É ruim, mas eu gosto – Marky Mark and the Funky Bunch, “Good Vibrations” (1991)

Cena do clipe de "Good Vibrations" (1991): antes de se tornar o consideravelmente famoso "ator" Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo abaixo era conhecido como Marky Mark, e capitaneava um grupo de pop-rap e dance batizado de "Marky Mark and the Funky Bunch"

Cena do clipe de “Good Vibrations” (1991): antes de se tornar o consideravelmente famoso “ator” Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo era conhecido como Marky Mark e capitaneava um grupo de pop-rap e dance batizado de “Marky Mark and the Funky Bunch”

E tá aí mais uma pérola noventista (ah, são tantas, não?) pra nos envergonharmos de gostar (mas foda-se, evidentemente; estamos aqui pra isso mesmo). Vamos lá:

Antes de se tornar o consideravelmente famoso (e minimamente respeitável) “ator” Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo abaixo era conhecido como Marky Mark (por conta disso até o DJ Marky – antes igualmente chamado de Marky Mark, brasileiro, sucesso na gringa – resolveu mudar de nome). No comecinho dos anos 1990, ele (Wahlberg) comandava uma uma banda de pop-rap e dance chamada Marky Mark and the Funky Bunch (ouch!), que durou só dois álbuns (em 1991 e 1992, mais especificamente). E, olha, essa foi uma fase em que o rapaz (que chegou, posteriormente, a fazer parte do núcleo principal do elenco do filme Os Infiltrados [2006], de Martin Scorsese) parecia ter desistido de vestir qualquer peça de roupa da cintura para cima.

Good Vibrations“, a música mais famosa do grupo (presente no álbum Music for the People, de 1991; veja o vídeo abaixo), é muito ruim, mas também é do caralho: base funkeada e sacolejante, vocal black feminino absolutamente apaixonante no refrão e o insosso rap “de branco” de Marky Mark (que não acrescenta nada, mas também não compromete) recheando a coisa toda.  Enfim, um PLAY absolutamente inocente, dançante, nostálgico e extremamente difícil de admitir pros amigos. Mas não tema! É pra isso que serve essa seção! Plugue o fone, aumente o volume e embarque sem reservas nessa nostalgia. Eu sei que você vai gostar…

É ruim, mas eu gosto – Technotronic, “Pump Up the Jam” (1989)

Technotronic, "Pump Up the Jam" (1989): O visual do clipe é horrendo. O lip sync também. Não vou nem comentar a dança. É tudo muito ruim no vídeo. Mas, da música eu gosto, embora o estilo seja, no mínimo, duvidoso

Technotronic, “Pump Up the Jam” (1989): O visual do clipe é horrendo. O lip sync também. Não vou nem comentar a dança. É tudo muito ruim no vídeo. Mas, da música eu gosto, embora o estilo seja, no mínimo, duvidoso

É com prazer que inauguro mais uma seção aqui no blog: É ruim, mas eu gosto chega pra expor os bons e velhos “guilty pleasures”, aquelas músicas que dão vergonha de admitir que a gente gosta.Aproveitando a presente onda de nostalgia dos anos 1990 – que, há cerca de cinco anos, eu previ que logo aconteceria como uma continuação natural da revisão histórico-musical dos anos 1980 -, trago um exemplo quase definitivo do objetivo dessa seção.

Technotronic, “Pump Up the Jam” (1989)
O visual do clipe é horrendo. O lip sync também. Não vou nem comentar a dança. É tudo muito ruim no vídeo. Mas, da música eu gosto, embora o estilo seja, no mínimo, duvidoso – tanto que, coincidência ou não, um termo que parece corruptela de parte da letra, “Pump It Up!“, virou, em português, o apelido “poperô“, aplicado a quase qualquer dance music, ou som pop dançante e com elementos eletrônicos tocado em “boates” na década de 1990. Fora que o Technotronic foi um dos expoentes dessa vertente musical.

Ainda tem uma história engraçada por trás dessa música. O terreno onde ficava a fábrica de bebidas do meu falecido avô materno (que faliu bem antes de eu nascer), no interior paulista, em determinada época, durante os anos 1990, abrigou uma academia (que também já fechou), além da casa da minha avó e de um tio. De longe, brincando com meus primos no estacionamento coberto de brita, eu ouvia as músicas que a galera botava no som pra embalar a malhação. Foi onde escutei “Pump Up the Jam” pela primeira vez. Anos atrás redescobri a canção por causa da MTV e, desde então, é hit obrigatório em festas quando eu boto a mão no som. Sério.

E já que estamos estreando seção nova, aqui vai de brinde outra pérola noventista do Technotronic. Essa eu cheguei a tocar com a banda D. Explosion, um power trio de dance-punk que tive antes de fundar a Strange Music. Enjoy.