Originais & Originados – Aphex Twin (1992) x Die Antwoord (2014) – “Ageispolis” / “Ugly Boy”

Com "Ugly Boy", do disco Donker Mag (2014), o duo sul-africano calculadamente freaky Die Antwoord ressuscitou a paulada de ambient techno do mago Aphex Twin "Ageispolis" (Selected Ambient Works 85-92; 1992).

Com “Ugly Boy”, do disco Donker Mag (2014), o duo sul-africano calculadamente freaky Die Antwoord ressuscitou a paulada de ambient techno do mago Aphex Twin “Ageispolis” (Selected Ambient Works 85-92; 1992).

Com “Ugly Boy”, do disco Donker Mag (2014), o duo sul-africano calculadamente freaky Die Antwoord ressuscitou a paulada de ambient techno do mago Aphex Twin “Ageispolis” (Selected Ambient Works 85-92; 1992). As rimas de Ninja e Yo-Landi ViSSer temperam a cama eletrônica arrumada há quase 20 anos pelo inglês Richard D. James. E Não posso dizer que a combinação não funcionou. Será que as demais criações de Aphex Twin poderiam se beneficiar desse update?

ORIGINAL – APHEX TWIN – AGEISPOLIS (1992)

 

ORIGINADA – DIE ANTWOORD – UGLY BOY (2014)

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Vídeo da semana – Die Antwoord, “Fok Julle Naaiers”

Cena do vídeo Fok Julle Naaiers, do Die Antwoord

Cena do vídeo da música Fok Julle Naaiers, do Die Antwoord: o que é o belo?

“O que é o belo?” Essa parece ser a pergunta que brota no cérebro de quem assiste ao último vídeo (lançado no final de 2011) do grupo sul africano de hip hop Die Antwoord. A trupe, comandada pelo ameaçador vocalista Ninja (persona musical de Watkin Tudor Jones) e pela estranha e sedutora Yo-Landi Vi$$er (Yolandi Visser), usa e abusa da estética zef (palavra derivada do africâner), que significa algo como “pobre, mas sexy ou estiloso”, e no clipe de “Fok Julle Naaiers” (Fuck All You Fuckers, em inglês) isso é levado às últimas consequências, com uma pitada dark.

Enquanto Vi$$er e Ninja enchem a boca para xingar a tudo e a todos com uma rima cheia de “trrrrr’s” por conta do sotaque, somos brindados com imagens sombrias em preto e branco – em sua maioria close-ups repletos de detalhes incômodos de pessoas que passam longe do padrão de beleza imposto pela indústria cultural. Some-se a isso a aflição de ver as tatuagens mal feitas e o cavanhaque bizarro de Ninja muito mais de perto do que qualquer um gostaria e Vi$$er coberta de mariposas e borboletas (até mesmo na boca e nos olhos), além do final medonho (MC Rascunho do Mapa do Inferno?) e tem-se um clássico instantâneo. Tão feio-estilizado (zef, afinal) que fica lindo e hipnotizante.

Não era de se esperar menos, afinal, desde isso aqui (meio que um manifesto filmado do tal do zef), cada lançamento do Die Antwoord promete nos deixar alegremente atônitos. Mal posso esperar pelos próximos.

FOK JULLE NAAIERS from Die Antwoord on Vimeo.