Vídeo da semana – Haim, “Forever” (2012)

Cena do clipe de "Forever", do trio Haim: meninas descompromissadamente bonitas e boas de som

Cena do clipe de “Forever”, do trio Haim: meninas descompromissadamente bonitas e boas de som

Apesar de ter aparecido no ano passado, o vídeo abaixo poderia dividir com o Novidadeiro a categoria em que foi incluído aqui no blog. O Haim (pronuncia-se ráim) é um trio  relativamente novo, formado por três irmãs de Los Angeles (CA, EUA), que faz um som que vai do folk ao R&B com bastante influência oitentista. E o nome escolhido para batizar a banda nada mais é que o sobrenome de Este (nascida em 1986), Danielle (de 1989) e Alana (1991), as irmãs Haim.

As três garotas, acompanhadas pelo baterista Dash Hutton, já conseguiram chamar a atenção da mídia especializada mundial, embora ainda não tenham nem lançado um álbum inteiro (até agora foram apenas dois EPs, ambos de 2012). Mas foi com o simples e belo clipe de “Forever” (principal hit do grupo até agora), que também saiu em 2012, que elas conseguiram a minha atenção. Topei com o vídeo esta semana e já assisti inúmeras vezes. Além da beleza desinteressada das irmãs Halim, o maior mérito do clipe é, claro, mostrar o empolgante som que elas fazem. Pra propósitos pedagógicos dá pra chamar de power pop meio funkeado com ecos oitentistas e um sotaque particular bastante pronunciado.

Sem mais delongas, dê o PLAY aí abaixo e confira por si mesmo!

 

De bônus fica também uma apresentação das moças ao vivo no Later… with Jools Holland, agora em abril. Já dá pra sacar que, se continuarem inspiradas, elas vão longe.

 

Selo Jools Holland de Qualidade

Da estante – Humbug (2009), Arctic Monkeys

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela "molecada" acabou crescendo

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela “molecada” acabou crescendo

Pra esse Da estante resolvi tirar o pó de um álbum relativamente recente, mas que gosto de imaginar como uma das futuras referências pra quando a “crítica especializada” resolver olhar para as consequências da (de certa forma superdimensionada) “invasão indie” que se deu no mundo da música comercial a partir dos anos 2000.  Um pequeno retrato do momento impreciso da história em que aquela molecada – que foi alçada, quase sem escalas, da posição de fenômenos circunscritos a guetos georreferenciados da internet a alvos apropriados para a versão contemporânea da etiqueta mainstream “salvadores do rock” – acabou crescendo e fazendo escolhas muitas vezes diametralmente opostas aos próprios contornos estético-musicais que serviram de cola pro hype desmedido no qual se banharam – voluntariamente ou não.

Feita a justificativa – e, embora eu não precise de nenhuma, faço-a em consideração (daquela típica dos comparsas) ao querido e raro leitor -, antes de começar a narrativa só quero dizer que resgato aqui recortes devidamente atualizados de análise feita anteriormente – quando de pertinência cronológica relacionada ao próprio lançamento do álbum em questão – em outras paragens.

E então vamos:

Não é sempre que uma banda que você no máximo odeia e no mínimo não gosta surpreende desse tanto. Confesso que – até então (final de 2009) – nunca tinha escutado um disco do Arctic Monkeys do começo ao fim. Na única oportunidade em que os vi ao vivo – no infame Tim Festival 2007 – eu estava sentado no chão do abominável Anhembi, em São Paulo, deveras desinteressado, me recuperando do show da Björk, que a então companheira fez questão de assistir NA GRADE. Bem, passados dois anos, tive que dar o braço a torcer.

A pulga já tinha se instalado atrás da orelha quando soube que quem tinha produzido Humbug (2009), terceiro registro fonográfico do quarteto inglês, era Josh Homme, a cabeça por trás do Queens of the Stone Age. Depois que vi o vídeo da banda tocando “Pretty Visitors” ao vivo na MTV inglesa (abaixo), então, tive que gastar alguns dias procurando o novo disco pra baixar.

A evolução dos – até então, na minha cabeça – “moleques” de Sheffield (UK) soava impressionante. De petardos adolescentes anteriores, como “I Bet You Look Good On The Dance Floor“, para canções com estrutura bem mais intrincada e certo arrojo, como a então novidade “Dangerous Animals” (abaixo) e a já citada “Pretty Visitors”. E tudo isso em pouco mais de três anos e dois discos lançados.

A música que me ganhou, no entanto, foi a segunda faixa de Humbug, “Crying Lightning” (vídeo abaixo). No meu entendimento, ali já ficava clara a influência velada de Josh Homme – nos riffs meio stoner, nos solos setentistas e nas viradas psicóticas de bateria. Além do que, a cadência vocal de Alex Turner finalmente parecia valer a pena, e as letras começavam a ir mais longe do que coisas brutas como “fiquei bêbado a noite passada e blábláblá…” (perdoe-me o exagero).

O disco tinha até espaço para uma baladinha singela que foi um verdadeiro soco no estômago. “Cornerstone” (abaixo) foi um exemplo de como a poesia de Turner cresceu. “She was close / close enough to be your ghost / but my chances turned to toast when I asked her / if I could call her your name“.

Enfim… Humbug pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época. Eu não dei e continuo não dando a mínima. Pra mim era como se fosse o primeiro trabalho deles. “E que venham outros”, pensei (dois anos mais tarde, em 2011, eles lançariam o bonzinho Suck It and See, que, de certa forma, seguiu um pouco a pegada de Humbug, mas com um resultado muito mais “flat” e muito menos envolvente – um disco facilmente “esquecível”, infelizmente). Tudo o que eu queria, naquele recorte do espaço-tempo, era que os “macacos do Ártico” voltassem a nos brindar, dali para a frente, com pérolas como essa:

Novidadeiro – alt-J (∆)

alt-J (∆): nome nerd e incenso precoce da mídia especializada

alt-J (∆): nome nerd e incenso precoce da mídia especializada

Ok, ok. Primeiro preciso dizer que muita gente já anda falando do alt-J (∆) pelo menos desde maio desse ano. É que, com as férias que o musicólogo resolveu tirar deste blog (sem avisar ninguém, diga-se de passagem), eu perdi a oportunidade de falar em primeira mão desse quarteto inglês que, com/antes mesmo de seu debute, An Awesome Wave (junho de 2012), provocou uma das maiores rasgações de seda da mídia indie-especializada desde, digamos, The Rapture. E tudo isso, frise-se, apenas com um álbum de pouco menos de 50 minutos de duração (incluindo aí a já manjada “hidden track”).

Levando o nome de um atalho de Mac (a combinação das teclas “Alt” e “J”, que resulta em um triângulo; dá pra ser mais indie/hipster/nerd/geek do que isso?), o alt-J (∆) faz um som diferentão do que costuma-se ver nas listas do NME, por exemplo, e bem acima da média. A mistura estranha, porém melodiosa, de folk, indie rock e corais quase religiosos é um golpe de ar fresco pra quem procura por sonoridades diferentes – destacando-se aí, além da bela instrumentação, os vocais exóticos do frontman Joe Newman. Já ouvi por aí que os caras JÁ (é, JÁ) estão sendo comparados com o Radiohead. Bom, além de dizer que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, fica a esperança de que o hype não arruíne MAIS UMA bela promessa de inovação.

Chega de papo e vá ouvir o som! Começando por “Breezeblocks”, cujo clipe (que vi no ótimo MúsicaPavê) me chamou a atenção – e me fez conhecer a banda – com seu enredo de trás pra frente e desfecho/início impressionante.

Novidadeiro – Grimes

Grimes: indie eletrônico com a cara da música de hoje

Grimes: indie eletrônico com a cara da música de hoje

Eu tinha outra pauta pra hoje, mas o musicólogo me encheu tanto o saco com essa garota que tive que mudar meus planos. Bem, a mocinha aí da foto é a canadense Claire Boucher, mais conhecida como Grimes. Com apenas 23 anos de idade ela é mais nova sensação do universo indie/eletrônico lá fora, e aos poucos começa a conquistar o gosto dos novidadeiros brasileiros.

Na ativa desde pelos menos 2011 ela acaba de lançar seu quarto álbum, Visions (2012; 4AD), em que amadurece o estilo desenvolvido nos trabalhos anteriores: um dream pop carregado de sintetizadores e efeitos vocais, emoldurado por batidas eletrônicas fortes – e muitas vezes extremamente dançantes – a “cara” da música pop de hoje.

Talvez o mais surpreendente, dada a qualidade do som, seja descobrir que a moça faz tudo sozinha – ao menos ao vivo, ocasiões em que pilota uma aparelhagem cheia de traquitanas eletrônicas e um microfone para canalizar sua voz lírica e meio alienígena.

Ah, o musicólogo mandou avisar que “desde o Broadcast” ele não se surpreende tanto com um som. Descubra o motivo a seguir.

Novidadeiro – Regina

Regina: trio de indie pop finlandês é a trilha sonora perfeita pra sonhar acordado

Como a bela imagem aí de cima demorou uma década pra carregar, vou ser econômico nas palavras. Regina é um trio de indie/dream pop finlandês que descobri esses dias, quando baixei o último disco deles, Soita Mulle, de 2011. Embora eu não entenda nada de finlandês, isso não me impediu de apreciar o som deles, que se parece bastante com um Cocteau Twins mais acelerado.

A voz onírica da vocalista Iisa Pykäri é o grande destaque aqui, e uma das principais razões de a língua não ser uma barreira pra curtir as nove faixas viajantes de Soita Mulle, que é o quinto álbum do Regina (o primeiro, Amorosa, é de 2002). Mas chega de papo. Ouça e relaxe…

Novidadeiro – Other Lives

Other Lives: hippie chic e folk atmosférico

Other Lives: hippie chic e folk atmosférico

O que falar dessa invasão de bandas neo hippie? Já não basta o Edward Sharpe and The Magnetic Zeros e a hipercompartilhada “Home“. Agora me surgem esses tipos aí de cima (até que bem cortados, no click em questão).  Mas não se engane pela foto arrumadinha: a Other Lives podia muito bem ser uma banda da fase mais psicodélica dos anos 1970. Norte-americanos, eles começaram em 2004, como uma banda instrumental chamada Kunek, e eventualmente, colocaram vocais na parada – do bandleader e violonista/tecladista Jesse Tabish (diz aí se não é nome Flower Power?).

O primeiro disco – homônimo – saiu em 2009, mas foi só com Tamer Animals (2011) que ganharam atenção dos novidadeiros de plantão. O som dos caras é meio folk mas com uma pegada bastante atmosférica, que faz muitas das canções parecerem feitas sob encomenda para a trilha sonora de algum filme ambientado em campos ou montanhas norte-americanas. E pra se ter uma ideia de como eles estão com bala na agulha, ouvi dizer que o Radiohead chamou os caras pra abrir os shows da última turnê. Precisa de mais motivos pra ouvir, nem que seja pra torcer o nariz?




Novidadeiro – Strange Music e o clipe de “Nova em Março”

Imagem do clipe da música "Nova em Março", da banda Strange Music

Imagem do clipe da música "Nova em Março", da banda Strange Music

Novidadeiro tem um grande defeito: costuma ignorar o que está bem debaixo do seu próprio nariz. Explico. Nós, que nos orgulhamos de descobrir bandas antes de qualquer major ou crítico musical mainstream, temos a tendência a não prestar atenção à produção musical de amigos e conhecidos. Não, a graça está em falar sobre bandas da Inglaterra, Suécia, Somália… Acaba que deixamos passar batido coisas realmente boas só porque conhecemos um ou mais dos integrantes da parada.

Contrariando a classe, vou corrigir – pelo menos uma vez – essa minha falha genética músico-comportamental e falar da Strange Music, banda de indie rock e lounge  eletrônico/orgânico do meu caro amigo dono do blog, o Musicólogo em pessoa. Os caras estão na lida desde 2006, já lançaram dois discos e um EP de forma totalmente independente, e para o quarto trabalho, o álbum “Música Estranha” (2011/2012), estão apostando em lançamentos sem suporte físico (CDs, discos) e colocando tudo de graça direto na internet. E neste último final de semana eles me saíram com esse clipe bonitão para a música “Nova em Março”, uma das faixas do novo trampo.

O vídeo foi todo feito com imagens captadas pela diretora Catrin Hedström, que bolou o projeto “They Call Us/Animals” depois que uma banda desistiu de fazer um clipe com ela, e editado pelo Julio Cesar Saez Moreno, comparsa da banda que fez um trabalho foda e totalmente adaptado ao clima da música. Curiosamente, não é só o clipe de “Nova em Março” que traz um trabalho de mixagem, já que a própria faixa contém vocais eletronicamente alterados e resampleados do soulman Smokey Robinson. Adivinhe de que música eles vêm e o novidadeiro aqui te dá um doce.

Sem mais delongas, vamos ver o trabalho dos meninos. E se você gostar, visite o site oficial ou a página do Facebook da banda pra ouvir mais sons!