Lista – 10 músicas para ouvir durante o sexo

10 músicas para ouvir durante o sexo

Antes de mais nada, deixa eu dizer que essa lista foi praticamente encomendada pelo pessoal do popularíssimo blog Somente Coisas Legais, que estava bastante a fim de divulgar uma seleção desse naipe. Some-se a isso o fato de que rankings de quase qualquer espécie parecem atrair muita atenção na internet e de que sexo é um chamariz universal e temos aí mais um post gloriosamente destinado ao sucesso – e extremamente carregado de hormônios.

Bem, para aqueles que querem se aprimorar na lida, novos truques são sempre bem-vindos. E uma playlist cuidadosamente escolhida pode, comprovadamente, ajudar a esquentar as coisas e criar um clima bacana  para aqueles momentos íntimos, por assim dizer.

Apresento-lhes, então, dez músicas para se ouvir durante o sexo (sempre torcendo, no entanto, para que a brincadeira dure ainda mais que isso). Ao final do post você também encontra a playlist já montada na sequência para o seu maior conforto!

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10-) Portishead – “Glory Box” (1994)

A canção que, de certa forma, resume o trip-hop do Portishead é muito provavelmente uma das músicas mais sexy de todos os tempos. Abrindo o “show” com essa você já larga com vantagem.

09-) The Beatles – “I Want You (She’s So Heavy)” (1969)

Já provei antes que os Beatles fizeram, sim, músicas bastante sensuais. E essa é uma das mais poderosas entre elas. Praticamente uma carta de intenções em forma de som.

08-) Lou Reed – “Walk on the Wild Side” (1972)

Quem poderia imaginar que o errático e eterno “poeta junkie” Lou Reed seria uma boa escolha (principalmente enquanto ainda estamos nas preliminares)? Eu não acreditava na eficiência do cara até comprovar.

07-) Chris Isaak – “Wicked Game” (1989)

Ok, essa é clichê até não poder mais, além de te fazer correr o risco de simplesmente ter que parar tudo pra pensar “Afinal, por que diabos ele resolveu mandar essa modulação vocal bizarra no refrão? O que ele estava pensando?“. Mas, vale o risco, afinal, o único sucesso digno de menção da carreira do Chris Isaak é um clássico absoluto da sacanagem.

06-) The Zombies – “Time of the Season” (1968)

Apesar de seu nome mórbido, a banda deve ter embalado vários amassos com este hit da década de 1960. “It’s the time of the season for loving!“.

05-) Divinyls – “I Touch Myself” (1991)

Segunda one hit wonder da lista, as Divinyls botaram o mundo pra cantar versos safados como “I love myself / I want you to love / When I feel down / I want you above me“. Ao ouvi-la, no entanto, cuidado pra não levar muito a sério a mensagem principal da canção e deixar ninguém “na mão”.

04-) Luther Vandross – “Never Too Much” (1981) 

Com base no que já rolou até aqui, essa pedrada soul oitentista é até bastante inocente e romântica. Mas o balanço de Luther Vandross é certeiro pra manter o fogo aceso.

03-) George McCrae – “I Get Lifted” (1974) 

Esse “funkeiro” da Flórida conseguiu criar uma das canções mais sexy dos anos 1970. Preste atenção no rebolado do baixo, se conseguir. “Girl, I can tell ya’, you turn me on“, declama nosso terceiro lugar. Pois é…

02-) Marvin Gaye – “Sexual Healing” (1982)

Tava demorando, né? Mas, enfim, ele apareceu. Medalha de prata para a escancarada celebração das, hummm, “propriedades terapêuticas” do lovemanking criada pelo absoluto e inconfundível Marvin Gaye. Ah, depois não deixe de conferir também a despretensiosa versão do Soul Asylum (aquela de “Runaway Train“).

01-) Marvin Gaye – “Let’s Get it On” (1973)

Olha, eu juro que tentei fazer diferente, mas não tem pra ninguém! É Mr. Gaye na cabeça, de novo! Ouro para a canção que praticamente significa sexo. Mesmo absolutamente banalizada por anos e anos de utilização em todo e qualquer momento que minimamente sugira uma pegação, “Let’s Get it On” é o hino dos amantes, dos cabelos bagunçados, da respiração ofegante, das pernas entrelaçadas, corpos suados, bocas enlouquecidas e suspiros satisfeitos depois do grand finale.


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######### PLAYLIST COMPLETA DAS 10 MÚSICAS PARA OUVIR DURANTE O SEXO – É só dar o play e correr pro abraço!

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***BONUS TRACK – Marvin Gaye – “Keep Gettin’ it On” (1973)

Meu, o cara gostava tanto da coisa que, no disco que trazia o histórico hit acima (batizado com o mesmo nome da faixa, Let’s Get it On, 1973), ele ainda mandou uma espécie de suíte da canção, sugestivamente sugerindo “Keep getting it on“. Uma boa trilha para aquele momento em que se começa a considerar um segundo round. Vai com fé, meu amigo/minha amiga! 😉 And keep getting it on!

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Originais & Originados – King Floyd x Marvin Gaye x Shaggy – “Baby Let me Kiss You” / “Let’s Get it On” / “Boombastic”

Shaggy: nem adianta falar "It wasn't me" - a gente sabe que "Boombastic" tá longe de ser original

Shaggy: nem adianta falar “It wasn’t me” – a gente sabe que “Boombastic” tá longe de ser original

Mais um caso que não se trata exatamente de uma versão pura e simples. Lançada junto com o álbum homônimo em 1995, “Boombastic” fez a cama do jamaicano Shaggy nas paradas de sucesso mundo afora. O ritmo gingado, a voz algo inumana do cantor e o clipe, sensualíssimo para a época, cravaram o lugar do hit na memória de quase todo mundo que tinha acesso à MTV na segunda metade da década de 1990. O que muita gente não percebeu – até hoje -, no entanto, é que esse fenômeno da música pop está longe de ser uma gema completamente original. Excetuando-se a melodia vocal e a letra, “Boombastic” é uma grande colagem de sons criados por grandes artistas de épocas bem anteriores à da Music Television.

Falando cronologicamente, o grosso da canção é sustentado por um sample da base funkeada de “Baby Let Me Kiss You”, música do soulman King Floyd lançada em 1971. Além disso – e o mais surpreendente -, a intro (presente em algumas versões divulgadas da música, mas não a do álbum) e o contagiante refrão são completamente chupinhados de “Let’s Get it On”, a música universal da foda e uma das mais conhecidas canções do troubleman Marvin Gaye. Até os indefectíveis backing vocals “Ooooh, aaaahh” da original estão lá pra comprovar – fora a guitarrinha famosíssima da introdução.

Será que você consegue perceber o “empréstimo” feito por Shaggy? Ouça as três faixas abaixo e tire suas próprias conclusões:

ORIGINAL – BABY LET ME KISS YOU – KING FLOYD (1971)

ORIGINAL – LET’S GET IT ON – MARVIN GAYE (1973)

 

ORIGINADA – BOOMBASTIC – SHAGGY (1995)

Da estante – Here, My Dear (1978), Marvin Gaye

Here, My Dear (1978) - Marvin Gaye

Here, My Dear (1978) - Marvin Gaye: no divórcio do soulman quem mais lucrou foram os fãs

Pouca gente conhece a história desse álbum, mais uma pérola da multiplatinada discografia  do soulman troublemaker Marvin Gaye. Em 1978, em meio ao processo de divórcio de sua primeira mulher (Anna Gordy, filha do fundador da Motown – e patrão de Marvin – Berry Gordy), o cantor arranjou uma saída inusitada pra arcar com os gastos da separação: resolveu gravar um disco cujos dividendos iriam diretamente para sua futura ex-cônjuge (daí o nome “Here, My Dear”, “Aqui, querida” em português).
Diz a lenda que, a princípio, Marvin quis gravar qualquer merda, justamente pra encalhar o disco e pode dar o troco em Anna financeiramente. Mas sua integridade artística falou mais alto e ele decidiu dar tudo de si e ainda usar as músicas para contar a história de sua separação. O resultado foi um dos melhores (e mais subestimados) álbuns de sua carreira – uma obra conceitual sobre o começo, meio e fim de um relacionamento, com canções escancaradamente autobiográficas inicialmente românticas (o começo do relacionamento, no começo do disco) depois raivosas e pessimistas (o meio, o processo conturbado de divórcio, com acusações de traição e brigas pela guarda do filho) e, finalmente, otimistas (0 final, a descoberta de um novo amor – o relacionamento com Janis Hunter, anos mais nova que Gaye, e mulher que inspirou “Let’s Get it On”, antes mesmo do fim do casamento com Anna).
O miolo do encarte (figura abaixo) entrega o clima e a raiva de Marvin à época: um tabuleiro estilo Monopoly ou Banco Imobiliário ilustra o divórcio. De um lado, uma mão  masculina entrega um “disco” e mantém instrumentos musicais e aparelhos de gravação (Gaye) e do outro, uma mão feminina fica com dinheiro, casa e carro (Anna).
Encarte de Here, My Dear (1978): Toma que o disco é seu, "querida".

Encarte de Here, My Dear (1978): Toma que o disco é seu, "querida".

Já pensou se os artistas de hoje fossem assim tão explícitos? Talvez a indústria da música ainda fosse minimamente interessante…