É ruim, mas eu gosto – Paula Abdul, “Straight Up” (1988)

Paula Abdul: antes de se tornar uma das juradas do programa de TV American Idol a moça fora cantora, compositora, dançarina, coreógrafa e  atriz. "Straight Up" é um de seus hits, ruim mas extremamente gostável

Paula Abdul: antes de se tornar uma das juradas do programa de TV American Idol a moça fora cantora, compositora, dançarina, coreógrafa e atriz. “Straight Up” é um de seus hits, ruim mas extremamente gostável

Bem antes de Paula Abdul se tornar uma das juradas do programa de TV American Idol a moça já havia sido cantora, compositora, dançarina, coreógrafa e  atriz. Na passagem dos anos 1980 para 1990 Paula deixou sua breve mas profunda marca na cultura pop: uma das provas definitivas disso é o hit “Straight Up“, canção do álbum Forever Your Girl (1988), debute da artista e um de seus mais populares sucessos comerciais. A canção, apesar de ser bem ruim, é muito boa, carregada de uma energia oitentista bacana e de um descompromisso dançante extremamente condizente com a época (aproveite a oportunidade para conhecer também a despretensiosa versão da música executada pela banda Tallahassee). Evidentemente ruim, mas claramente boa o bastante pra dizer que eu gosto. Vamos que vamos!

Arqueologia sonora – Traveling Wilburys

Traveling Wilburys (da esquerda para a direita: Bob Dylan, Jeff Lynne, Tom Petty, George Harrison e Roy Orbison): "supergrupo" é pouco

Traveling Wilburys (da esquerda para a direita: Bob Dylan, Jeff Lynne, Tom Petty, George Harrison e Roy Orbison): “supergrupo” é pouco

Em 1988 o mundo viu acontecer uma improvável – no mínimo – reunião de estrelas do mais alto escalão da música pop. Na contramão daquilo que costuma acontecer – uma banda acaba se separando e dá lugar às carreiras solos de seus antigos membros -, cinco músicos já plenamente realizados com suas trajetórias individuais resolveram “brincar de banda”. E assim nasceu a Traveling Wilburys, formada por nada menos que George Harrison (quase 20 anos após o fim dos Beatles), Roy Orbison (dispensa apresentações), Bob Dylan (idem), Tom Petty (recém-separado de seus Heartbreakers) e Jeff Lynne (ex-líder da Electric Light Orchestra) – algo como o maior “supergrupo” que já existiu.

De acordo com a história, os cinco – que já se conheciam há tempos – se juntaram no ano em questão para gravar o B-side de um single de Harrison, mas acabaram produzindo um disco inteiro. Time bom e entrosado dá nisso, né? O álbum, The Traveling Wilburys, Vol. 1, saiu ainda em 1988 e fez bastante sucesso com sua musicalidade amigável e que parecia um amálgama da personalidade sonora de cada um dos envolvidos – “Handle With Care” e “End Of The Line” foram os grandes hits (veja os vídeos abaixo). Além de tudo, devia ser bonito demais, na época,  ver tantos figurões ocupando natural e pacientemente seus respectivos espaços – inclusive dividindo os vocais – a serviço de uma canção. Ainda é.

Em 1990 a banda voltou a se reunir sob o peso da ausência de Roy Orbison, que morreu ainda em 1988, pouco depois do primeiro lançamento, e botou na praça um álbum curiosamente intitulado The Traveling Wilburys, Vol. 3 (onde foi parar o Vol.2?). Apesar de, de certa forma, repetir a receita do disco anterior, o segundo registro dos “Wilburys viajantes” soa um pouco menos empolgante e um tanto mais flácido, talvez até mesmo por não se beneficiar do elemento surpresa que contaminara a estreia. A fórmula teria se desgastado rápido demais? De qualquer maneira, o trabalho tem seus bons momentos – incluindo “Inside Out” e “She’s My Baby“, cujos vídeos você encontra abaixo. 

Depois disso cada integrante do grupo seguiu seu caminho e nunca mais, até agora, a Traveling Wilburys produziu algo novo – até porque George Harrison também já não está mais entre nós. Bem, já dava pra imaginar esse desfecho. Se o simples fato de eles se reunirem já foi surreal, o que dizer de um segundo disco? Não dava pra exigir mais. Fiquemos com a memória que já está de ótimo tamanho!    

Da estante – Danzig (1988), Danzig

Danzig (com Glenn Danzig em primeiro plano): o primeiro frontman do Misfits preferiu seguir carreira solo

Danzig (com Glenn Danzig em primeiro plano): o primeiro frontman do Misfits preferiu seguir carreira solo

Danzig (1988), álbum homônimo de estreia do projeto solo de Glenn Danzig: do punk desleixado influenciado por filmes B do Misfits ao hard rock/blues dark obcecado por temáticas ainda mais obscuras

Danzig (1988), álbum homônimo de estreia do projeto solo de Glenn Danzig: do punk desleixado influenciado por filmes B do Misfits ao hard rock/blues dark obcecado por temáticas ainda mais obscuras

Que fique avisado: nesse aqui vou ser curto e grosso, como os melhores sons do Danzig.

Pouco depois de deixar o posto de vocalista do Misfits, banda de horror punk que o apresentou ao mundo, e após uma breve tentativa com o Samhain, Glenn Danzig resolveu investir em um projeto que carregava seu próprio “sobrenome” artístico (ele nasceu Glenn Anzalone, em 1955).

O homônimo debute em disco – Danzig – ocorreu em 1988, carregando muito pouco de sua primeira banda – do punk desleixado influenciado por filmes B ao hard rock/blues dark obcecado por temáticas ainda mais obscuras. De igual, somente o vocal meio crooner, meio Elvis Presley, meio Jim Morrison, meio zumbi alienígena de Danzig.

Ali, a roupagem era totalmente outra: mais “séria” que na época do Misfits, com sons um pouco mais arrastados e palatáveis (intencionalmente ou não). Tanto que “Mother“, sexta faixa do álbum, acabou se tornando um hit improvável com seus vocais obscuros e sensuais e sua pegada “blues infernal”.

Enfim, mais um belo exemplar na prateleira da história do rock e do punk. Dá pra ouvir o disco inteiro aqui embaixo. Boa diversão!