aliança improvável com Gillan, nem o tempo para Iommi botar a cabeça no lugar parecem ter ajudado Born Again a cair nas graças da imprensa especializada. O disco foi recebido com frieza e até certa jocosidade por inúmeros críticos, que chegaram a classificar o lançamento como “decepcionante” e “embaraçoso”. E, a essa altura, a controversa capa escolhida para o disco – um bebê demônio – também não foi de grande ajuda – a arte, criada pelo artista Steve ‘Krusher’ Joule, desagradou até  Ian Gillan e chegou a ser escolhida como uma das “30 capas mais doentias” pelo semanário de música NME.

Apesar de tudo, Born Again foi um sucesso de vendas – atingindo a melhor colocação comercial de um disco do Sabbath no Reino Unido (#4) desde Sabbath Bloody Sabbath (1973) e o Top 40 nos EUA – e se tornou uma espécie de clássico cult entre os fãs. Relevando-se a a produção meio confusa – que jogou o baixo “na cara do ouvinte” enquanto ressaltou exageradamente os agudos do vocal e “enterrou” demais a guitarra – e a evidente falta de inspiração em algumas faixas, é preciso dizer que o álbum trazia, sim, genuínos – ainda que exóticos, em certa medida, pela combinação Sabbath/Ian Gillan – exemplares de hard rock pesado e sombrio que, mesmo não soando exatamente como o Black Sabbath de outrora, tinham qualidade e carisma particulares. Cá pra nós, a onírica e gritona faixa-título e a vibrante “Keep It Warm”, que encerra o álbum, estão entre as minhas músicas preferidas produzidas pelo Sabbath.

O êxito comercial, no entanto, parece não ter sido, na época, o suficiente para a banda. Muitos consideram Born Again a razão pela qual o Black Sabbath se separou (sobrando apenas Iommi para carregar o nome), durante um período considerável após 1984, na sequência da turnê de divulgação do disco – que contou com a participação de Gillan e de Bev Bevan, baterista do Electric Light Orchestra, substituindo Bill Ward, membro original que gravou em estúdio mas não pode excursionar por motivos de saúde.

Até hoje Born Again é motivo de debate. Embora seja considerado pelo próprio Ian Gillan “o pior disco da minha vida“, o  álbum ainda desperta tanto interesse na audiência ao redor do globo (incluindo o Brasil) que foi relançado em CD duplo em 2001. Nada mal pra um registro “embaraçoso”.

BÔNUS: Ian Gillan, Tonny Iommi e outros envolvidos falam sobre Born Again

Da estante – The Final Cut (1983), Pink Floyd

The Final Cut: o último álbum do Pink Floyd com Roger Waters sofreu bastante com a birrinha da mídia e dos "fãs"

The Final Cut: o último álbum do Pink Floyd com Roger Waters sofreu bastante com a birrinha da mídia e dos “fãs”

The Final Cut (1983) é o 12° e último álbum do Pink Floyd com Roger Waters (baixista, vocalista e compositor) à frente da banda. Depois dele – e de uma atribulada disputa judicial pela continuidade do grupo -, a banda – a partir de então liderada pelo guitarrista/vocalista David Gilmour -, viria a lançar um novo trabalho somente em 1987 (A Momentary Lapse of Reason). Para quem, como eu, acredita que o “verdadeiro” Pink Floyd existiu somente até a saída de Waters, The Final Cut é uma despedida melancólica, caótica e subestimada de uma das maiores bandas de todos os tempos.

Pegando carona na veia autobiográfica (de Waters, principal compositor da banda à época) e antibélica de The Wall (1979; Waters perdeu seu pai na II Guerra Mundial), The Final Cut leva a narrativa para um dos mais despropositados conflitos ocidentais de que se tem notícia – a Guerra das Malvinas, entre Inglaterra (terra natal do Floyd) e a Argentina. É fato que neste momento da história do Pink Floyd Waters já atuava com mão de ferro, conduzindo de forma absoluta os rumos estéticos e temáticos do grupo, e relegando os demais membros quase à condição de instrumentistas contratados (o tecladista Richard Wright, membro fundador da banda, já havia, inclusive, sido demitido por Waters e recontratado como músico de estúdio). Talvez por isso The Final Cut, com sua evidente inclinação conceitual – quase como uma ópera -, tenha sido recebido de forma tão fria pela crítica e pelos fãs da “instituição” Floyd.

Realmente, The Final Cut tem muito mais a ver com uma narrativa construída através das letras cheias de referências e das paisagens sonoras idealizadas por Waters do que com a música “de conjunto” (porém igualmente conceitual) gestada para álbuns como The Dark Side of the Moon (1973) ou Wish You Were Here (1975). Mas, na minha opinião, o álbum não deve ser encarado em comparação com a obra anterior do Floyd, e sim como um novo – e não menos interessante – rumo que a banda poderia ter tomado. No mínimo, é uma introdução ao trabalho que Waters viria a desenvolver em sua carreira solo (mais uma vez, em minha opinião, algo muito mais interessante do que o foi feito pelo “novo” Pink Floyd liderado por Gilmour). E, afinal, é simplesmente uma bela obra. Então, vamos curtir!