Vídeo da semana – Cat Power, “Manhattan” (clipe do álbum Sun)

Cena do clipe de "Manhattan": Cat Power de rolê pelo coração de NY

Cena do clipe de “Manhattan”: Cat Power de rolê pelo coração de NY

Chan Marshal, a.k.a. Cat Power, acabou de lançar o segundo clipe de seu último disco – Sun (2012). A música escolhida foi a bonitinha “Manhattan“, que acabou videografada com um passeio gostoso da bela Chan (com seu novo visual de cabelo curtinho e descolorido) pela ilha/bairro novaiorquino que dá nome à canção. Veja também o primeiro clipe do disco, “Cherokee”, e a resenha do álbum aqui n’O musicólogo.

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Vídeo da semana – O clipe de “Cherokee”, de Cat Power

Chan Marshall (a Cat Power) em cena do clipe de "Cherokee": loira, meio cósmica, meio indianista, meio Mad Max

Chan Marshall (a Cat Power) em cena do clipe de “Cherokee”: loira, meio cósmica, meio indianista, meio Mad Max

Enfim saiu o clipe do primeiro single do ótimo Sun (2012), de Cat Power. No vídeo de “Cherokee”, que tem uma trama e uma estética meio cósmica, meio indianista e meio Mad Max (como lembrou o pessoal do Trilhando), Chan aparece loira e metida com uma gangue armada com rifles platinados que parecem ter saído da ficção científica mais chulé. Se a história é bizarra demais, vale pelo som e pelas belas imagens no melhor estilo road movie pós-apocalíptico. Que venham outros!

Resenha – Cat Power, Sun (2012)

Cat Power versão 2012: minha voz ainda é a mesma, mas os meus cabelos - e os meus arranjos -, quanta diferença!

Cat Power versão 2012: minha voz ainda é a mesma, mas os meus cabelos – e os meus arranjos -, quanta diferença!

Capa de Sun (2012), novo álbum de Cat Power

Capa de Sun (2012, Matador), novo álbum de Cat Power

Depois de seis anos sem lançar um disco de canções autorais e pouco tempo depois de terminar um relacionamento de longa data com o ator Giovanni Ribisi, Chan Marshall – mais conhecida pelo seu stage name Cat Power – botou na praça Sun (03 de setembro, Matador), nono álbum de estúdio de sua carreira. E se em 2012 Chan renovou a vida afetiva e até o visual (dá uma olhada nos cabelinhos curtos na foto acima ou no vídeo promocional da faixa “Ruin” abaixo), o que dizer de seu som?

Bem, não seria exagero dizer que Sun é uma das coisas mais originais e contemporâneas que Cat Power já produziu até hoje dentro de sua própria estética particular. Se em The Greatest (2006) era o southern soul que banhava o seu indie rock confessional e melancólico, em Sun são as texturas, programações e efeitos eletrônicos que dão a tônica. Mas tudo sem soar como modismo (se bem que, convenhamos, estamos em 2012) ou frivolidade, e com as composições de Marshall (que, aliás, gravou praticamente tudo sozinha e ainda produziu e mixou, com a ajuda de Philippe Zdar – do Cassius) no centro do show, como de costume. A guinada no formato gerou canções ora perfeitamente dançantes, ora atmosféricas e algo experimentais. A voz da moça continua bela e ronronada como nunca, e a produção se aproveita disso, brincando com overdubs que, por vezes, dão a impressão de que estamos diante de um coral de Chans. E guitarra sempre providencial de Judah Bauer (The Jon Spencer Blues Explosion, com quem Cat Power vem tocando desde 2006) é a cereja do bolo.

Mais uma vez, quem estranhou a mudança de direção de The Greatest vai, de novo, demorar a se habituar com Sun. Mas quem acredita que um artista naturalmente muda de rumos em diferentes momentos de sua trajetória vai, muito provavelmente, curtir as novas paisagens pintadas por Cat Power. O álbum é surpreendentemente mais feliz e otimista do que a média da discografia de Chan, talvez por estar quase finalizado à época do rompimento com Ribisi, que, aliás, apenas dois meses após o fim do relacionamento com a cantora, se casou com a modelo britânica Agyness Deyn – boatos dão conta de que ela apressou o lançamento do disco depois da separação.

Uma última nota a respeito da vida pessoal da força criativa por trás de Cat Power: “Nothin’ But Time”, uma das mais poderosas canções do novo trabalho – com seus épicos 10 minutos e 55 segundos e a participação discreta de Iggy Pop nos vocais lá pelas tantas -, é dedicada à filha adolescente de Ribisi, com quem Chan, que não tem filhos, teria desenvolvido uma relação bastante maternal. “You got nothin’ but time/And it ain’t got nothin’ on you”, diz parte da letra, que parece um grande – e belo – discurso de mãe, sem ser piegas.

Em suma, Sun é o retrato de uma artista que cresceu e que – tudo indica – continuará amadurecendo bem. Chan já tem 40 anos, passou por muita coisa desde que saiu de Atlanta (Georgia, EUA) para se tornar a queridinha dos indies de boa parte do mundo, incluindo aí o alcoolismo, as agruras da fama, a depressão e um (quase) casamento que não deu certo. Nesse ponto da carreira é bom vê-la ainda experimentando e buscando novas sonoridades, mas com a segurança de quem já encontrou sua própria voz.