Novidadeiro – alt-J (∆)

alt-J (∆): nome nerd e incenso precoce da mídia especializada

alt-J (∆): nome nerd e incenso precoce da mídia especializada

Ok, ok. Primeiro preciso dizer que muita gente já anda falando do alt-J (∆) pelo menos desde maio desse ano. É que, com as férias que o musicólogo resolveu tirar deste blog (sem avisar ninguém, diga-se de passagem), eu perdi a oportunidade de falar em primeira mão desse quarteto inglês que, com/antes mesmo de seu debute, An Awesome Wave (junho de 2012), provocou uma das maiores rasgações de seda da mídia indie-especializada desde, digamos, The Rapture. E tudo isso, frise-se, apenas com um álbum de pouco menos de 50 minutos de duração (incluindo aí a já manjada “hidden track”).

Levando o nome de um atalho de Mac (a combinação das teclas “Alt” e “J”, que resulta em um triângulo; dá pra ser mais indie/hipster/nerd/geek do que isso?), o alt-J (∆) faz um som diferentão do que costuma-se ver nas listas do NME, por exemplo, e bem acima da média. A mistura estranha, porém melodiosa, de folk, indie rock e corais quase religiosos é um golpe de ar fresco pra quem procura por sonoridades diferentes – destacando-se aí, além da bela instrumentação, os vocais exóticos do frontman Joe Newman. Já ouvi por aí que os caras JÁ (é, JÁ) estão sendo comparados com o Radiohead. Bom, além de dizer que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, fica a esperança de que o hype não arruíne MAIS UMA bela promessa de inovação.

Chega de papo e vá ouvir o som! Começando por “Breezeblocks”, cujo clipe (que vi no ótimo MúsicaPavê) me chamou a atenção – e me fez conhecer a banda – com seu enredo de trás pra frente e desfecho/início impressionante.

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Novidadeiro – Strange Music e o clipe de “Nova em Março”

Imagem do clipe da música "Nova em Março", da banda Strange Music

Imagem do clipe da música "Nova em Março", da banda Strange Music

Novidadeiro tem um grande defeito: costuma ignorar o que está bem debaixo do seu próprio nariz. Explico. Nós, que nos orgulhamos de descobrir bandas antes de qualquer major ou crítico musical mainstream, temos a tendência a não prestar atenção à produção musical de amigos e conhecidos. Não, a graça está em falar sobre bandas da Inglaterra, Suécia, Somália… Acaba que deixamos passar batido coisas realmente boas só porque conhecemos um ou mais dos integrantes da parada.

Contrariando a classe, vou corrigir – pelo menos uma vez – essa minha falha genética músico-comportamental e falar da Strange Music, banda de indie rock e lounge  eletrônico/orgânico do meu caro amigo dono do blog, o Musicólogo em pessoa. Os caras estão na lida desde 2006, já lançaram dois discos e um EP de forma totalmente independente, e para o quarto trabalho, o álbum “Música Estranha” (2011/2012), estão apostando em lançamentos sem suporte físico (CDs, discos) e colocando tudo de graça direto na internet. E neste último final de semana eles me saíram com esse clipe bonitão para a música “Nova em Março”, uma das faixas do novo trampo.

O vídeo foi todo feito com imagens captadas pela diretora Catrin Hedström, que bolou o projeto “They Call Us/Animals” depois que uma banda desistiu de fazer um clipe com ela, e editado pelo Julio Cesar Saez Moreno, comparsa da banda que fez um trabalho foda e totalmente adaptado ao clima da música. Curiosamente, não é só o clipe de “Nova em Março” que traz um trabalho de mixagem, já que a própria faixa contém vocais eletronicamente alterados e resampleados do soulman Smokey Robinson. Adivinhe de que música eles vêm e o novidadeiro aqui te dá um doce.

Sem mais delongas, vamos ver o trabalho dos meninos. E se você gostar, visite o site oficial ou a página do Facebook da banda pra ouvir mais sons!

Novidadeiro – The Floor is Made of Lava

The Floor is Made of Lava: indie rock nórdico

The Floor is Made of Lava: indie rock nórdico

Essa aqui eu estou guardando já tem um tempo. Chegou a ficar entre os top artists do meu Last.fm, imagine, só! Tive que correr pra colocar algumas bandas na frente, só pra esconder. E também tem aquilo, né? Mesmo um novidadeiro tem que manter entre os seus “mais ouvidos” coisas como Beatles e Radiohead, só pra não perder a credibilidade.

O fato é que topei com esse grupo de dinamarqueses (!) que fazem indie rock por acaso, baixando discos na internet (não façam isso em casa, crianças!). E foi um golpe de ar fresco no meio de um monte de coisa nova e flácida que eu andava ouvindo. A única referência que eu encontrei sobre o The Floor is Made of Lava em sites brasileiros compara os caras com uma mistura dançante de Foo Fighters (que ultimamente me entedia, no mínimo), com Queens of the Stone Age (que amo, com ressalvas). É… Mezzo…. Se for só pra dar uma referência ligeira, até pode ser.

Esses europeus são bons, embora se esforcem muito pra soar como americanos. Letras em inglês, construções pop familiares… Mas tem alguma coisa ali que os diferencia. Talvez as quebras de ritmo e clima que fazem com que canções simples se tornem esforços estilísticos mais elaborados que o velho verse/chorus/verse. “Sailors, Cowboys & Indians” (o último vídeo deste post) é um ótimo exemplo. Tem peso, consistência de composição, clima e muda bem a tempo de surpreender e cativar o ouvinte mais despretensioso.

Não sei muito mais sobre os caras. Só que eles já têm trabalhos na praça, e que o disco mais novo (“Howl at the Moon“) saiu em 2010. E que são dinamarqueses. Convenhamos: um novidadeiro precisa de muito mais?

Novidadeiro – Ezra Furman & the Harpoons

Ezra Furman & the Harpoons: não é novo, mas você ainda não ouviu

Ezra Furman & the Harpoons: não é novo, mas você ainda não ouviu. E deveria...

Hoje é rapidinho. Só pra dar um puxão de orelha. O Ezra Furman & the Harpoons tá na praça desde 2006 e você ainda não ouviu. Aproveita que os caras acabaram de lançar o disco Mysterious Power (2011) e corrija essa falha de caráter.

Sente o clima:

Novidadeiro – Cemeteries

Kyle J. Reigle é o Cemeteries

Kyle J. Reigle é o Cemeteries

A coisa mais deliciosa para um novidadeiro é encontrar uma (boa) banda de quem ninguém ainda ouviu falar (mas de quem provavelmente irão falar muito nos próximos meses). Essa banda ser formada (apenas) por um introvertido jovem de 21 anos de Buffalo, NY, só deixa tudo ainda mais divertido. Kyle J. Reigle, o rapaz que acabo de descrever, é todo o line-up do Cemeteries, e faz um som delicadamente lúgubre, um indie rock que flerta com o folk, o dream pop e o shoegaze.

O primeiro álbum da “monobanda”, Speaking Horrors (2010), já entrega que estamos diante de um diamante bruto, um geniozinho que deve acabar virando uma espécie de Phil Spector moderno. Além de compor e executar as 10 faixas do disco, Kyle também foi o responsável pela produção e mixagem. E que mixagem! Além de lidar com espaços enormes que em alguns momentos são preenchidos por uma densa “cortina sonora” onírica e em outros são deixados elegantemente vazios, Kyle multiplica suas linhas de vocal com overdubs para compor um tipo de coro que parece saltar de um conto de fadas pós-baseado.

Ainda é quase impossível encontrar qualquer informação sobre o Cemeteries ou sobre Kyle J. Reigle por aí (ainda mais em português). Mas se você lê francês ou sabe usar o tradutor do Google, aqui tem uma entrevista com ele.

Abaixo, o BandCamp da banda, com o disco todo, liberado pra escutar! Enjoy! Minha favorita é a faixa 9, “Run!“.