Novidadeiro – Future Islands

Future Islands: descobri por acaso o electro-pop com um tempero retrô da banda que tem no crooner Samuel T. Herring um de seus grandes destaques em meio a composições ligeiramente dançantes, definitivamente inteligentes e carregadas de sintetizadores.

Future Islands: descobri por acaso o electro-pop com um tempero retrô da banda que tem no crooner Samuel T. Herring um de seus grandes destaques em meio a composições ligeiramente dançantes, definitivamente inteligentes e carregadas de sintetizadores.

Não tenho uma história bacana sobre como descobri a Future Islands pra contar. Estava ouvindo algo no Rdio enquanto fazia outra coisa e, quando o disco que estava tocando acabou, o Auto-Play (que escolhe músicas aleatórias com base naquilo que você estava escutando antes) começou a tocar a faixa “Spirit”, que imediatamente chamou a minha atenção. Na mesma hora fui fuçar e, motivado pelo exótico comentário feito por um dos usuários do Rdio sobre o disco – “best Rod Stewart album since Tonight I’m Yours” -, acabei ouvindo Singles (2014), o álbum que trazia a tal música, de cabo a rabo com rara empolgação. Até agora sei muito pouco sobre o quinteto formado em 2006 na Carolina do Norte (EUA), mas percebe-se facilmente que a praia deles é o electro-pop com um tempero retrô. Também é evidente que a pegada crooner do vocalista Samuel T. Herring é um dos grandes destaques nas composições ligeiramente dançantes, definitivamente inteligentes e carregadas de sintetizadores da banda.

Já carregando na bagagem uma discografia de quatro álbuns (incluindo o mais recente), eles aparentemente só botaram a cara no sol de uma vez por todas depois que o vídeo de uma apresentação no programa do agora aposentado Letterman acabou viralizando (apesar da óbvia qualidade da banda, não consigo entender por que é que as pessoas ficaram tão surpresas na ocasião – talvez pela enérgica presença de palco de Herring, algo que anda mesmo em falta). E, se depender da consistência demonstrada no trabalho mais recente, eles têm tudo pra ocupar um dos muitos espaços vagos no panteão do pop alternativo contemporâneo.

Separei pra vocês uma participação da banda em um dos programas da ótima rádio KEXP, de Seattle. Performance recomendadíssima, assim como o disco Singles. Enjoy!

 

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Originais & Originados – Jorge Ben x Rod Stewart – “Taj Mahal” / “Da Ya Think I’m Sexy”

Jorge Ben em 1972: "Tê Tê Tê, Têtêretê" virou "If you want my body and you think I'm sexy Come on sugar let me know" na boca de Rod Stewart

Jorge Ben em 1972: “Tê Tê Tê, Têtêretê” virou “If you want my body and you think I’m sexy come on sugar let me know” na boca de Rod Stewart

Ok, esse não é exatamente um caso de composição original e sua(s) versão(ões) – oficialmente creditadas ou não. Trata-se, na verdade, de um dos casos mais famosos de (suposto) plágio da música pop mundial. Em 1972, sob o sol escaldante das terras tupiniquins, Jorge Ben lançava o semi-homônimo Ben e, com ele, um dos mais famosos hits de sua prolífica carreira, “Taj Mahal”. A música, que narra “a mais linda história de amor que me contaram e agora eu vou contar, do amor do príncipe Shah-Jahan pela princesa Mumtaz Mahal”, ainda ganhou uma nova roupagem gravada pelo próprio pai do samba-rock (ou samba-jazz como preferem alguns) para o álbum Solta o Pavão (1976). Até aí pouca novidade pra quem nasceu no País Tropical.

Acontece que, em 1978 (ou seja, seis anos após o lançamento da canção de Ben), sai Blondes Have More Fun, nono disco do ex-vocalista da banda de Jeff Beck e do Small Faces, o roqueiro escocês Rod Stewart. O álbum marcou a passagem definitiva do artista para o mundo do pop/disco e vendeu mais de 14 milhões de cópias no mundo todo, puxado pelo sucesso de faixas como a divertida “Da Ya Think I’m Sexy” e seu refrão contagiante. Mas aí o bicho pegou. “Peraí, já não ouvi essa melodia em algum lugar antes?”, devem ter pensado algumas centenas de fãs de Stewart e do nosso Jorge Ben. Pois é. Eis que o “Tê Tê Tê, Têtêretê (ad eternum)” de Ben virara “If you want my body and you think I’m sexy / come on sugar let me know /If you really need me just reach out and touch me /come on honey tell me so, tell me so baby” na boca de Stewart.

Coincidência? Inspiração? Cópia descarada? Não se sabe. Mas, Ben (que também teve que, eventualmente, mudar de nome artístico por questões semelhantes a essa) meteu um processo e muito provavelmente teria ganho de causa, só que acabou sem levar um tostão. Isso porque, no fim da pendenga, Stewart – que negou a cópia desde o início – acabou jogando a culpa no co-autor da música, o baterista Carmine Appice, e cedeu os lucros do hit ao Unicef em um show beneficente na sede da ONU, em Nova York.

Bom, pelo menos ganharam as criancinhas. E nós, que, ao invés de uma grande canção, acabamos com duas (embora eu tenha uma favorita disparada entre elas – consegue adivinhar qual?).

Solta o som!

ORIGINAL – JORGE BEN – TAJ MAHAL (1972/1976)


PLAGI…, QUER DIZER, ORIGINADA – ROD STEWART – DA YA THINK I’M SEXY (1978)