Originais & Originados – Daft Punk x Vários

Daft Punk: eu adoro o Daft Punk. Mas… O duo de música eletrônica parece ter um grande talento oculto: o de samplear “na cara dura” trechos poderosos de músicas obscuras para compor seus próprios hits

Daft Punk: eu adoro os caras.  Mas… O duo francês de música eletrônica parece ter um grande talento oculto – o de samplear trechos poderosos de músicas obscuras para compor seus próprios hits

Parafraseando o vídeo que inspirou este post (o primeiro abaixo): eu adoro o Daft Punk. Mas… O duo de música eletrônica parece ter um grande talento oculto: o de samplear “na cara dura” trechos poderosos de músicas obscuras para compor seus próprios hits. A seguir você encontra uma vídeo-colagem produzida pelo blog MusicThing que emparelha vários sucessos (a maioria deles presentes no álbum Discovery, de 2001) da “misteriosa” dupla parisiense que se veste como um par de robôs com as canções que os “inspiraram”. Logo na sequência eu destrincho essa playlist – na ordem do vídeo – colocando as originais e as originadas lado a lado (ou melhor, uma embaixo da outra).

Evidentemente que isso não é uma crítica à cultura do sampler (e quem acessa esse blog sabe disso), antes, uma cândida visita (e sincera homenagem) aos artistas que deram combustível para mais esse fenômeno da música contemporânea. Afinal, não se pode dizer que o Daft Punk não criou algo novo com os recursos que eles… Bem… “Aproveitaram”. E, como eu disse logo no início, sou fã dos caras – eles são fodas, independentemente de qualquer coisa.

VÍDEO – WHERE DAFT PUNK GOT THEIR SAMPLES FROM (MUSICTHING)

 

[[[[A PLAYLIST]]]]:

ORIGINAL – EDWIN BIRDSONG – COLA BOTTLE BABY (1979)

ORIGINADA – DAFT PUNK – HARDER, BETTER, FASTER, STRONGER (2001)

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ORIGINAL – GEORGE DUKE – I LOVE YOU MORE (1979)

ORIGINADA – DAFT PUNK – DIGITAL LOVE (2001)

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ORIGINAL – LITTLE ANTHONY & THE IMPERIALS – CAN YOU IMAGINE (1977)

ORIGINADA – DAFT PUNK – CRESCENDOLLS (2001)

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ORIGINAL – BARRY MANILOW – WHO’S BEEN SLEEPING IN MY BED (1979)

ORIGINADA – DAFT PUNK – SUPERHEROES (2001)

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ORIGINAL – BREAKWATER – RELEASE THE BEAST (1980)

ORIGINADA – DAFT PUNK – ROBOT ROCK (2005)

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Originais & Originados – George Clinton x Snoop Dogg – “Atomic Dog” (1982) / “Who Am I (What’s My Name)?” (1993)

George Clinton em toda sua exuberância multicolor: a história sobre um "cachorro atômico" serviu, uma década mais tarde, de cartão de visita pra um dos grandes nomes do rap norte-americano

George Clinton em toda sua exuberância multicolor: a despretensiosa história de um “cachorro atômico” contada pelo ex-mentor do Parliament/Funkadelic nos anos 1980 serviu, uma década mais tarde, de base para o cartão de visita de um dos grandes nomes do rap norte-americano

O caso em questão diz respeito mais a uma homenagem/referência/releitura do que a uma versão propriamente dita. Bem, o lance todo começa assim: em 1982, após a dissolução da entidade funk por ele capitaneada (as fodidíssimas bandas irmãs siamesas Parliament/Funkadelic – das quais vou falar qualquer hora com certeza), George Clinton lança seu primeiro disco solo, Computer Games e, com ele, a faixa mezzo eletrônica oitentista mezzo funk “Atomic Dog“, uma música alegre, dançante, sacolejante e aparentemente bobinha (a canção versa, numa análise superficial, sobre o comportamento dos cães – que correm atrás de gatos e de suas próprias caudas -, e que tem como personagem central um tal de “atomic dog” [cachorro atômico], que é o sujeito do refrão contagiante da música).

Ok.

Fast foward para a década seguinte e eis que, em 1993, o hoje popularíssimo rapper norte-americano Snoop Dogg, então um iniciante na cena revisita o som de Clinton em “Who Am I (What’s My Name)“, uma das músicas mais populares de Doggystyle, seu disco de estréia, e que rendeu um clipe (veja abaixo) exibido à exaustão na MTV brasileira (e, imagino, gringa) na época. É claro que, como é peculiar do rap e do hip-hop, a faixa – apesar de apoiada em uma canção já existente – ganhou personalidade própria com a narrativa e as rimas de Snoop Dogg. Mas é quando chega o refrão que fica claro a fonte na qual o rapper bebeu. E aí a linha vocal executada pelos backing vocals de George Clinton nos anos 1980 – entoando o mantra “Atomic doooooog / Atomic doooooog” – se transmuta, em plena década de 1990, na resposta cantarolada em coro “Snoop Dogg / doooooogg / Snoop Dogg / doooooogg” (além de outras pequenas semelhanças com a original) para a insistente pergunta “What’s my motherfuckin’ name?“, proferida por Snoop ao longo da música (a faixa ainda conta com alguns outros samples de músicas do Parliament e do Funkadelic, talvez uma pista de que rolou mesmo uma homenagem a Clinton).

Uma bela apropriação histórica da nata da música black em um dos hits que ajudou a botar o rap no mapa da música pop nos anos 1990. E, naquele momento, muito mais que uma referência explícita e despropositada causada pela falta de inspiração (como viria a acontecer com vários medalhões do rap no final da década), um certo atestado de qualidade e bom gosto para o então neófito Snoop Dogg. Embarcando na máquina do tempo: com esse gabarito, seja muito bem-vindo.

ORIGINAL – GEORGE CLINTON – ATOMIC DOG (1982)

ORIGINADA – SNOOP DOGG – WHO AM I (WHAT’S MY NAME)? (1993)