Originais & Originados – Aphex Twin (1992) x Die Antwoord (2014) – “Ageispolis” / “Ugly Boy”

Com "Ugly Boy", do disco Donker Mag (2014), o duo sul-africano calculadamente freaky Die Antwoord ressuscitou a paulada de ambient techno do mago Aphex Twin "Ageispolis" (Selected Ambient Works 85-92; 1992).

Com “Ugly Boy”, do disco Donker Mag (2014), o duo sul-africano calculadamente freaky Die Antwoord ressuscitou a paulada de ambient techno do mago Aphex Twin “Ageispolis” (Selected Ambient Works 85-92; 1992).

Com “Ugly Boy”, do disco Donker Mag (2014), o duo sul-africano calculadamente freaky Die Antwoord ressuscitou a paulada de ambient techno do mago Aphex Twin “Ageispolis” (Selected Ambient Works 85-92; 1992). As rimas de Ninja e Yo-Landi ViSSer temperam a cama eletrônica arrumada há quase 20 anos pelo inglês Richard D. James. E Não posso dizer que a combinação não funcionou. Será que as demais criações de Aphex Twin poderiam se beneficiar desse update?

ORIGINAL – APHEX TWIN – AGEISPOLIS (1992)

 

ORIGINADA – DIE ANTWOORD – UGLY BOY (2014)

Originais & Originados – Harry Chapin (1974) x Ugly Kid Joe (1992) – “Cat’s in the Cradle”

Ugly Kid Joe: a banda californiana de hard rock/pop resgatou o grande sucesso do cantor folk Harry Chapin quase duas décadas depois

Ugly Kid Joe: a banda californiana de hard rock/pop resgatou o grande sucesso do cantor folk Harry Chapin quase duas décadas depois

Originalmente incluída no disco Verities & Balderdash (1974) do cantor norte-americano de folk rock Harry Chapin, a balada acústica “Cat’s in the Cradle” foi um grande sucesso em sua época. Composta por Chapin com base em um poema escrito por sua esposa Sandy, a canção atingiu a Billboard Hot 100, tornando-se o maior sucesso e o mais conhecido trabalho do músico.

Quase duas décadas depois, em 1992, a música acabou recuperada pelo grupo californiano de hard rock/pop Ugly Kid Joe, que a transformou – após uma discreta, porém providencial, atualização – em um dos carros-chefes de seu primeiro álbum oficial de estúdio, America’s Least Wanted (junto à jocosa e despreocupada “Everything About You“). E assim, da forma mais improvável possível – como em tantas outras histórias já relatadas aqui -, a pequena joia musical de Chapin ganhou vida nova, além da oportunidade de despertar curiosidade em uma audiência totalmente nova.

Pelo jeito, a chance não foi desperdiçada. Afinal, o que mais estamos fazendo aqui além de relembrar mais essa passagem da história da música?

ORIGINAL – HARRY CHAPIN – CAT’S IN THE CRADLE (1974)

ORIGINADA – UGLY KID JOE – CAT’S IN THE CRADLE (1992)

Time capsule – Talking Heads – “Lifetime Piling Up” (1992)

Talking Heads: um dos meus sons preferidos da banda não está em nenhum disco de estúdio, mas em coletânea de 1992

Talking Heads: um dos meus sons preferidos da banda não está em nenhum disco de estúdio, mas em coletânea de 1992

Uma das músicas do Talking Heads de que eu mais gosto não está em nenhum dos discos de estúdio da banda capitaneada por David Byrne, mas sim na coletânea Sand in the Vaseline: the Best of Talking Heads, de 1992. “Lifetime Piling Up” é intensa, contagiante, inteligente como um som do Talking Heads deve ser e, à sua maneira, absolutamente desesperadora. Vale o PLAY!

 

Talking Heads – “Lifetime Piling Up” (1992)

I have tried marijuana 
I get nervous every time 
There will come a knockin’ at the door 
Why is everybody makin’ eyes at me? 
I don’t want to know 
Excuse and pardon me 
Stay for a while 
Maybe we’ll never 
Meet again 

I can see my lifetime piling up 
I can see the days turn into nights 
I can see the people on the street 
Open those windows up 
A hundred floors below me 
Pilin’ those houses up 
Pilin’ them higher, higher, higher 
I can feel them swayin’ back and forth 
Building it higher, higher 
This tower’s learning over 

I got bad coordination 
Stuck a pencil in my eye 
I can hardly wait to get back home 
Why is everybody gettin’ paranoid? 
I’s only havin’ fun 
Scum-bags and superstars 
Tell me your names 
I’ll make a bet, you’re 
Both the same 

I can see my lifetime pilin’ up 
Reaching from my bedroom to the stars 
I can see the house where I was born 
When I was growin’ up – they say that 
I could never keep my trousers up 
I remember days and crazy nights 
Are there any pirates on this ship? 
And if they sober up – they’ll have us 
Home by morning 

Cry, cry, cry 
It’s just you and I 
Like an automobile 
With no one at the wheel 
Spinning out of control 
We’re all over the road 
In our sexy machine 
All the passengers scream 
Scream, scream! 

I can see my lifetime pilin’ up 
I can see it smashin’ into yours 
It was not an accident at all 
Open your window up – I hear you laughin’ 

Goin’ one, two, three, four, five 
Goin’ from the bottom to the top 
Maybe I’m holding on too tight 
And now I’m growin’ up 
I got a funny feeling 
Pilin’ those houses up 
Pilin’ them higher, higher, higher 
Building that highway to the stars 
And turning the music up – Hey! 
I got a winning number

É ruim, mas eu gosto – Marky Mark and the Funky Bunch, “Good Vibrations” (1991)

Cena do clipe de "Good Vibrations" (1991): antes de se tornar o consideravelmente famoso "ator" Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo abaixo era conhecido como Marky Mark, e capitaneava um grupo de pop-rap e dance batizado de "Marky Mark and the Funky Bunch"

Cena do clipe de “Good Vibrations” (1991): antes de se tornar o consideravelmente famoso “ator” Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo era conhecido como Marky Mark e capitaneava um grupo de pop-rap e dance batizado de “Marky Mark and the Funky Bunch”

E tá aí mais uma pérola noventista (ah, são tantas, não?) pra nos envergonharmos de gostar (mas foda-se, evidentemente; estamos aqui pra isso mesmo). Vamos lá:

Antes de se tornar o consideravelmente famoso (e minimamente respeitável) “ator” Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo abaixo era conhecido como Marky Mark (por conta disso até o DJ Marky – antes igualmente chamado de Marky Mark, brasileiro, sucesso na gringa – resolveu mudar de nome). No comecinho dos anos 1990, ele (Wahlberg) comandava uma uma banda de pop-rap e dance chamada Marky Mark and the Funky Bunch (ouch!), que durou só dois álbuns (em 1991 e 1992, mais especificamente). E, olha, essa foi uma fase em que o rapaz (que chegou, posteriormente, a fazer parte do núcleo principal do elenco do filme Os Infiltrados [2006], de Martin Scorsese) parecia ter desistido de vestir qualquer peça de roupa da cintura para cima.

Good Vibrations“, a música mais famosa do grupo (presente no álbum Music for the People, de 1991; veja o vídeo abaixo), é muito ruim, mas também é do caralho: base funkeada e sacolejante, vocal black feminino absolutamente apaixonante no refrão e o insosso rap “de branco” de Marky Mark (que não acrescenta nada, mas também não compromete) recheando a coisa toda.  Enfim, um PLAY absolutamente inocente, dançante, nostálgico e extremamente difícil de admitir pros amigos. Mas não tema! É pra isso que serve essa seção! Plugue o fone, aumente o volume e embarque sem reservas nessa nostalgia. Eu sei que você vai gostar…