Vídeo da semana – Haim, “Forever” (2012)

Cena do clipe de "Forever", do trio Haim: meninas descompromissadamente bonitas e boas de som

Cena do clipe de “Forever”, do trio Haim: meninas descompromissadamente bonitas e boas de som

Apesar de ter aparecido no ano passado, o vídeo abaixo poderia dividir com o Novidadeiro a categoria em que foi incluído aqui no blog. O Haim (pronuncia-se ráim) é um trio  relativamente novo, formado por três irmãs de Los Angeles (CA, EUA), que faz um som que vai do folk ao R&B com bastante influência oitentista. E o nome escolhido para batizar a banda nada mais é que o sobrenome de Este (nascida em 1986), Danielle (de 1989) e Alana (1991), as irmãs Haim.

As três garotas, acompanhadas pelo baterista Dash Hutton, já conseguiram chamar a atenção da mídia especializada mundial, embora ainda não tenham nem lançado um álbum inteiro (até agora foram apenas dois EPs, ambos de 2012). Mas foi com o simples e belo clipe de “Forever” (principal hit do grupo até agora), que também saiu em 2012, que elas conseguiram a minha atenção. Topei com o vídeo esta semana e já assisti inúmeras vezes. Além da beleza desinteressada das irmãs Halim, o maior mérito do clipe é, claro, mostrar o empolgante som que elas fazem. Pra propósitos pedagógicos dá pra chamar de power pop meio funkeado com ecos oitentistas e um sotaque particular bastante pronunciado.

Sem mais delongas, dê o PLAY aí abaixo e confira por si mesmo!

 

De bônus fica também uma apresentação das moças ao vivo no Later… with Jools Holland, agora em abril. Já dá pra sacar que, se continuarem inspiradas, elas vão longe.

 

Selo Jools Holland de Qualidade

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Time capsule – Roy Orbison – “Running Scared” (1961)

Roy Orbison: Running Scared (1961)

Roy Orbison: “Running Scared” (1961)

Simples, bela, direto ao ponto e grandiosamente romântica! Uma balada do inigualável Roy Orbison em sua melhor forma.

 

Roy Orbison – Running Scared (1961)

Just runnin scared each place we go
So afraid that he might show
Yeah, runnin scared, what would I do
If he came back and wanted you

Just runnin scared, feelin low
Runnin scared, you love him so
Just runnin scared, afraid to lose
If he came back which one would you choose

Then all at once he was standing there
So sure of himself, his head in the air
My heart was breaking, which one would it be
You turned around and walked away with me

Time capsule – B. J. Thomas – “Rock and Roll Lullaby” (1972)

B. J. Thomas: Rock  and Roll Lullaby (1972)

B. J. Thomas: Rock and Roll Lullaby (1972)

Bonita. Muito bonita. Certa vez, cantando essa balada country rock em um bar com videokê no bairro do Carrão (São Paulo-SP), notei um senhor às lágrimas, dizendo “Essa é do meu tempo! Essa é do meu tempo!”. Intenso.

 

B. J. Thomas – “Rock and Roll Lullaby” (1972)

She was just sixteen and all alone
When I came to be
So we grew up together
My mama child and me
Now things were bad and she was scared
But whenever I would cry
She’d calm my fears and dry my tears
With a rock and roll lullaby

And she would sing sha na na na na na na na …
It will be all right sha na na na na na….
Sha na na na na na na na …
Now just hold on tight

Sing it to me mama (mama mama ma)
Sing it sweet and clear, oh!
Mama let me hear that old rock and roll lullaby

Now we made it through the lonely days
But Lord the nights were long
And we’d dream of better moments
When mama sang her song
Now I can’t recall the words at all
It don’t make sense to try
‘Cause I just knew lots of love came thru
In that rock and roll lullaby

And she’d sing sha na na na na na na na
It will be all right
Sha na na na na na na na
Now just hold on tigh

I can hear you mama, mama, mama, mama
nothing loose my soul
like the sound of the good old rock and roll lullaby

Da estante – Danzig (1988), Danzig

Danzig (com Glenn Danzig em primeiro plano): o primeiro frontman do Misfits preferiu seguir carreira solo

Danzig (com Glenn Danzig em primeiro plano): o primeiro frontman do Misfits preferiu seguir carreira solo

Danzig (1988), álbum homônimo de estreia do projeto solo de Glenn Danzig: do punk desleixado influenciado por filmes B do Misfits ao hard rock/blues dark obcecado por temáticas ainda mais obscuras

Danzig (1988), álbum homônimo de estreia do projeto solo de Glenn Danzig: do punk desleixado influenciado por filmes B do Misfits ao hard rock/blues dark obcecado por temáticas ainda mais obscuras

Que fique avisado: nesse aqui vou ser curto e grosso, como os melhores sons do Danzig.

Pouco depois de deixar o posto de vocalista do Misfits, banda de horror punk que o apresentou ao mundo, e após uma breve tentativa com o Samhain, Glenn Danzig resolveu investir em um projeto que carregava seu próprio “sobrenome” artístico (ele nasceu Glenn Anzalone, em 1955).

O homônimo debute em disco – Danzig – ocorreu em 1988, carregando muito pouco de sua primeira banda – do punk desleixado influenciado por filmes B ao hard rock/blues dark obcecado por temáticas ainda mais obscuras. De igual, somente o vocal meio crooner, meio Elvis Presley, meio Jim Morrison, meio zumbi alienígena de Danzig.

Ali, a roupagem era totalmente outra: mais “séria” que na época do Misfits, com sons um pouco mais arrastados e palatáveis (intencionalmente ou não). Tanto que “Mother“, sexta faixa do álbum, acabou se tornando um hit improvável com seus vocais obscuros e sensuais e sua pegada “blues infernal”.

Enfim, mais um belo exemplar na prateleira da história do rock e do punk. Dá pra ouvir o disco inteiro aqui embaixo. Boa diversão!

Time capsule – Dion and the Belmonts – “I Wonder Why” (1958)

Dion and the Belmonts: doo-wop do bom direto do túnel do tempo

Dion and the Belmonts: doo-wop do bom direto do túnel do tempo

Dion and the Belmonts – I Wonder Why (1958)

Dont’ know why I love you like I do, don’t know why I do.

Don’t know why I love you, don’t know why I care
I just want your love to share

I wonder why, I love you like I do
is it because I think you love me too
I wonder why, I love you like I do, like I do.

I told my friends that we would never part
they often said that you would break my heart
I wonder why they think that we will part, we will part

When you’re with me, I’m sure you’re always true
when I’m away, I wonder what you do
I wonder why I’m sure you’re always true, always true

don’t know why I do.

Arqueologia sonora – Pixies

Pixies: os mentores acidentais do assalto protagonizado pelo "rock alternativo" ao imaginário coletivo da música pop nos anos 1990

Pixies: os mentores acidentais do assalto protagonizado pelo “rock alternativo” ao imaginário coletivo da música pop nos anos 1990

Não é sem considerável pesar – na condição de musicólogo – que admito ter ignorado até muito recentemente – e quase em sua totalidade – a importância do Pixies nos autos da música pop (ou comercial) recente. Obviamente que eu já estava a par da existência da banda comandada por Black Francis ou Frank Black (compositor/guitarrista/vocalista) e já havia balançado – em inúmeros episódios de minha trajetória de “pessoa musical” – ao som das composições mais “palatáveis” da trupe que também incluía a baixista/vocalista Kim Deal, o guitarrista Joey Santiago e o baterista Dave Lovering. Mas é que foi só muito recentemente que parei pra analisar produção/contexto e reconhecer a banda norte-americana formada no final dos anos 1980 como algo maior que um clássico – ainda que competente e interessante – clichê indie anacrônico. E então fecha-se (em meu folclore pessoal, antes ou depois de mais nada) a conta registrando o Pixies como um dos mais representativos mentores acidentais da tal “revolução” do rock alternativo yankee que tomou de assalto as rádios, as paradas de sucesso, a mídia especializada (ou nem tanto) e o imaginário do público consumidor de música durante boa parte da década de 1990 na forma de movimentos improváveis (porém absolutamente compreensíveis – ainda que não tão exatamente organizados como querem fazer crer) como o grunge e na consolidação de um nicho viável de produção relativamente distanciado do que se convencionou chamar de “rock” durante e logo após os anos 1980.

Com suas construções canhestras, lógica e execuções tipicamente amadoras (e de maneira alguma procuro destacar isso como um aspecto negativo – ao contrário) e energia produtiva tipicamente desligada da engrenagem músico-corporativo de sua época, o quarteto criado em Boston (Massachusetts) acabou inspirando, graças a sua estética (resumidamente baseada na espontânea, porém fresca – para a época -, alternância de dinâmica sonora [passagens mais “calmas” e trechos mais “explosivos”]) e conteúdo (as letras quase – se não completamente – surrealistas de Francis Black) absolutamente descompromissada com a agenda do “rock corporativo” (uma tentativa inata da indústria de, desconjuntadamente, ‘cercar’ o chamado ‘rock ‘n’ roll’ em um chiqueirinho povoado por mulheres, drogas e rebeldia de snooker bar) da época, o Pixies acabou fornecendo combustível intelectual (ainda que acidental, frise-se) para bandas embrionárias – à época – como o Nirvana. Basta pesquisar um pouco pra saber que – a despeito de influências um tanto óbvias quanto Melvins e o rock setentista – foi a tentativa (confessa, segundo minha pesquisa) de emular o som do Pixies que levou Kurt Cobain (só pra ficar em um exemplo que contempla o expoente “máximo” do grunge) a criar o hino “Smells Like Teen Spirit“. Isso posto, contemplemos o Pixies como uma das pedras fundamentais da liberdade criativa que, hoje, quase 30 anos depois de seu surgimento, se consolida no espectro praticamente ilimitado de bandas fazendo o que querem fazer a partir do “ponto de largada” do “rock”.

Da estante – Humbug (2009), Arctic Monkeys

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela "molecada" acabou crescendo

Humbug (2009): disco pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época, mas foi um retrato do momento impreciso da história em que aquela “molecada” acabou crescendo

Pra esse Da estante resolvi tirar o pó de um álbum relativamente recente, mas que gosto de imaginar como uma das futuras referências pra quando a “crítica especializada” resolver olhar para as consequências da (de certa forma superdimensionada) “invasão indie” que se deu no mundo da música comercial a partir dos anos 2000.  Um pequeno retrato do momento impreciso da história em que aquela molecada – que foi alçada, quase sem escalas, da posição de fenômenos circunscritos a guetos georreferenciados da internet a alvos apropriados para a versão contemporânea da etiqueta mainstream “salvadores do rock” – acabou crescendo e fazendo escolhas muitas vezes diametralmente opostas aos próprios contornos estético-musicais que serviram de cola pro hype desmedido no qual se banharam – voluntariamente ou não.

Feita a justificativa – e, embora eu não precise de nenhuma, faço-a em consideração (daquela típica dos comparsas) ao querido e raro leitor -, antes de começar a narrativa só quero dizer que resgato aqui recortes devidamente atualizados de análise feita anteriormente – quando de pertinência cronológica relacionada ao próprio lançamento do álbum em questão – em outras paragens.

E então vamos:

Não é sempre que uma banda que você no máximo odeia e no mínimo não gosta surpreende desse tanto. Confesso que – até então (final de 2009) – nunca tinha escutado um disco do Arctic Monkeys do começo ao fim. Na única oportunidade em que os vi ao vivo – no infame Tim Festival 2007 – eu estava sentado no chão do abominável Anhembi, em São Paulo, deveras desinteressado, me recuperando do show da Björk, que a então companheira fez questão de assistir NA GRADE. Bem, passados dois anos, tive que dar o braço a torcer.

A pulga já tinha se instalado atrás da orelha quando soube que quem tinha produzido Humbug (2009), terceiro registro fonográfico do quarteto inglês, era Josh Homme, a cabeça por trás do Queens of the Stone Age. Depois que vi o vídeo da banda tocando “Pretty Visitors” ao vivo na MTV inglesa (abaixo), então, tive que gastar alguns dias procurando o novo disco pra baixar.

A evolução dos – até então, na minha cabeça – “moleques” de Sheffield (UK) soava impressionante. De petardos adolescentes anteriores, como “I Bet You Look Good On The Dance Floor“, para canções com estrutura bem mais intrincada e certo arrojo, como a então novidade “Dangerous Animals” (abaixo) e a já citada “Pretty Visitors”. E tudo isso em pouco mais de três anos e dois discos lançados.

A música que me ganhou, no entanto, foi a segunda faixa de Humbug, “Crying Lightning” (vídeo abaixo). No meu entendimento, ali já ficava clara a influência velada de Josh Homme – nos riffs meio stoner, nos solos setentistas e nas viradas psicóticas de bateria. Além do que, a cadência vocal de Alex Turner finalmente parecia valer a pena, e as letras começavam a ir mais longe do que coisas brutas como “fiquei bêbado a noite passada e blábláblá…” (perdoe-me o exagero).

O disco tinha até espaço para uma baladinha singela que foi um verdadeiro soco no estômago. “Cornerstone” (abaixo) foi um exemplo de como a poesia de Turner cresceu. “She was close / close enough to be your ghost / but my chances turned to toast when I asked her / if I could call her your name“.

Enfim… Humbug pode não ter agradado aos fãs hardcore dos Monkeys na época. Eu não dei e continuo não dando a mínima. Pra mim era como se fosse o primeiro trabalho deles. “E que venham outros”, pensei (dois anos mais tarde, em 2011, eles lançariam o bonzinho Suck It and See, que, de certa forma, seguiu um pouco a pegada de Humbug, mas com um resultado muito mais “flat” e muito menos envolvente – um disco facilmente “esquecível”, infelizmente). Tudo o que eu queria, naquele recorte do espaço-tempo, era que os “macacos do Ártico” voltassem a nos brindar, dali para a frente, com pérolas como essa: