Vídeo da semana – Cat Power, “Manhattan” (clipe do álbum Sun)

Cena do clipe de "Manhattan": Cat Power de rolê pelo coração de NY

Cena do clipe de “Manhattan”: Cat Power de rolê pelo coração de NY

Chan Marshal, a.k.a. Cat Power, acabou de lançar o segundo clipe de seu último disco – Sun (2012). A música escolhida foi a bonitinha “Manhattan“, que acabou videografada com um passeio gostoso da bela Chan (com seu novo visual de cabelo curtinho e descolorido) pela ilha/bairro novaiorquino que dá nome à canção. Veja também o primeiro clipe do disco, “Cherokee”, e a resenha do álbum aqui n’O musicólogo.

Lista – As 10 melhores músicas de 2012

As 10 melhores músicas de 2012: o que de melhor rolou na música de acordo com o musicólogo

As 10 melhores músicas de 2012: o que de melhor rolou na música de acordo com o musicólogo

Adiei até o limite. No momento em que escrevo, 2013 já está batendo à porta. É, chegou a hora de fazer mais uma daquelas famigeradas listas de final de ano. Então, antes que estourem a primeira garrafa de champanhe, aqui vão as 10 melhores músicas de 2012 na opinião do musicólogo:

10-) “Amanaemonesia” – Chairlift

Quando o Chairlift pintou aqui no blog esse som foi um dos destaques. Animada, meio destrambelhada e extremamente viçosa. Um bom jeito de começar a festa de Réveillon.

09-) “Summer Smoke” – Cemeteries

Essa fantasmagórica e bela canção é uma das coisas mais legais que Kyle J. Reigle e o seu Cemeteries já fez. Leia mais sobre esse rapaz de Buffalo, NY, aqui mesmo n’O musicólogo.

08-) “Drunken Soldier” – Dave Matthews Band

Esse épico meio progressivo da Dave Matthews Band apareceu por aqui quando falei do (ótimo) último disco deles, Away From the WorldUm baita som.

07-) “Gun Has No Trigger” – Dirty Projectors

Não tive tempo de resenhar o sexto álbum do Dirty Projectors (Swing Lo Magellan), e por isso essa desesperadora e bela canção (com um clipe igualmente impactante, porém simples) não apareceu no blog durante o ano. Compenso agora.

06-) “Cherokee” – Cat Power

A música que talvez melhor represente a transição de Chan Marshal (aka Cat Power) para uma sonoridade mais “modernosa” em seu último álbum (Sun).

05-) “Oblivion” – Grimes

Putz, como foi bom descobrir a Grimes em 2012. E “Oblivion” parece representar um pouquinho da sonoridade e estética que a própria moça já definiu como “post-internet”.

04-) “Only for You” – Heartless Bastards

Essa aqui eu descobri aos 45 do segundo tempo graças ao ótimo MúsicaPavê, então, logicamente, não deu tempo pra falar sobre o Heartless Bastards e sua grandiloquente “Only for You”. Destaque absoluto para a voz que ultrapassa qualquer noção de gênero da vocalista e guitarrista (sim, é uma moça) Erika Wennerstrom.

03-) “Breezeblocks” – alt-J (∆)

alt-J (∆) foi, sem dúvida, uma das grandes surpresas de 2012. Que som é esse? Cara… Só ouvindo mesmo.

02-) “Jamburana” – Dona Onete

Também não escrevi sobre Dona Onete em 2012, mas deveria. MESMO. Com mais de 70 anos de idade, essa antiquíssima diva do carimbó paraense gravou pela primeira vez na vida em 2012, acompanhada de uma trupe de músicos competentíssimos. O resultado é um dos melhores discos da música brasileira e mundial no ano (Feitiço Caboclo). E “Jamburana” é uma espécie de hino poderoso e suingado dessa coroação tardia. Treme!

01-) “Will You Love Me” – Matthew E. White

A medalha de ouro dessa lista é muito mais pacata do que se esperaria, mas tem uma força arrebatadora escondida. Escapou do meu radar também, devo confessar. Mas, antes tarde do que nunca e justo na posição mais alta do pódio. Single do primeiro disco do cantor, compositor e arranjador norte-americano Matthew E. White (Big Inner), “Will You Love Me” é um reconfortante abraço, uma infusão de amor em forma de som (desculpe-me a pieguice). Algo que a gente parece mesmo precisar pro ano que vem. Vamos manter esse espírito! Que venha 2013 e, com ele, muitas músicas boas mais!

FELIZ ANO NOVO! 🙂

Vídeo da semana – O clipe de “Cherokee”, de Cat Power

Chan Marshall (a Cat Power) em cena do clipe de "Cherokee": loira, meio cósmica, meio indianista, meio Mad Max

Chan Marshall (a Cat Power) em cena do clipe de “Cherokee”: loira, meio cósmica, meio indianista, meio Mad Max

Enfim saiu o clipe do primeiro single do ótimo Sun (2012), de Cat Power. No vídeo de “Cherokee”, que tem uma trama e uma estética meio cósmica, meio indianista e meio Mad Max (como lembrou o pessoal do Trilhando), Chan aparece loira e metida com uma gangue armada com rifles platinados que parecem ter saído da ficção científica mais chulé. Se a história é bizarra demais, vale pelo som e pelas belas imagens no melhor estilo road movie pós-apocalíptico. Que venham outros!

Resenha – Cat Power, Sun (2012)

Cat Power versão 2012: minha voz ainda é a mesma, mas os meus cabelos - e os meus arranjos -, quanta diferença!

Cat Power versão 2012: minha voz ainda é a mesma, mas os meus cabelos – e os meus arranjos -, quanta diferença!

Capa de Sun (2012), novo álbum de Cat Power

Capa de Sun (2012, Matador), novo álbum de Cat Power

Depois de seis anos sem lançar um disco de canções autorais e pouco tempo depois de terminar um relacionamento de longa data com o ator Giovanni Ribisi, Chan Marshall – mais conhecida pelo seu stage name Cat Power – botou na praça Sun (03 de setembro, Matador), nono álbum de estúdio de sua carreira. E se em 2012 Chan renovou a vida afetiva e até o visual (dá uma olhada nos cabelinhos curtos na foto acima ou no vídeo promocional da faixa “Ruin” abaixo), o que dizer de seu som?

Bem, não seria exagero dizer que Sun é uma das coisas mais originais e contemporâneas que Cat Power já produziu até hoje dentro de sua própria estética particular. Se em The Greatest (2006) era o southern soul que banhava o seu indie rock confessional e melancólico, em Sun são as texturas, programações e efeitos eletrônicos que dão a tônica. Mas tudo sem soar como modismo (se bem que, convenhamos, estamos em 2012) ou frivolidade, e com as composições de Marshall (que, aliás, gravou praticamente tudo sozinha e ainda produziu e mixou, com a ajuda de Philippe Zdar – do Cassius) no centro do show, como de costume. A guinada no formato gerou canções ora perfeitamente dançantes, ora atmosféricas e algo experimentais. A voz da moça continua bela e ronronada como nunca, e a produção se aproveita disso, brincando com overdubs que, por vezes, dão a impressão de que estamos diante de um coral de Chans. E guitarra sempre providencial de Judah Bauer (The Jon Spencer Blues Explosion, com quem Cat Power vem tocando desde 2006) é a cereja do bolo.

Mais uma vez, quem estranhou a mudança de direção de The Greatest vai, de novo, demorar a se habituar com Sun. Mas quem acredita que um artista naturalmente muda de rumos em diferentes momentos de sua trajetória vai, muito provavelmente, curtir as novas paisagens pintadas por Cat Power. O álbum é surpreendentemente mais feliz e otimista do que a média da discografia de Chan, talvez por estar quase finalizado à época do rompimento com Ribisi, que, aliás, apenas dois meses após o fim do relacionamento com a cantora, se casou com a modelo britânica Agyness Deyn – boatos dão conta de que ela apressou o lançamento do disco depois da separação.

Uma última nota a respeito da vida pessoal da força criativa por trás de Cat Power: “Nothin’ But Time”, uma das mais poderosas canções do novo trabalho – com seus épicos 10 minutos e 55 segundos e a participação discreta de Iggy Pop nos vocais lá pelas tantas -, é dedicada à filha adolescente de Ribisi, com quem Chan, que não tem filhos, teria desenvolvido uma relação bastante maternal. “You got nothin’ but time/And it ain’t got nothin’ on you”, diz parte da letra, que parece um grande – e belo – discurso de mãe, sem ser piegas.

Em suma, Sun é o retrato de uma artista que cresceu e que – tudo indica – continuará amadurecendo bem. Chan já tem 40 anos, passou por muita coisa desde que saiu de Atlanta (Georgia, EUA) para se tornar a queridinha dos indies de boa parte do mundo, incluindo aí o alcoolismo, as agruras da fama, a depressão e um (quase) casamento que não deu certo. Nesse ponto da carreira é bom vê-la ainda experimentando e buscando novas sonoridades, mas com a segurança de quem já encontrou sua própria voz.


Vídeo da semana – Cat Power (featuring Manny Pacquiao), “King Rides By”

Imagem do clipe King Rides By, de Cat Power, com o boxeador Manny Pacquiao

Imagem do clipe King Rides By, de Cat Power, com o boxeador Manny Pacquiao: porrada cadenciada

A lindíssima Cat Power, dona do ronronado mais hipnotizante ao norte do Equador, deu mais uma dentro. Pegou uma música esquecida de sua discografia (“King Rides By”, do disco What Would the Community Think, 1996) deu uma bela repaginada, chamou o boxeador-sensação filipino Manny Pacquiao e montou um dos clipes mais belos dos últimos tempos. Nada além de Pacquiao espancando (em câmera lenta) um speed ball ao som marcial e espectral da música. A faixa e o vídeo saíram em dezembro de 2011, e o lançamento tem caráter filantrópico – a faixa pode ser baixada por US$ 0,99 (valor mínimo) no site da cantora, e toda a verba arrecada será revertida a instituições apoiadas por Chan Marshal (nome verdadeiro de Cat) e Pacquiao. Ouça também a versão original da música pra ver os efeitos da plástica.