Da estante: Magic Time (2005), Van Morrison

Capa do disco Magic Time (2005) de Van Morrison

Magic Time: tempo de se apaixonar pelo monstro Van Morrison

Eu poderia escrever páginas e páginas sobre Van Morrison. O irlandês que desde os anos 1960 encanta o mundo como o flautista de Hamelin com sua voz potente, limpa e de timbres pouco comuns tem uma discografia repleta de pedras preciosas (e aqui é preciso citar a “dupla”  imbatível Astral Weeks, 1968, e Moondance, 1970), mas foi um disco do improvável ano de 2005 que me fisgou e abriu as portas para o mundo maravilhoso desse blue-eyed soul singer.

Magic Time tem um pouquinho de cada coisa que Morrison já fez (soul, blues, jazz, folk), com um tempero celta que adoça os ouvidos na maior parte do tempo. E talvez o que mais impressione seja o fato que, então com 60 anos, o cantor se manteve virtualmente à margem de qualquer influência mais recente ao mesmo tempo em que conseguiu soar absolutamente atual (ouça o disco em 2012 e você terá a mesma sensação), além de se manter apto a disparar vocalizações que deixariam muitos moleques de 20 anos sem fôlego!

Não pra recomendar esse disco o suficiente. Só escutando mesmo. Comece pela seleção que trago aqui embaixo. Destaque para a inteligência e musicalidade dramática de “Just Like Greta“, que pega emprestada a história da atriz sueca Greta Garbo – dona da famosa frase “I want to be alone” – para colorir um pouco mais a própria fama de “diva” reclusa de Morrison.