É ruim, mas eu gosto – Sisqó, “Thong Song” (1999)

Sisqó, o pai de "Thong Song": nome exótico, visual excêntrico e um hit contagiante com a cara da era "terra de ninguém" da música pop nos anos 2000

Sisqó, o pai de “Thong Song”: nome exótico, visual excêntrico e um hit contagiante com a cara da era “terra de ninguém” da música pop nos anos 2000

Não me pergunte por que, mas dia desses eu pensei no Sisqó… MEU, LEMBRA O SISQÓ? O cantor norte-americano de pop-rap/R&B com nome exótico e visual excêntrico – membro emérito do grupo de R&B Dru Hill – tomou de assalto as paradas internacionais de sucesso em 1999/2000 (na iminência da instauração do panorama “terra de ninguém” que dominou a música comercial na primeira década dos anos 2000) com a infecciosa “Thong Song“. A canção – um dos singles do absolutamente esquecível álbum Unleash the Dragon (1999), estreia solo do artista  – deu as caras já abalando o universo pop com uma pegada dançante e rebolativa, além da letra descarada que versa sobre as curvas e o balanço de uma certa moça que usa calcinha fio-dental (o “thong” da canção). Tudo isso conjugado no mais absoluto clima de “música pra dançar loucamente na pista e, depois de uns dois anos, negar conhecimento até a morte”. Pra sentir melhor o drama: acredite ou não, a música chegou a receber quatro indicações ao Grammy. Ao GRAM-MY, brother!

E se essa história ainda precisa de mais um elemento surreal pra valer a nota, que fique registrado que o maluco do Sisqó (e/ou seus produtores) teve a manha, além de tudo, de samplear o arranjo de cordas da versão gravada em 1967 pelo guitarrista de jazz Wes Montgomery para a canção “Eleanor Rigby”, dos Beatles, e usá-lo como um elegante pano de fundo para uma batida extremamente mal-intencionada e versos do naipe de “Ooh, that dress so scandalous /And you know another nigga couldn’t handle it/See you shaking that thing like who’s the ish/With a look in your eye so devilish/Uh, you like to dance at all the hip-hop spots/And you cruise to the crews like connect-the-dots/Not just urban she likes the pop/Cause she was livin’ la vida loca” (e se você sentiu que a última frase aí é uma clara citação ao hit de Ricky Martin, acertou na mosca).

Bem, “Thong Song”  – e seu clipe oficial (exibido à exaustão pela MTV; veja o vídeo abaixo) -, único sucesso digno de nota do Sisqó, diga-se de passagem, evidentemente é ruim de dar vergonha, até mesmo pela representação da era que ajudaria, informalmente, a inaugurar.  Mas, pelo remelexo desavergonhado, harmonia contagiante e inacreditável capacidade de – até hoje – laçar a galera pelos quadris, o som é bom pra cacete. Vai entender… Mande o PLAY aí embaixo e tente teorizar sobre o assunto você também!

É ruim, mas eu gosto – Marky Mark and the Funky Bunch, “Good Vibrations” (1991)

Cena do clipe de "Good Vibrations" (1991): antes de se tornar o consideravelmente famoso "ator" Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo abaixo era conhecido como Marky Mark, e capitaneava um grupo de pop-rap e dance batizado de "Marky Mark and the Funky Bunch"

Cena do clipe de “Good Vibrations” (1991): antes de se tornar o consideravelmente famoso “ator” Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo era conhecido como Marky Mark e capitaneava um grupo de pop-rap e dance batizado de “Marky Mark and the Funky Bunch”

E tá aí mais uma pérola noventista (ah, são tantas, não?) pra nos envergonharmos de gostar (mas foda-se, evidentemente; estamos aqui pra isso mesmo). Vamos lá:

Antes de se tornar o consideravelmente famoso (e minimamente respeitável) “ator” Mark Wahlberg, o sujeito bombadinho do vídeo abaixo era conhecido como Marky Mark (por conta disso até o DJ Marky – antes igualmente chamado de Marky Mark, brasileiro, sucesso na gringa – resolveu mudar de nome). No comecinho dos anos 1990, ele (Wahlberg) comandava uma uma banda de pop-rap e dance chamada Marky Mark and the Funky Bunch (ouch!), que durou só dois álbuns (em 1991 e 1992, mais especificamente). E, olha, essa foi uma fase em que o rapaz (que chegou, posteriormente, a fazer parte do núcleo principal do elenco do filme Os Infiltrados [2006], de Martin Scorsese) parecia ter desistido de vestir qualquer peça de roupa da cintura para cima.

Good Vibrations“, a música mais famosa do grupo (presente no álbum Music for the People, de 1991; veja o vídeo abaixo), é muito ruim, mas também é do caralho: base funkeada e sacolejante, vocal black feminino absolutamente apaixonante no refrão e o insosso rap “de branco” de Marky Mark (que não acrescenta nada, mas também não compromete) recheando a coisa toda.  Enfim, um PLAY absolutamente inocente, dançante, nostálgico e extremamente difícil de admitir pros amigos. Mas não tema! É pra isso que serve essa seção! Plugue o fone, aumente o volume e embarque sem reservas nessa nostalgia. Eu sei que você vai gostar…