Time capsule – Mungo Jerry – “In the Summertime” (1970)

Mungo Jerry: a banda setentista de blues rock foi colocada no mapa pelo hit "In the Summertime", música que acabaria eclipsando tudo mais que os músicos produzissem depois

Mungo Jerry: a banda setentista de blues rock foi colocada no mapa pelo hit “In the Summertime”, música que acabaria eclipsando tudo mais que os músicos produzissem depois

Fora da Inglaterra, sua terra natal, a banda setentista de blues rock Mungo Jerry (que nome!) é conhecida quase que exclusivamente por seu único hit, “In the Summertime” – um belo exemplo daquilo que costuma-se chamar de “one-hit wonder”. Embora o grupo liderado pelo compositor, guitarrista e vocalista Ray Dorset tenha sido musicalmente sólido e registrado uma produção consistente ao longo de toda a década de 1970, foi mesmo a despretensiosa e divertida canção que celebrava as delícias do verão que colocou a banda nos anais da música – a faixa é conhecida até hoje, mesmo por ouvintes nascidos bem depois da época em que ela foi lançada -, ao mesmo tempo em que eclipsou para a grande audiência tudo mais que os músicos fizessem depois.

 

Mungo Jerry – In the Summertime (1970)

In the summertime when the weather’s high,
You can stretch right up and touch the sky,
When the weather’s fine,
You got women, you got women on your mind.
Have a drink, have a drive,
Go out and see what you can find.
If her daddy’s rich, take her out for a meal.
If her daddy’s poor, just do what you feel.
Speed along the land,
Do a ton, or a ton and twentyfive.
When the sun goes down, you can make it,
Make it good in a lay-by.
We’re not grey people, we’re not dirty, we’re not mean.
We love everybody, but we do as we please.
When the weather’s fine
We go fishing or go swimming in the sea.
We’re always happy,
Live’s for living, yeah, that’s our philosophy.
Sing along with us, dee-dee-dee-dee-dee.
Da-da-da-da-da…
Yeah, we’re happy happy, da-da-da-da-dah.
When the winter’s here, then it’s party time.
Bring a bottle,
Wear your bright clothes. it’ll soon be summertime.
And we’ll sing again,
We’ll go drivin’ or maybe we’ll settle down.
If she’s rich, if she’s nice,
Bring you’re friends and we’ll all go into town.

Da estante – Humbug (2009), Arctic Monkeys

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela "molecada" acabou crescendo

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela “molecada” acabou crescendo

Pra esse Da estante resolvi tirar o pó de um álbum relativamente recente, mas que gosto de imaginar como uma das futuras referências pra quando a “crítica especializada” resolver olhar para as consequências da (de certa forma superdimensionada) “invasão indie” que se deu no mundo da música comercial a partir dos anos 2000.  Um pequeno retrato do momento impreciso da história em que aquela molecada – que foi alçada, quase sem escalas, da posição de fenômenos circunscritos a guetos georreferenciados da internet a alvos apropriados para a versão contemporânea da etiqueta mainstream “salvadores do rock” – acabou crescendo e fazendo escolhas muitas vezes diametralmente opostas aos próprios contornos estético-musicais que serviram de cola pro hype desmedido no qual se banharam – voluntariamente ou não.

Feita a justificativa – e, embora eu não precise de nenhuma, faço-a em consideração (daquela típica dos comparsas) ao querido e raro leitor -, antes de começar a narrativa só quero dizer que resgato aqui recortes devidamente atualizados de análise feita anteriormente – quando de pertinência cronológica relacionada ao próprio lançamento do álbum em questão – em outras paragens.

E então vamos:

Não é sempre que uma banda que você no máximo odeia e no mínimo não gosta surpreende desse tanto. Confesso que – até então (final de 2009) – nunca tinha escutado um disco do Arctic Monkeys do começo ao fim. Na única oportunidade em que os vi ao vivo – no infame Tim Festival 2007 – eu estava sentado no chão do abominável Anhembi, em São Paulo, deveras desinteressado, me recuperando do show da Björk, que a então companheira fez questão de assistir NA GRADE. Bem, passados dois anos, tive que dar o braço a torcer.

A pulga já tinha se instalado atrás da orelha quando soube que quem tinha produzido Humbug (2009), terceiro registro fonográfico do quarteto inglês, era Josh Homme, a cabeça por trás do Queens of the Stone Age. Depois que vi o vídeo da banda tocando “Pretty Visitors” ao vivo na MTV inglesa (abaixo), então, tive que gastar alguns dias procurando o novo disco pra baixar.

A evolução dos – até então, na minha cabeça – “moleques” de Sheffield (UK) soava impressionante. De petardos adolescentes anteriores, como “I Bet You Look Good On The Dance Floor“, para canções com estrutura bem mais intrincada e certo arrojo, como a então novidade “Dangerous Animals” (abaixo) e a já citada “Pretty Visitors”. E tudo isso em pouco mais de três anos e dois discos lançados.

A música que me ganhou, no entanto, foi a segunda faixa de Humbug, “Crying Lightning” (vídeo abaixo). No meu entendimento, ali já ficava clara a influência velada de Josh Homme – nos riffs meio stoner, nos solos setentistas e nas viradas psicóticas de bateria. Além do que, a cadência vocal de Alex Turner finalmente parecia valer a pena, e as letras começavam a ir mais longe do que coisas brutas como “fiquei bêbado a noite passada e blábláblá…” (perdoe-me o exagero).

O disco tinha até espaço para uma baladinha singela que foi um verdadeiro soco no estômago. “Cornerstone” (abaixo) foi um exemplo de como a poesia de Turner cresceu. “She was close / close enough to be your ghost / but my chances turned to toast when I asked her / if I could call her your name“.

Enfim… Humbug pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época. Eu não dei e continuo não dando a mínima. Pra mim era como se fosse o primeiro trabalho deles. “E que venham outros”, pensei (dois anos mais tarde, em 2011, eles lançariam o bonzinho Suck It and See, que, de certa forma, seguiu um pouco a pegada de Humbug, mas com um resultado muito mais “flat” e muito menos envolvente – um disco facilmente “esquecível”, infelizmente). Tudo o que eu queria, naquele recorte do espaço-tempo, era que os “macacos do Ártico” voltassem a nos brindar, dali para a frente, com pérolas como essa: