Originais & Originados – Fausto Fawcett (1987) x Fernanda Abreu (1997) – “Kátia Flávia”

Fernanda Abreu: a espevitada cantora carioca decidiu revisitar a cria de seu truta Fawcett uma década depois, dando à canção uma roupagem bem mais "moderna", dançante e "carioquizada"

Fernanda Abreu: a espevitada cantora carioca decidiu revisitar a cria de seu truta Fawcett uma década depois, dando à canção uma roupagem bem mais “moderna”, dançante e “carioquizada”

Mais um exemplar brazuca para a seção Originais & Originados. Em 1987, o jornalista, escritor, autor teatral, compositor e personagem carioca Fausto Fawcett deu à luz “Kátia Flávia“, a louraça Belzebu provocante, em música feita em parceria com o igualmente carioca Carlos Laufer, seu grande companheiro de composição. Com uma pegada pós-punk funkeada e uma atmosfera – também presente em sua literatura – que alguns definiram como “Copacabana cyberpunk“, o som fez sucesso e até foi parar em trilha de filme do Polanski (Lua de Fel, 1992).

Uma década depois, em 1997, a espevitada Fernanda Abreu (também nativa da capital do RJ) decidiu revisitar a cria de seu truta Fawcett, dando à canção uma roupagem bem mais “moderna”, dançante e, por que não, “carioquizada”. A gravação saiu em  Raio-X – Revista e Ampliada, coletânea da cantora lançada naquele ano, além de render um clipe bastante popular em que Abreu encarna a própria “Godiva do Irajá” e seu gosto bastante particular para roupas íntimas (incluí a letra ao final do post para aqueles que, como eu, até hoje não sabiam exatamente que, afinal, o que ela estava usando era um Exocet – que é nome de míssil, mas pode ter acabado se tornando sinônimo de calcinha provocante).

ORIGINAL – FAUSTO FAWCETT – KÁTIA FLÁVIA (1987)

ORIGINADA – FERNANDA ABREU – KÁTIA FLÁVIA (1997)

Kátia Flávia

(Fausto Fawcett/Laufer)

Kátia Flávia
É uma louraça belzebu, provocante
Uma louraça Lúcifer, gostosona
Uma louraça Satanás, gostosona e provocante
Que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas
Dessas com armamentos bordados
calcinha framboesa, calcinha antiaérea, calcinha de morango,
calcinha Exocet
calcinha framboesa, calcinha antiaérea, calcinha de morango,
calcinha Exocet
Ex-miss Febem, encarnação do mundo cão, casada com um figurão
contravenção
Ficou famosa por andar num cavalo branco, pelas noites
suburbanas
Ficou famosa por andar num cavalo branco, pelas noites
suburbanas
Toda nua, toda nua
Toda nua, toda nua
louraça belzebu
louraça Lúcifer
louraça Satanás
Matou o figurão, foi pra Copacabana, roubou uma joaninha
E pelo rádio da polícia, ela manda o seu recado
Pelo rádio da polícia, ela manda o seu recado
Get out, get out!
Pelo rádio, pelo rádio, pelo rádio, pelo rádio
rádio da polícia ela manda o seu recado
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet – Calcinha!
Um Exocet – Calcinha!
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet – Calcinha!
Um Exocet – Calcinha!
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
polícia!
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
polícia!
Polícia Belford Roxo, de Duque de Caxias
Polícia Madureira, polícia Deodoro, São Cristóvão, Bonsucesso,
da Benfica, da Pavuna, da Tijuca, de Quintino, do Catete,
Grajaú,
Polícia pode vir! porque
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
polícia do Flamengo, polícia Botafogo, da Barra da Tijuca
do centro da cidade
Polícia, polícia, polícia, polícia pode vir
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet
Um Exocet
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet
Um Exocet
Louraça belzebu,
Louraça Lúcifer,
Louraça Satanás,
Louraça belzebu,
Louraça Lúcifer,
Louraça Satanás,
Louraça belzebu, calcinha framboesa
Louraça Lúcifer, calcinha antiaérea
Louraça Satanás, calcinha de morango
Louraça belzebu, calcinha Exocet
Louraça belzebu, calcinha framboesa
Louraça Lúcifer, calcinha antiaérea
Louraça Satanás, calcinha de morango
Louraça belzebu, calcinha Exocet
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet – Calcinha!
Um Exocet – Calcinha!…
calcinha bordadinha
calcinha de rendinha
calcinha geladinha
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet – Calcinha!
Um Exocet – Calcinha!
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet – Calcinha!
Um Exocet – Calcinha!
Alô, polícia!

Originais & Originados – George Michael x Muse – “Faith”/”Madness”

Muse: "Madness", do novo disco do trio é a cara de "Faith", hit oitentista de George Michael

Muse: “Madness”, do novo disco do trio é a cara de “Faith”, hit oitentista de George Michael

Até queria falar do disco novo do Muse na seção Resenhas deste blog, mas a primeira coisa que me chamou a atenção quando comecei a ouvir The 2nd Law (2012) foi como a segunda faixa do álbum, “Madness”, é parecida com “Faith”, hit oitentista do polêmico, digamos, George Michael. Lógico que a canção do trio vem embalafa em uma roupagem contemporânea, muderna, meio eletrônica, enquanto o som de Michael é… Bem, vocês já estão carecas de saber como é.

Inspiração? Plágio? Homenagem? “Meu, pensei numa música aqui…” (ouviu no rádio e não se ligou que estava copiando)?

Tire suas próprias conclusões. Repare na melodia do vocal. Mas antes preciso dizer: ambas são muito boas.

ORIGINAL – GEORGE MICHAEL – FAITH (1987)

ORIGINADA – MUSE – MADNESS (2012)

Da estante – Radio K.A.O.S. (1987), Roger Waters

Radio K.A.O.S. (1987): Roger Waters enfrentando a estética oitentista pouco depois da cisão do Pink Floyd

Radio K.A.O.S. (1987): Waters enfrentando a estética oitentista pouco depois da cisão do Pink Floyd

Vamos aproveitar que Roger Waters está passando pelo Brasil com a nova e tardia turnê (embora indiscutivelmente incrível) do álbum The Wall (1979), do Pink Floyd, para falar de um “clássico-que-não-foi” na carreira solo do baixista e principal mente criativa da banda que deu ao mundo pérolas como Dark Side of the Moon (1973) e Animals (1977), só pra citar algumas.

Em 1987 Waters já tinha saído do Pink Floyd há quatro anos (The Final Cut, de 1983, foi a despedida, praticamente um álbum solo dele assinado e executado pelo Pink Floyd; desde The Wall Waters começava a tomar controle da banda, a contragosto dos demais integrantes, principalmente o – fantástico – guitarrista e – ótimo – vocalista David Gilmour – substituto acidental de Syd Barret na cronologia do Floyd). Em 1984 o músico já tinha debutado sozinho com o interessantíssimo e conceitual The Pros and Cons of Hitch Hiking – que conta, entre outros atrativos, com a participação de Eric Clapton em algumas guitarras e da sempre fabulosa narrativa de Waters. Três anos depois – no supracitado 1987 – em meio a reminiscências judiciais que garantiram a Gilmour, Wright e Mason (os três demais membros do Floyd ) continuar usando o nome da banda – e concomitantemente lançar o álbum A Momentary Lapse of Reason –  Waters botou na praça seu segundo trabalho solo, Radio K.A.O.S..

Seguindo um pouco a linha de The Pros and Cons, o ex-baixista e principal compositor do Floyd gravou um álbum bastante narrativo que contava a história de um garoto – Billy – preso a uma cadeira de rodas que tenta parar a ameaça de uma guerra nuclear (ainda vivia-se a Guerra Fria) usando comunicação por ondas de rádio. O pano de fundo é um tanto escabroso, mas Roger sabe contar uma história como ninguém, e as oito faixas de Radio K.A.O.S. transitam pelo pop oitentista e pelo rock “inteligente” de forma graciosa e empolgante (na medida do factível). Obviamente uma obra aquém de quase tudo que o Floyd lançou durante a era Waters, e dos demais discos solo do ex-baixista, mas inegavelmente um registro bastante interessante de um gênio do rock em busca – à época – de seu lugar no mundo da música.