Novidadeiro – Moon Duo

Moon Duo (EUA): a mistura de garage rock, psicodelia e noise pop soa muito interessante por detrás da onírica cortina de distorção fuzz e reverb produzida pela aparelhagem compacta da dupla

Moon Duo (EUA): a mistura de garage rock, psicodelia e noise pop soa muito interessante por detrás da onírica cortina de distorção fuzz e reverb produzida pela aparelhagem compacta da dupla

Topei com essa duplinha aí no canal da rádio KEXP (de Seattle) no YouTube – a apresentação completa deles nos estúdios da FM está no fim do post. Gostei do que ouvi e fui atrás. Descobri que o Moon Duo foi criado em 2009, em São Francisco, pelo guitarrista/vocalista Ripley Johnson (que também toca na banda neo-psicodélica Wooden Shjips, também de São Francisco) e pela tecladista Sanae Yamada. Acompanhados por batidas eletrônicas, os músicos fazem uma hipnotizante mistura de garage rock, psicodelia e noise pop. E tudo soa muito interessante por detrás da onírica cortina de distorção fuzz e reverb produzida pela aparelhagem compacta do duo – de acordo com Johnson, a crise financeira que eclodiu em 2008 nos EUA teria trazido à tona a ideia de uma banda mais “econômica”.

Eles já tem 4 álbuns na discografia. O último, Circles (cujo repertório domina a participação da dupla na transmissão da KEXP), é de 2012. Recomendadíssimo (e dá pra ouvir aí embaixo).


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Vídeo da semana – The Noisettes, “Never Forget You (Live at ‘Later… with Jools Holland’)” (2009)

The Noisettes tocam "Never Forget You" no 'Later... with Jools Holland' (2009): power pop com ecos de R&B sessentista

The Noisettes tocam “Never Forget You” no ‘Later… with Jools Holland’ (2009): power pop com ecos de R&B sessentista

Esse é até velhinho, mas topei com ele enquanto zapeava no último final de semana e não resisti. The Noisettes mostram todo o poder de seu power pop com ecos de R&B sessentista em uma apresentação no melhor programa da televisão mundial, “Later… with Jools Holland“, em 2009 (época do lançamento do álbum Wild Young Hearts). A canção é a fortíssima candidata àqueles repeats eternos “Never Forget You“.

Selo Jools Holland de qualidade

Da estante – Humbug (2009), Arctic Monkeys

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela "molecada" acabou crescendo

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela “molecada” acabou crescendo

Pra esse Da estante resolvi tirar o pó de um álbum relativamente recente, mas que gosto de imaginar como uma das futuras referências pra quando a “crítica especializada” resolver olhar para as consequências da (de certa forma superdimensionada) “invasão indie” que se deu no mundo da música comercial a partir dos anos 2000.  Um pequeno retrato do momento impreciso da história em que aquela molecada – que foi alçada, quase sem escalas, da posição de fenômenos circunscritos a guetos georreferenciados da internet a alvos apropriados para a versão contemporânea da etiqueta mainstream “salvadores do rock” – acabou crescendo e fazendo escolhas muitas vezes diametralmente opostas aos próprios contornos estético-musicais que serviram de cola pro hype desmedido no qual se banharam – voluntariamente ou não.

Feita a justificativa – e, embora eu não precise de nenhuma, faço-a em consideração (daquela típica dos comparsas) ao querido e raro leitor -, antes de começar a narrativa só quero dizer que resgato aqui recortes devidamente atualizados de análise feita anteriormente – quando de pertinência cronológica relacionada ao próprio lançamento do álbum em questão – em outras paragens.

E então vamos:

Não é sempre que uma banda que você no máximo odeia e no mínimo não gosta surpreende desse tanto. Confesso que – até então (final de 2009) – nunca tinha escutado um disco do Arctic Monkeys do começo ao fim. Na única oportunidade em que os vi ao vivo – no infame Tim Festival 2007 – eu estava sentado no chão do abominável Anhembi, em São Paulo, deveras desinteressado, me recuperando do show da Björk, que a então companheira fez questão de assistir NA GRADE. Bem, passados dois anos, tive que dar o braço a torcer.

A pulga já tinha se instalado atrás da orelha quando soube que quem tinha produzido Humbug (2009), terceiro registro fonográfico do quarteto inglês, era Josh Homme, a cabeça por trás do Queens of the Stone Age. Depois que vi o vídeo da banda tocando “Pretty Visitors” ao vivo na MTV inglesa (abaixo), então, tive que gastar alguns dias procurando o novo disco pra baixar.

A evolução dos – até então, na minha cabeça – “moleques” de Sheffield (UK) soava impressionante. De petardos adolescentes anteriores, como “I Bet You Look Good On The Dance Floor“, para canções com estrutura bem mais intrincada e certo arrojo, como a então novidade “Dangerous Animals” (abaixo) e a já citada “Pretty Visitors”. E tudo isso em pouco mais de três anos e dois discos lançados.

A música que me ganhou, no entanto, foi a segunda faixa de Humbug, “Crying Lightning” (vídeo abaixo). No meu entendimento, ali já ficava clara a influência velada de Josh Homme – nos riffs meio stoner, nos solos setentistas e nas viradas psicóticas de bateria. Além do que, a cadência vocal de Alex Turner finalmente parecia valer a pena, e as letras começavam a ir mais longe do que coisas brutas como “fiquei bêbado a noite passada e blábláblá…” (perdoe-me o exagero).

O disco tinha até espaço para uma baladinha singela que foi um verdadeiro soco no estômago. “Cornerstone” (abaixo) foi um exemplo de como a poesia de Turner cresceu. “She was close / close enough to be your ghost / but my chances turned to toast when I asked her / if I could call her your name“.

Enfim… Humbug pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época. Eu não dei e continuo não dando a mínima. Pra mim era como se fosse o primeiro trabalho deles. “E que venham outros”, pensei (dois anos mais tarde, em 2011, eles lançariam o bonzinho Suck It and See, que, de certa forma, seguiu um pouco a pegada de Humbug, mas com um resultado muito mais “flat” e muito menos envolvente – um disco facilmente “esquecível”, infelizmente). Tudo o que eu queria, naquele recorte do espaço-tempo, era que os “macacos do Ártico” voltassem a nos brindar, dali para a frente, com pérolas como essa: