Novidadeiro – Moon Duo

Moon Duo (EUA): a mistura de garage rock, psicodelia e noise pop soa muito interessante por detrás da onírica cortina de distorção fuzz e reverb produzida pela aparelhagem compacta da dupla

Moon Duo (EUA): a mistura de garage rock, psicodelia e noise pop soa muito interessante por detrás da onírica cortina de distorção fuzz e reverb produzida pela aparelhagem compacta da dupla

Topei com essa duplinha aí no canal da rádio KEXP (de Seattle) no YouTube – a apresentação completa deles nos estúdios da FM está no fim do post. Gostei do que ouvi e fui atrás. Descobri que o Moon Duo foi criado em 2009, em São Francisco, pelo guitarrista/vocalista Ripley Johnson (que também toca na banda neo-psicodélica Wooden Shjips, também de São Francisco) e pela tecladista Sanae Yamada. Acompanhados por batidas eletrônicas, os músicos fazem uma hipnotizante mistura de garage rock, psicodelia e noise pop. E tudo soa muito interessante por detrás da onírica cortina de distorção fuzz e reverb produzida pela aparelhagem compacta do duo – de acordo com Johnson, a crise financeira que eclodiu em 2008 nos EUA teria trazido à tona a ideia de uma banda mais “econômica”.

Eles já tem 4 álbuns na discografia. O último, Circles (cujo repertório domina a participação da dupla na transmissão da KEXP), é de 2012. Recomendadíssimo (e dá pra ouvir aí embaixo).


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Vídeo da semana – Caetano Veloso, clipe de “A Bossa Nova é Foda”

Caetano Veloso em cena do clipe de "A Bossa Nova é Foda": isso é o que eu chamo de "abraçaço"

Caetano Veloso em cena do clipe de “A Bossa Nova é Foda”: isso é o que eu chamo de “abraçaço”

Saiu essa semana o primeiro clipe de Abraçaço, álbum lançado por Caetano Veloso no final de 2012. A escolhida para ganhar as telas foi a canção “A Bossa Nova é Foda“, espécie de carro-chefe do novo trabalho e uma das preferidas do próprio Caetano nesse novo disco. No clipe dirigido por  Fernando Young e Tonho Quinta Feira, a música que exalta o gênero criado pelo “bruxo de Juazeiro” (João Gilberto, como cantado aqui por Caê) e o põe como transformador da identidade brasileira, é encenada em referência à capa de Abraçaço (veja abaixo e ouça o álbum completo aqui).

Capa de "Abraçaço" (2012), de Caetano Veloso

Capa de “Abraçaço” (2012), de Caetano Veloso

O compositor baiano e sua banda estão (presumidamente) nus em frente a um fundo preto no qual se perdem em uma profusão de braços e abraços. “Abraçaços”, melhor dizendo. E o vídeo transcorre meio surreal, meio performático, fazendo uma cama minimalista perfeita para a narrativa de Caetano. Confira!

Novidadeiro – Solange (Knowles)

Solange, a irmã caçula da Beyoncé: seja bem-vinda, definitivamente, à família do sucesso. Só espero que ela não mude esse seu espírito aventureiro

Solange, a irmã caçula da Beyoncé: seja bem-vinda, definitivamente, à família do sucesso. Só espero que ela não mude esse seu espírito aventureiro

Todos os olhos da música pop andam voltados para uma moça que parece ter o sucesso nos genes. Solange (Knowles) é a irmã caçula da diva pop Beyoncé – talvez para não ser acusada de pegar carona na fama da “tata” ela não use o sobrenome da família responsável pelo fenômeno Destiny’s Child. Apesar de ter feito sucesso considerável com seus primeiros discos (Solo Star, de 2003, e Sol-Angel and the Hadley St. Dreams, 2008), foi com o EP True, lançado em 2012 pelo selo Terrible – mantido por Chris Taylor, do Grizzly Bear – que a moça conquistou o respeito dos alternativos.

Talvez porque o disco – que tem seis faixas e pouco menos de 30 minutos – adicione à mistura de soul sessentista, R&B e pop que a cantora vinha fazendo (competentemente, diga-se) um pouco de new wave e seus elementos mais eletrônicos e experimentais. E é realmente uma experiência e tanto escutá-lo de cabo a rabo – dá pra fazer isso no YouTube, por esse link aqui. Fora que “Lovers in the Parking Lot”, pra mim, já é a música do ano. Escuta aí embaixo e depois me diz se exagerei.

Seja bem-vinda, definitivamente, à família do sucesso, Solange. Espero que ela não mude esse seu espírito aventureiro.

Originais & Originados – R.L. Burnside (1998) x Doctor L (2012) [trilha de Holy Motors] – “Let My Baby Ride”

"Let My Baby Ride" em cena de Holy Motors (2012): música do bluesman R.L. Burnside renasceu em adaptação feita por Doctor L para o (maluquíssimo) filme francês

“Let My Baby Ride” em cena de Holy Motors (2012): música do bluesman R.L. Burnside renasceu em adaptação feita por Doctor L para o (maluquíssimo) filme francês

E não é que temos aqui uma história de canção original e sua (surpreendente) versão originada que foi parar no cinema? “Let My Baby Ride” era originalmente um blues sujão e meio dançante lançado em 1998 por R.L. Burnside, bluesman originário do Delta do Mississippi, no disco Come on In – álbum em que o músico de 71 anos flertou com a música eletrônica e outras sonoridades contemporâneas. Em 2012, a canção apareceu na trilha sonora do maluquíssimo (e imperdível) filme francês Holy Motors, do diretor Leos Carax. E em sua encarnação cinematográfica “Let My Baby Ride” praticamente renasceu com a adaptação feita pelo músico francês Doctor L. As guitarras ásperas de Burnside dão lugar a uma “orquestra” de acordeons tocados por um grupo misterioso liderado pelo multi-personagem interpretado pelo ator Denis Lavant durante o interlúdio musical da trama – uma das cenas mais impactantes de Holy Motors. Vale o confere! E  se você ainda não assistiu ao filme, não se preocupe, não é nenhum spoiler.

ORIGINAL – R.L. BURNSIDE – LET MY BABY RIDE (1998)

ORIGINADA – DOCTOR L / HOLY MOTORS SOUNDTRACK – LET MY BABY RIDE (2012)

Originais & Originados – Caetano Veloso x Magic Numbers (“You Don’t Know Me”)

Caetano Veloso: às vezes a gente esquece que a música brasileira influenciou muita gente por aí ao longo da história

Caetano Veloso: às vezes a gente esquece que a música brasileira influenciou muita gente

Às vezes a gente esquece que a música brasileira influenciou muita gente por aí ao longo da história. Pois o caso a seguir é um lembrete.

You Don’t Know Me“, uma das mais poderosas músicas do aclamadíssimo álbum Transa (1972), de Caetano Veloso – gravado durante o exílio do tropicalista em Londres -, rendeu um tributo do quarteto inglês Magic Numbers (também conhecido, injusta e superficialmente, como “a banda dos gordinhos”) em um disco-homenagem aos 70 anos de Caetano lançado em 2012.

Não sei qual a sua opinião, mas acho que os gringos fizeram por merecer, principalmente pelo esforço em cantar os trechos em português. Vale o confere!

ORIGINAL – CAETANO VELOSO – YOU DON’T KNOW ME (1972)

 

ORIGINADA – MAGIC NUMBERS – YOU DON’T KNOW ME (2012)

Especial – Carnaval – Strange Music, “Doce” (2013)

Strange Music, "Doce" (2013): um misto de carimbó com o rock alternativo eletrônico/orgânico que é a marca registrada da banda

Strange Music, “Doce” (2013): um misto de carimbó com o rock alternativo eletrônico/orgânico que é a marca registrada da banda

Pra homenagear o carnaval – mas nem tanto -, a Strange Music (também conhecida como “a banda d’O musicólogo”) soltou por esses dias o primeiro som gravado pelo trio depois do lançamento do álbum Música Estranha (2012). “Doce” (que traz vocais – em português! – de Juliano Domingues) é um misto de carimbó com o rock alternativo eletrônico/orgânico que é a marca registrada da banda. Se você está carente de suingue mas não está com coragem de cair no samba, esse é o canal! Bom remelexo pra você!

Ah, o download da faixa é liberadíssimo, seguindo a tradição de todos os lançamentos da Strange Music! ENJOY!

Time Capsule – Françoise Hardy, “Le Temps de L’Amour” (1962)

Françoise Hardy: "o tempo do amor"

Françoise Hardy: “o tempo do amor”

Essa chanson pegada da década de 1960 (sente o baixo, só sente…) acabou trazida de volta à pauta por integrar a trilha sonora do filme Moonrise Kingdom (2012), de Wes Anderson – embora eu esteja aqui me rasgando tentando lembrar em qual outro filme/série atual eu ouvi esse som esses dias (com certeza não foi no Moonrise Kingdom porque eu sei [com a confirmação de testemunhas] que dormi antes da cena em que a música se faz presente na película do diretor do ótimo A Vida Marinha com Steve Zissou). De qualquer maneira, vale o remember/confere.

Le Temps De L’Amour

C’est le temps de l’amour
Le temps des copains
Et de l’aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures
Car le temps de l’amour
C’est long et c’est court
Ça dure toujours
On s’en souvient
On se dit qu’à vingt ans
On est le roi du monde
Et qu’éternellement
Il y aura dans nos yeux
Tout le ciel bleu
C’est le temps de l’amour
Le temps des copains
Et de l’aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures
Car le temps de l’amour
Ça vous met au cœur
Beaucoup de chaleur
Et de bonheur
Un beau jour c’est l’amour
Et le cœur bat plus vite
Car la vie suit son cours
Et l’on est tout heureux
D’être amoureux
C’est le temps de l’amour
Le temps des copains
Et de l’aventure
Quand le temps va et vient
On ne pense à rien
Malgré ses blessures
Car le temps de l’amour
C’est long et c’est court
Ça dure toujours
On s’en souvient
On s’en souvient
On s’en souvient
Car le temps de l’amour
C’est long et c’est court
Ça dure toujours
On s’en souvient
On s’en souvient
On s’en souvient


O Tempo do Amor

É o tempo do amor
O tempo dos amigos
E da aventura
Quando o tempo vai e vem
Nós não pensamos de nada
Apesar das feridas dele
Porque o tempo do amor
É longo e é curto
Que sempre último
Nós nos lembramos disto
Nós dizemos a nós mesmos que em vinte anos
Nós somos o rei do mundo
E que eternamente
Haverá em nossos olhos
Todo o céu azul
É o tempo do amor
O tempo dos amigos
E da aventura
Quando o tempo vai e vem
Nós não pensamos de nada
Apesar das feridas dele
Porque o tempo do amor
Isso o põe no coração
Muito calor
E de felicidade
Um dia bonito é o amor
E o coração bate mais rapidamente
Porque a vida continua
E nós estamos bastante contentes
Para estar apaixonado
É o tempo do amor
O tempo dos amigos
E da aventura
Quando o tempo vai e vem
Nós não pensamos de nada
Apesar das feridas dele
Porque o tempo do amor
É longo e é curto
Que sempre último
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto
Porque o tempo do amor
É longo e é curto
Que sempre último
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto
Nós nos lembramos disto